<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480</id><updated>2012-02-16T19:53:43.403-08:00</updated><category term='ficções'/><category term='realidades'/><category term='tecnologia'/><category term='comunicação'/><category term='língua portuguesa'/><category term='educação'/><category term='literatura'/><title type='text'>O Spalding - literatura, tecnologia, comunicação</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>45</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-6188460141487766247</id><published>2011-12-14T11:17:00.000-08:00</published><updated>2011-12-22T13:39:20.958-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='educação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='língua portuguesa'/><title type='text'>A reprovação como processo de aprendizado</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right; font-style: italic;"&gt;Marcelo Spalding&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A pior parte do trabalho do professor é ter de reprovar seus alunos. Claro que sempre há na turma aqueles poucos que passaram o semestre (ou ano) conversando, não deram bola para suas atividades, faltaram ao máximo possível de aulas, nunca tocaram num livro ou acessaram um site para estudar. Mas há, sempre há, tantos outros que se esforçaram e, por um motivo ou outro, acabaram reprovando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Particularmente acredito que a reprovação é  importante para o processo de aprendizagem. Não que a reprovação por si só garanta aprendizagem, mas a cultura do "passar de qualquer jeito" é nefasta, pois não prepara o jovem para as reais necessidades da vida e do mercado de trabalho, enganando-o sobre suas reais condições e necessidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, para mim, o grande problema são aqueles professores que fingem ensinar e vão empurrando seus alunos, ou melhor, os problemas de seus alunos com a barriga, para não se incomodarem. Talvez por isso tantos estudantes cheguem com tamanhas deficiências na Universidade, pois nos anos escolares alguns vão passando, ano a ano, com notas medianas e desempenhos medíocres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que a questão da reprovação na vida escolar é bem diferente da reprovação na universidade, pois na vida escolar há aquele crime de fazer a criança repetir TUDO, ainda que tenha faltado meio ponto em química, por exemplo. Já na universidade a repetição de determinada disciplina pode ser uma oportunidade de realmente aprender determinado conteúdo que pode ser fundamental para o desempenho acadêmico e profissional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um agravante na questão da repetência são algumas bolsas que, de forma radical, impedem que o aluno repita uma disciplina sequer. Entendo que o objetivo da bolsa é fazer o aluno estudar e se dedicar, mas acredito que seja normal a repetência em uma ou outra disciplina, deveria haver uma margem de segurança para o aluno dedicado. Talvez essa margem não se aplicasse a estudantes com excesso de faltas ou com excesso de trancamentos, pois acho muito mais honesto o aluno que vai até o fim do curso tentando a aprovação do que aquele que tranca sua matrícula no meio do semestre, perdendo a oportunidade de tentar e ir adiante em sua vida estudantil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente não estou defendendo, com isso, aqueles professores sem critérios que repetem sem a devida justificativa e explicação para o aluno ou retêm mais da metade da turma. Minha preocupação é que a cultura da permissividade que tem marcado nossas escolas nos últimos anos tenha incorporado no aluno uma falsa ideia de que ele não precisa estudar, esforçar-se, ler, perguntar, participar. Que basta estar presente e fazer cruzinhas na hora da prova. Até porque, não custa lembrar, escola ou universidade não é um fim em si mesmo, passamos anos em suas dependências porque temos sonhos, objetivos, metas. E não os alcançaremos de qualquer jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Comentários recebidos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Baita texto Marcelo, contrasta realmente com a realidade que vivi no ensino médio principalmente. Professores relapsos que não nos deram a devida preparação para a universidade.&lt;/span&gt;&lt;div style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-style: italic;"&gt;Apesar de decepcionado comigo mesmo por ter ficado por tão pouco em apenas uma matéria, sei que apesar de parecer um destes alunos que faz bagunça e não estuda tenho meus métodos de estudar. Prefiro estar na aula e ouvir, ou as vezes nem ouvir, apenas ver a matéria e estudar em casa. Aprendi a ser assim quando no ensino média não havia maneira de conseguir literalmente decorar o que os professores queriam passar no quadro, pois para eles era mais fácil o aluno decorar e tirar a nota mínima do que aprender e ser alguém na vida.&lt;/div&gt; &lt;div style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-style: italic;"&gt;O meu maior medo é como tu falou, perder a bolsa do Unipoa por rodar em uma cadeira, também acho muito injusto, seria muito mais simples para mim, ter trancado a cadeira no final do semestre quando me apertei do que chegar agora até o final com a faca no pescoço indo pro tudo ou nada hehehe&lt;/div&gt; &lt;div style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-style: italic;"&gt;Mas bola pra frente, hoje vou sentar antes da prova e dar mais uma estudada para tentar ir bem nesta prova.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Abraço&lt;/span&gt;,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Diego Ribeiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Marcelo, boa tarde!&lt;/span&gt;&lt;div style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Concordo plenamente com a tua  manifestação, sou bolsista e por determinação contratual da fonte  geradora de minha bolsa, a reprovação em qualquer cadeira significa a  perda total da bolsa e com o ônus de não poder concorrer à bolsa  novamente pelos próximos 2 anos.    &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;No meu caso, não há margem para o erro ou para problemas  pessoais, não há margem para nada, é radical ao extremo. Tenho  plena consciência de que concordei com as condicionantes desse contrato,  porém, se não concordasse, não teria a oportunidade de tentar. Então  aceitei a proposta de passar e não perder a bolsa, estou no 2º semestre  aprovado em todas as cadeiras e informo que neste semestre gostaria de  ter rodado em pelo menos uma cadeira, passei no "susto", por "sorte",  carrego algum conteúdo, mas não aquele que realmente gostaria. &lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;div style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-style: italic;"&gt;O intuito dessa bolsa é formar a "Excelência",  formar os melhores, se eu chegar ao fim do curso utilizando essa bolsa  creio que estarei numa "EXCELÊNCIA" de pessoas que fizeram de tudo para  "PASSAR" mesmo que no "SUSTO".&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;div style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-style: italic;"&gt;Não ganhei notas, não pedi notas a nenhum professor e  informo que todas as minhas notas foram obtidas através do meu estudo,  dedicação e ajuda de alguns colegas que se prontificaram em me ajudar  nos finais de semana e antes ou depois do horário de aula.&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;div style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-style: italic;"&gt;Concluindo: com dedicação, esforço, força de vontade  e passando por cima de problemas pessoais é possível passar, mas  algumas vezes por &lt;u&gt;SUSTO, SORTE e NÃO por QUALIDADE,&lt;/u&gt; isso só prova que a EXCELÊNCIA prezada pela fonte geradora de minha bolsa não existe!&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;div style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-style: italic;"&gt;P.S. Peço desculpas pelas vírgulas, pontos e  algumas concordâncias verbais, colocadas indevidamente, não queria  perder a oportunidade de relatar meu caso e acabei escrevendo  apressadamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-style: italic;"&gt;Abraços&lt;/div&gt;&lt;div style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-style: italic;"&gt;André S. Aguiar&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Boa noite professor!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Agradecemos muito pelo seu carinho e, principalmente, pela sua demonstração de amizade. Hoje em dia, atitudes assim são raríssimas, e por isso mesmo, muito especiais. Agradeço muito o carinho e o respeito com que o Senhor sempre tratou meu marido. Sabíamos que não seria fácil, pois fazia muitos anos que ele não tinha contato com os estudos. Afinal, um rapaz que estudou na escola rural de Lajeado e que terminou o segundo grau fazendo supletivo, não teria a mesma facilidade de aprendizado. Vou fazer o possível para ajudar o Valdir nessa nova etapa, no curso de Direito, estudaremos juntos e tenho certeza de que o Senhor vai se orgulhar, e muito, do seu ex-aluno. Adoraria tê-lo conhecido, mas creio que não faltará oportunidade! Um feliz natal e um 2012 cheio de realizações! Muito, muito, obrigada mesmo, do fundo do coração!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços, Gesilane e Valdir Karsek&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito interessante! &lt;/span&gt;&lt;div style="font-style: italic;"&gt;Apoio esta ideia! Os estudantes têm esta visão de não existir necessidade alguma de ler, se empenhar, dedicar tempo, sacrificar-se em algumas fases para lá em diante obter sucesso. O índice de reprovação na OAB, em destaque na mídia, é muito alto, e este fator define-se pelo fato de os alunos colarem, levarem as aulas, as matérias e até mesmos as provas na brincadeira. Reprovar, talvez, esta palavra seja inexistente para muitos, mais eis aí uma realidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;   &lt;div style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-style: italic;"&gt;Att. &lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tatiara Muniz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Obrigado pelo envio do texto. Lembrei-me dele ontem, quando minha mulher, professora de Português, teve que aprovar, no conselho de classe, seis alunos dos 11 que estavam reprovados, porque "onde já se viu um aluno rodar só por causa de uma disciplina, mesmo que seja Português". Enquanto isso, outros alunos saem do colégio indo atrás, justamente, de educação mais efetiva, cansados de terem que dividir a sala com quem já deveria ter ficado para trás.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Luiz Eduardo&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-6188460141487766247?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/6188460141487766247/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2011/12/reprovacao-como-processo-de-aprendizado.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/6188460141487766247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/6188460141487766247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2011/12/reprovacao-como-processo-de-aprendizado.html' title='A reprovação como processo de aprendizado'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-891602258931837483</id><published>2011-12-07T03:07:00.000-08:00</published><updated>2011-12-07T03:10:36.091-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tecnologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comunicação'/><title type='text'>Os critérios do Google</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Marcelo Spalding&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Uma das perguntas mais frequentes entre os profissionais web é: quais são os critérios  do Google para classificar um site em seus mecanismos? Como faço para me  inscrever?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, primeiro, o Google tem um robô, ou milhares, que  fazem periodicamente uma varredura nos sites da web, então essa  identificação e classificação são automáticas. E como é periódica, a  posição do seu site varia de acordo com a classificação que ele recebe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há  quem diga que o Google utilize mais de 200 critérios para analisar um  site e, a partir desses, atribuir uma pontuação a cada um dos sites  selecionados. Com isso, o Google apresenta nas primeiras posições aqueles  sites que têm maior pontuação e, quanto menor a pontuação do site, pior  a classificação dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para não fugir da resposta, vejamos aqui alguns dos critérios mais importantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;1. O domínio:&lt;/span&gt;  é muito importante o domínio do site, então uma busca por Confidentia,  por exemplo, deve retornar primeiro o www.confidentia.com.br (no  Brasil). Isso evidencia a importância de se ter um domínio relevante  para a empresa, e até de se adquirir mais de um domínio (.com.br, .com),  evitando que um concorrente adquira um domínio semelhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;2. O título e as meta-tags:&lt;/span&gt;  o título do site é extremamente importante na busca, por isso sempre é bom colocar o nome da empresa, o local da empresa e algumas  palavras-chave. Não adianta colocar centenas delas, há um limite e  quanto menos, mais o Google irá considerar relevante. Vale o mesmo para  as meta-tags (informações que ficam escondidas no site), como descrição,  idioma, palavras-chave. Também é importante que o título da página altere de acordo com o conteúdo dela, reproduzindo, por exemplo, o título da notícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;3. Conteúdo relevante e atualizado: &lt;/span&gt;um  site com mais conteúdo e conteúdos mais relevantes e atualizados será  melhor indexado, isso é um fato conhecido. E o Google cada vez mais  incentiva essa classificação qualitativa (há pouco inaugurou a  possibilidade do próprio usuário ranquear os sites).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;4. Troca de links:&lt;/span&gt;  um dos segredos do ranqueamento do Google é que quanto mais páginas  linkarem para o seu site, melhor classificado ele estará. Então a troca  de links é uma prática extremamente saudável para qualquer site, assim  como conteúdos relevantes que sejam linkados em outros sites e blogs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;5. Programação otimizada:&lt;/span&gt;  há diversas questões de programação que interferem nos robôs do Google.  A mais importante delas é que o Google (ainda) não varre arquivos Flash  (SWF), então um site feito totalmente em Flash terá mais dificuldades  de ser encontrado do que um site em HTML. Outras, como a criação de um  SiteMap, devem ser solicitadas ao seu programador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do mais, a  lição parece ser que quanto melhor um site, melhor indexado ele estará,  então não acredite em soluções mágicas e não trabalhe apenas olhando  para o Google: invista num site de qualidade, com conteúdo interessante e  atualizado, e o resultado virá paulatinamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-891602258931837483?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/891602258931837483/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2011/12/os-criterios-do-google.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/891602258931837483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/891602258931837483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2011/12/os-criterios-do-google.html' title='Os critérios do Google'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-7657651561484735185</id><published>2011-11-30T04:09:00.000-08:00</published><updated>2011-11-30T05:35:58.492-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='educação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='língua portuguesa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comunicação'/><title type='text'>Sobre os estrangeirismos: Why so Serious?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Alexandre Sturm&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; *&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;É patética a tentativa do governo em desviar o foco da atual decadência educacional do país criando “culpados”. Os clichês e jargões yankees são apenas sintomas inofensivos e que, por vezes mesmo que esporádicas, se encaixam perfeitamente na nossa linguagem contemporânea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os “monarcas” partem da premissa que a inserção de palavras não traduzidas para o português fere a qualidade da nossa língua mãe. É importante salientar que os portugueses (de Portugal) sempre tiveram apreço e orgulho pela língua, optando sempre pela tradução das palavras, contudo o povo brasileiro não demonstra a mesma afeição e dá sinais claríssimos de descaso e, pior, desconhecimento da mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A penetração e aceitação de novos vocábulos é resultado de um mal maior: a pouca valorização e disseminação do nosso idioma. Tal inoperância governamental em alimentar o ensino no país acarreta em “cânceres” bem aceitos como “me vê 5 pila aí” ou “me vê pra mim essa coca” e utilizam como bode expiatório palavras que seriam invariavelmente agregadas ao sistema como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;download &lt;/span&gt;e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;happy hour, &lt;/span&gt;sendo que estas possuem uma boa aplicabilidade muito diferente dos erros rotineiros e atrozes que são cometidos frequentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destarte, não defendo todos os estrangeirismos, muitos deles totalmente dispensáveis (vide &lt;span style="font-style: italic;"&gt;feedback &lt;/span&gt;e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;meeting&lt;/span&gt;), contudo se os governantes querem realmente se livrar de toda e qualquer influência norte americana em nossa linguagem, não seria mais sensato parar de investir tempo em leis esdrúxulas e com pouca (ou nenhuma) eficácia e tentar investir na educação, para variar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;* Alexandre é meu aluno de LP na Administração da Uniritter&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-7657651561484735185?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/7657651561484735185/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2011/11/sobre-os-estrangeirismo-why-so-serious.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/7657651561484735185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/7657651561484735185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2011/11/sobre-os-estrangeirismo-why-so-serious.html' title='Sobre os estrangeirismos: Why so Serious?'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-6322757309709038161</id><published>2011-10-24T05:18:00.000-07:00</published><updated>2011-10-24T05:19:01.660-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='realidades'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tecnologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comunicação'/><title type='text'>A cabeça de Steve Jobs</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right; font-style: italic;"&gt;Marcelo Spalding&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Repita-se um clichê: Steve não morreu. Ou melhor, não poderia morrer. O homem que revolucionou o mundo dos computadores pessoais, depois o cinema de animação e finalmente reinventou a forma de toda uma geração de ouvir música, lidar com seu aparelho celular, ler livros, sites, revistas e jornais e navegar na internet não poderia morrer. Ainda que fosse este homem audacioso, ríspido, meticuloso, egoísta, individualista, este homem não poderia morrer. Mas dia 05 de outubro deste ano, com apenas 56 anos, Steve Jobs morreu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O legado de Jobs é imensurável e só será sentido ao longo das próximas décadas. Alguns um tanto exagerados já o compararam a Leonardo da Vinci. Outros nem tão exagerados, a Thomas Edison. O pessoal do design diz que Jobs está para o design assim como Henry Ford esteve para a produção. O fato é que há poucas empresas na história capazes de mobilizar uma multidão tão grande de fiéis – e outra ainda maior de clientes – e muito dessa paixão tinha a ver com o carisma do grande líder falecido neste outubro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, mas esta coluna não é uma homenagem a Jobs nem a retomada de sua biografia, tantas outras assim são escritas quando morre um ídolo (sim, Jobs conseguiu tornar-se ídolo num tempo de Ronaldinhos e Lady Gagas, um ídolo raro para a geração digital). Este texto vai tratar do melhor livro publicado sobre Jobs no Brasil até agora, “A cabeça de Steve Jobs” (Agir, 284p.).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A obra é uma biografia não-autorizada (particularmente sempre desconfio de biografias autorizadas) escrita por um jornalista muito bem informado a respeito da Apple, Leander Kahney, que consegue evitar a louvação a Jobs, retomando algumas críticas e episódios que não estariam numa biografia autorizada, mas também respeitando o tamanho do biografado e sua genialidade sem par no mundo do design e da tecnologia: “Jobs dirige a Apple com uma mistura peculiar de arte intransigente e soberbo talento para negócios. Ele é mais um artista do que um homem de negócios, mas tem a brilhante capacidade de capitalizar sobre suas criações. (…) Jobs pegou seus interesses e os traços de sua personalidade – obsessão, narcicismo, perfeccionismo – e transformou-os nas marcas registradas de sua carreira.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que incomoda no livro é um viés de negócios que poderia ser suprimido pelo bem do texto (não sei se das vendas). Já na capa o subtítulo é “as lições do líder da empresa mais revolucionária do mundo”. E no final de cada capítulo temos um pueril “Lições de Steve”, reduzindo complexos pensamentos em meia dúzia de palavras para serem xerocadas por executivos mal preparados e distribuídas entre os seus funcionários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro ponto fraco do livro, mas aí inerente a uma obra escrita como essa, é que quando Kahney publicou a edição atual o iPhone era apenas uma grande promessa recém lançada e o iPad não existia nem na imaginação do autor (talvez na de Jobs), sendo o fenômeno iPod sua principal referência para louvar o ídolo nesse retorno estrondoso ao mundo da tecnologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jobs, enfim, merece uma biografia mais consistente, que traga mais traços de sua personalidade criativa e menos de seus arroubos gerenciais (assim como merece um bom filme, pelo menos do naipe de “A Rede Social”, pois nem se compara a biografia de Steve com a de Mark). E sem dúvidas muitas serão escritas a partir de agora. Enquanto isso, porém, o trabalho de Leander Kahney permite que os milhões de órfãos aproximem-se de seu ídolo através das páginas do livro, conhecendo-o um pouco melhor. E lamentem, a cada página, que Steve tenha morrido. Há homens que não poderiam morrer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-6322757309709038161?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/6322757309709038161/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2011/10/cabeca-de-steve-jobs.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/6322757309709038161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/6322757309709038161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2011/10/cabeca-de-steve-jobs.html' title='A cabeça de Steve Jobs'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-1512423286173531955</id><published>2011-09-19T06:14:00.000-07:00</published><updated>2011-09-20T11:43:12.650-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficções'/><title type='text'>A revista Veredas e os mil minicontos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Marcelo Spalding&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;  Os leitores que me acompanham há tantos anos aqui no  Digestivo sabem que não gosto de falar de mim, de meus livros, etc, mas me  permitam nesta coluna contar a história da Revista Veredas, um site hoje  dedicado ao miniconto que surgiu no longínquo ano de 1998 e dura até hoje,  sendo uma referência no gênero.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O surgimento remonta ao tempo em que eu ainda estava na  escola, Ensino Médio, e ao lado de um amigo, Rodrigo Link, resolvemos editar  uma revista de literatura para publicar os textos de nossos colegas de escola.  O primeiro texto inédito, feito a quatro mãos, se chamava “100 coisas para  fazer antes que o mundo acabe”, ironizando aquela histeria do fim do mundo na  virada 99/2000. Bem, aquelas primeiras edições eram feitas em HTML no Bloco de  Notas, depois em Front Page com seus inconfundíveis frames, hoje tão  grosseiros.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Daí em diante, terminamos a escola, eu fui fazer Jornalismo,  ele seguiu para a Física, mantive a newsletter primeiro semanal, depois mensal  (um pouco inspirado no sucesso do Cardoso Online), e quando entrei no mestrado  e comecei a estudar o miniconto resolvi mudar a cara da revista, convidando a  querida Ana Mello para ser editora.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Certo, e por que lembrar disso agora? Acontece que nesse mês  de agosto aconteceram dois fatos marcantes para a Veredas e para nós: primeiro,  chegamos a 1000 minicontos publicados, textos dos mais variados autores, das  mais variadas cidades, do Brasil e de Portugal. Todos os textos são enviados  pelos próprios autores e, na grande maioria, são inéditos. Segundo: a revista  Veredas foi parar nas páginas de um livro didático como referência de  minicontos. Sim, foi no “Viva Português”, de Elizabeth Campos, Paula Marques  Cardoso e Sílvia Letícia de Andrade, da Editora Ática.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Episódios como esse são interessante porque evidenciam como,  aos poucos, aquela geração que conheceu fascinada a internet discada e montou  os primeiros sites de cada assunto vai se tornando parte da história (são  pessoas que navegavam no Netscape e faziam buscas no Altavista, participavam de  chats no ZAZ e trocavam mensagem com amigos no ICQ). E como aqueles sites,  antes marginalizados num sistema de comunicação de massa, têm se  institucionalizado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Voltemos ao Veredas de hoje e seus mil minicontos. O  miniconto, como se sabe, é um gênero que encontrou grande aceitação na  internet, onde tudo é muito rápido e as pessoas não têm tempo (ou paciência)  para ler textos longos. Muitos perguntam qual o limite de tamanho do miniconto,  mas prefiro não falar em limites, e sim pensar na necessidade do texto: se um  texto pode ser completo e ainda causar um efeito no leitor com dez linhas, duas  linhas, duas palavras, ótimo! Senão, sem problemas, vá adiante e faça um conto,  o importante é não forçar, cortar, espremer uma história em determinado número  de linhas apenas por questões formais.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Entre os mínis do Veredas há alguns bem curtos, como um dos  destacados pelo livro:&lt;/p&gt;&lt;dir&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;NÃO FICAREI SOZINHA&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;, de Eduardo Oliveira Freire&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;  A boneca escondeu-se na mala onde  estava guardado o enxoval de casamento da amiga.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;CLIMA&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;, de Tamara Rosa&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;  Ela chuva, ele sol.&lt;/p&gt;&lt;/dir&gt;&lt;p&gt;Este último, aliás, foi produzido por uma aluna da escola  Ruben Darío, de Sapucaia do Sul, o que nos deixa muito satisfeito, pois além de  editar a Revista, a Ana Mello e eu (além da Laís Chaffe) participamos de diversas  oficinas de minicontos, inclusive uma inesquecível no SESC Copacabana (Rio de  Janeiro) de onde saiu essa pérola:&lt;/p&gt;&lt;dir&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;DEPOIS&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;, de Fábia Schnoor&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;  Gostava que mexessem em seus  cabelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrava que estava vivo e de como a infância e o câncer tinham ficado para  trás.&lt;/p&gt;&lt;/dir&gt;&lt;p&gt;Gosto muito desses mínis curtos, certeiros. Cortázar dizia  que enquanto o romance vence por pontos, o conto vence por nocaute. Pois o  miniconto deve vencer por nocaute no primeiro soco do primeiro &lt;em&gt;round&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;&lt;dir&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;CONSOLO&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;, de Valesca de Assis&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Às vezes a mãe fica nervosa e me  põe de castigo e me chama de menino malvado. Então, antes de chorar, tiro do  bolso um papelzinho onde ela limpou o batom e beijo o beijo dela.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;ALÍVIO&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;, de Marli Fiorentin&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;  Ana acordou num sobressalto de  madrugada. Ainda meio adormecida, custou a entender, em meio a vozes alteradas  e choros: "Pedro morreu". Escorregou devagar para baixo das cobertas.  Imóvel, respiração presa, temia ouvir que tinha sido engano. Era bom demais  para ser verdade.&lt;/p&gt;&lt;/dir&gt;&lt;p&gt;Esse primeiro soco pode demorar um pouco mais, exigir alguma  atenção para fisgar o leitor, até porque fazer rir é mais fácil do que  emocionar. Vejamos esse exemplo de Leonardo Brasiliense, um premiado  minicontista e frequente colaborar da Veredas:&lt;/p&gt;&lt;dir&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;SOLIDARIEDADE&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;, de Leonardo Brasiliense&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;  Numa esquina da avenida mais  movimentada, às sete da noite, o sinal fica verde, entretanto a carroça do  papeleiro não se mexe. Os motoristas começam a buzinar. O papeleiro agita as  rédeas, faz um som esquisito com a boca, e nada adianta. O cavalo empacou. Os  motoristas, já numa fila de incontáveis faróis e buzinas, com o que lhes resta  de forças depois de mais um dia cansativo e estressante em seus escritórios e  repartições, gritam, xingam, amaldiçoam. O papeleiro, por sua vez, com o que  lhe resta de fôlego depois de mais um dia de sol pelas ruas da cidade, os  braços fracos de abrir lixeiras desde as seis da manhã, desce da carroça  empunhando um cabo de vassoura e grita, bate, espanca. E o cavalo, com o que  lhe resta de si depois de mais um dia que ele nem sabe que passou, com a fome  de hoje somada à de ontem e anteontem que o deixam lerdo e confuso, ajoelha-se,  de olhos fechados, como quem reza para morrer.&lt;/p&gt;&lt;/dir&gt;&lt;p&gt;Ou este, de Wilson Gorj, outro contumaz escritor de  minicontos, colaborador do Veredas e autor de diversos livros:&lt;/p&gt;&lt;dir&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;INFLÁVEL&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;, de Wilson Gorj&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;  Só transava com prostitutas. Na  milésima transa, algo espantoso aconteceu. De repente, sentiu o corpo esfriar,  mas de tal maneira que sua parceira acreditou tê-lo matado de prazer. O homem  não se mexia mais: boca e olhos abertos para o nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabara de sofrer uma  transmutação. Sua pele mudara de textura. Parecia borracha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No lugar de músculos, apenas ar.&lt;/p&gt;&lt;/dir&gt;&lt;p&gt;A relação com a poesia também está sempre presente, seja  pela forma, seja pela subjetividade. Mas o miniconto, diferente do poema curto,  requer uma narrativa, uma sucessividade e, acima de tudo, deve causar um efeito  no leitor.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;dir&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;OLHAR ANIMAL&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;, de Luiz Eduardo Amaro&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;  Observou-a com olhos de lobo.&lt;br /&gt;Aproximou-se com olhos de lince.&lt;br /&gt;Atacou-a com olhos de águia.&lt;br /&gt;Suplicou-lhe com olhos de poodle.&lt;br /&gt;Retirou-se com olhos de burro.&lt;br /&gt;Ela nunca assistia ao Animal Planet.&lt;/p&gt;&lt;/dir&gt;&lt;p&gt;Evidentemente nem todos os mil e tantos minicontos da  Veredas figurariam numa edição em livro, digamos assim, da própria revista. Mas  talvez esse seja outro mérito da internet, a diversidade: há estilos, formas e  conteúdos dos mais variados. O editor de uma revista web não é como o editor de  um livro: o editor de um livro seleciona poucos entre muitos, enquanto o editor  web filtra muitos entre muitos, ampliando e incentivando a participação do  leitor, mas garantindo credibilidade para a revista que edita.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enfim, escrevo este texto e repito aqui o endereço da  Veredas não para pedir mais leitores, mas para pedir que você envie seu texto  para nós e ajude a formar esse mosaico minimalista e plural: &lt;a href="http://www.veredas.art.br/"&gt;www.veredas.art.br&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-1512423286173531955?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/1512423286173531955/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2011/09/revista-veredas-e-os-mil-minicontos.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/1512423286173531955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/1512423286173531955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2011/09/revista-veredas-e-os-mil-minicontos.html' title='A revista Veredas e os mil minicontos'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-9020744321292530878</id><published>2011-08-28T19:34:00.000-07:00</published><updated>2011-08-28T19:39:04.569-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='educação'/><title type='text'>Trabalho de Alunos</title><content type='html'>Olhem que legal o trabalho da professora Ana Rute Paz com os meus livros. Irei visitar a escola em que ela trabalha pelo Programa Autor Presente, do Instituto Estadual do Livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://linguagensriachuelo.blogspot.com/2011/08/projeto-autor-presente-2011.html" target="_blank"&gt;http://linguagensriachuelo.blogspot.com/2011/08/projeto-autor-presente-2011.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-9020744321292530878?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/9020744321292530878/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2011/08/trabalho-de-alunos.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/9020744321292530878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/9020744321292530878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2011/08/trabalho-de-alunos.html' title='Trabalho de Alunos'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-8343203828719776374</id><published>2011-07-27T08:34:00.000-07:00</published><updated>2011-07-27T08:35:36.282-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><title type='text'>A História de Alice no País das Maravilhas</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Marcelo Spalding&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esses dias estava perambulando pela Livraria Saraiva, aqui  em Porto Alegre, quando encontrei o belo livro &lt;em&gt;Contos que a Vovó Lê Pra Mim&lt;/em&gt;, da Disney. O livro, de 2009, tem 320  páginas e custa R$ 59,00. A edição tem as bordas douradas e traz na capa  inconfundíveis personagens ilustrados no traço da Disney, como Dumbo, Pequena  Sereia, Nemo e Bambi. Abri o exemplar e, primeiro, me surpreendi com a mistura  de histórias, pois temos desde clássicos como Branca de Neve até histórias  contemporâneas como Rei Leão e Toy Story. Até aí, tudo bem, sinal dos tempos. O  que me surpreendeu e provocou esta resenha foi chegar na página de &lt;em&gt;Alice no País das Maravilhas&lt;/em&gt; e perceber  que não havia nenhuma referência ao nome de Carroll, o autor do livro! Procurei  nas páginas iniciais, nas finais, no rodapé, mas nada, &lt;em&gt;Alice no País das Maravilhas &lt;/em&gt;estava ali incorporado como um conto  clássico, sem autoria, apenas a menção do nome de quem o adaptou.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Curioso, fui até a seção de livros infantis e reparei que há  outros casos em que o livro &lt;em&gt;Alice no País  das Maravilhas &lt;/em&gt;não traz referência ao autor, como na Coleção “Livros  Sonoros de Contos Clássicos”, da Editora Ciranda Cultural. Aqui a história de  Carroll é reduzida a seis páginas, com ilustrações de tela inteira e o texto,  em caixa alta, resumido em um parágrafo. O grande diferencial é que o “leitor”,  clicando em botões na lateral do livro, poderá ouvir a narração da história.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sei que Barthes já escreveu sobre a morte do autor em meados  do século passado, que muito se tem discutido sobre Creative Commons nessa era  digital, mas a mim pareceu que omitir a autoria de um romance como &lt;em&gt;Alice&lt;/em&gt; é criminoso, algo como adaptar &lt;em&gt;Hamlet&lt;/em&gt; sem citar Shakespeare (ainda que  haja dúvidas sobre a existência real de Shakespeare) ou adaptar Dom Quixote sem  mencionar Cervantes. Não são edições amadoras, são edições de grandes grupos  editoriais vendidas em uma mega-livraria com ação em Bolsa de Valores, e ainda  que a omissão da autoria original esteja protegida pela lei, já que o texto  caiu em domínio público, atribuo esse descaso ao fato de tratar-se de  literatura infanto-juvenil, pois desafio alguém a encontrar edição de &lt;em&gt;Hamlet&lt;/em&gt; sem menção a Shakespeare e de &lt;em&gt;Quixote&lt;/em&gt; sem o nome de Cervantes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Alice no País das  Maravilhas&lt;/em&gt; (em inglês, &lt;em&gt;Alice's  Adventures in Wonderland&lt;/em&gt;, frequentemente abreviado para &lt;em&gt;Alice in Wonderland&lt;/em&gt;) foi publicado em 4  de julho de 1865 por Lewis Carroll, pseudônimo de Charles Lutwidge Dodgson, com  ilustrações de John Tenniel. Carroll, segundo o polêmico e exigente crítico  norte-americano Harold Bloom, foi o grande mestre da literatura fantástica (ou  de fantasia). &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A estória (como diria Guimarães Rosa) surgiu em 1962, num  passeio de barco pelo rio Tâmisa, quando Charles Dodgson a conta de improviso  para entreter as irmãs Lorina, Edith e Alice Liddell. Dois anos mais tarde, Dodgson  presenteia Alice com o manuscrito &lt;em&gt;Alice  Debaixo da Terra&lt;/em&gt; (em inglês, &lt;em&gt;Alice  Adventures Under Ground&lt;/em&gt;), manuscrito que continha 37 ilustrações feitas  pelo próprio autor.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Anos mais tarde, em 1886, este manuscrito seria publicado e hoje  está disponível na internet em &lt;a href="http://www.gutenberg.org/files/19002/19002-h/19002-h.htm" target="_blank"&gt;http://www.gutenberg.org/files/19002/19002-h/19002-h.htm&lt;/a&gt;.  A edição é primorosa, pois revela todo o trabalho manual de redação e  ilustração das páginas. Ao final, há uma fotografia da menina Alice Liddell e  um posfacio de Charles Dodgson em que diz jamais ter pensado na publicação do  livro quando o escreveu, mas que o incentivo dos amigos para publicá-lo foi de  grande valia, em especial pela alegria que o livro leva às crianças, mesmo que  doentes. Ele reproduz, inclusive, uma carta que inicia assim: “Gostaria que  você enviasse uma felicitação de Páscoa para uma criança muito querida que está  morrendo em nossa casa. Ela está enfraquecendo, e &lt;em&gt;Alice&lt;/em&gt; iluminou algumas das desgastantes horas de sua doença. Sei  que sua carta seria um deleite para ela, especialmente se você escrever  ‘Minnie’ no cabeçalho”.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para a publicação do livro, em 1865, Dodgson ampliou a  história de seu manuscrito, mudou o título para o que hoje conhecemos e trocou  seus desenhos pelas 42 ilustrações enviadas por John Tenniel. O trabalho  completo pode ser acessado em &lt;a href="http://ebooks.adelaide.edu.au/c/carroll/lewis/alice/" target="_blank"&gt;http://ebooks.adelaide.edu.au/c/carroll/lewis/alice/&lt;/a&gt; num &lt;em&gt;e-book&lt;/em&gt; produzido pela  Universidade de Adelaide. Anos mais tarde, em 1871, Dodgson publica, novamente  sob o pseudônimo de Carroll, &lt;em&gt;Alice  Através do Espelho e o que encontrou por lá&lt;/em&gt; (em inglês, &lt;em&gt;Through the Looking-Glass and What Alice  Found There&lt;/em&gt;). &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Consta que &lt;em&gt;Alice no País  das Maravilhas&lt;/em&gt; tornou-se mais popular apenas depois do lançamento de sua  continuação, que teria vendido mais que o primeiro, mas chama atenção a rapidez  com que o livro foi traduzido pela Europa: em 1869 foram lançadas traduções em  alemão e francês; em 1870, em sueco; em 1872, em italiano. No Brasil, a  primeira tradução é de Monteiro Lobato, publicada em 1938. O prefácio de Lobato  para a edição, aliás, é muito curioso: “(…) Ficou famoso o livro entre os povos  de língua inglesa. Foi traduzido por toda a parte. Seu autor imortalizou-se.  Hoje aparecem em português. Traduzir é sempre difícil. Traduzir uma obra como a  de Lewis Carrol, mais que difícil, é dificílimo. Trata-se do sonho duma menina  travessa – sonho em inglês, de coisas inglesas, com palavras, referências,  citações, alusões, versos, humorismo, trocadilhos, tudo inglês, – isto é,  especial, feito exclusivamente para a mentalidade dos inglesinhos”.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dodgson ainda publicaria, em 1890, &lt;em&gt;The Nursery "Alice"&lt;/em&gt;, uma adaptação feita por ele próprio com  vinte das ilustrações originais de Tenniel, coloridas e ampliadas, e uma nova  capa ilustrada por E. Gertrude Thomson. No prefácio dirigido a “qualquer mãe”,  Dodgson afirma ter razões para acreditar que &lt;em&gt;“Alice no País das Maravilhas&lt;/em&gt; tem sido lido por centenas de  crianças inglesas, entre cinco e quinze, também por crianças entre quinze e  vinte e cinco, e ainda por crianças entre vinte e cinco e trinta e cinto (…)  Minha ambição agora é ser lido por crianças de zero a cinco”. A edição está  disponível na web em &lt;a href="http://www.aliang.net/literature/the_nursery_alice/" target="_blank"&gt;http://www.aliang.net/literature/the_nursery_alice/&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em 1898, aos 65 anos, Charles Lutwidge Dodgson, ou  simplesmente Lewis Carroll, morre na casa de sua irmã, em Londres.  Provavelmente sem imaginar que cinco anos depois seria produzido o primeiro  filme baseado em &lt;em&gt;Alice&lt;/em&gt;, que cinquenta  anos depois seria lançada a primeira animação de Alice, que dois anos depois  uma empresa que sequer existia quando do seu falecimento, a Disney, levaria a  história para todos os lares, que mais de cem anos após sua morte um grande  diretor de Hollywood faria uma versão em 3D de sua história e que centenas de  adaptações e versões seriam escritas e publicadas, algumas sequer mencionando  seu nome.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Marcelo Spalding&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-8343203828719776374?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/8343203828719776374/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2011/07/historia-de-alice-no-pais-das.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/8343203828719776374'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/8343203828719776374'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2011/07/historia-de-alice-no-pais-das.html' title='A História de Alice no País das Maravilhas'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-2408311961047860652</id><published>2011-07-19T07:24:00.000-07:00</published><updated>2011-07-19T07:25:23.153-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='educação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='realidades'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='língua portuguesa'/><title type='text'>Yes, nós queremos preservar a língua portuguesa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Marcelo Spalding&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Salutar a preocupação do deputado Raul Carrion em “proteger o nosso idioma”, segundo suas próprias palavras. Realmente nosso idioma precisa de proteção, mas não contra os estrangeirismos, inerentes a qualquer cultura, e sim ao mau uso e ao parco entendimento que a população média tem dele, fruto de uma educação falha em todos os níveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ensino básico, minha sobrinha formou-se ano passado em uma Escola Estadual de Porto Alegre e em pleno último ano de ensino a disciplina de Língua Portuguesa passou de seis para quatro períodos semanais, pois era preciso acomodar dois períodos de língua espanhola, que se somavam aos dois períodos de língua inglesa. Ou seja, às vésperas do vestibular, a escola subtraiu um terço da quantidade de aulas de língua portuguesa, igualando seu espaço ao ensino de língua estrangeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Ensino Superior, um aluno da UFRGS se forma em Jornalismo, História, Enfermagem e tantos outros cursos sem a necessidade de frequentar uma única disciplina obrigatória de Língua Portuguesa ou Produção Textual, algo que se repete de forma vergonhosa em diversas instituições particulares. Como a língua é fundamental para o crescimento pessoal e profissional de qualquer cidadão, tal descaso promove uma enorme procura por palestras, grupos e cursinhos de língua portuguesa, ampliando sobremaneira o fosso entre os que podem estudar e os que precisam estudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma, poderia o deputado Carrion voltar à tribuna e exigir um ensino da língua portuguesa de qualidade nas escolas estaduais e nas universidades públicas. Poderia, também, propor a criação de cursos de interpretação e redação de textos, patrocinados pela Assembleia. Poderia, ainda, investir na qualificação dos docentes, insistir pelo pagamento do piso aos professores. Poderia, enfim, lutar pela preservação do idioma onde ele é mais necessário: no dia a dia de seus falantes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-2408311961047860652?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/2408311961047860652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2011/07/yes-nos-queremos-preservar-lingua.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/2408311961047860652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/2408311961047860652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2011/07/yes-nos-queremos-preservar-lingua.html' title='Yes, nós queremos preservar a língua portuguesa'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-3206839709002986541</id><published>2011-07-19T07:23:00.000-07:00</published><updated>2011-07-19T07:24:04.677-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='educação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='realidades'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='língua portuguesa'/><title type='text'>O certo e o errado no ensino da Língua Portuguesa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Marcelo Spalding&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Chegou aos noticiários nacionais o dilema de cada professor de língua portuguesa: diante das novas teorias linguísticas e, em especial, da sociolinguistica, como lidar com variações como “nós pega” ou “os carro” em sala de aula? Simplesmente apontar o erro seria reforçar o que tem se chamado de preconceito linguístico, mas deixar de fazê-lo poderia colocar a disciplina num limbo perigoso onde o vale-tudo acaba com a especificidade da disciplina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tema ganhou relevância graças à polêmica provocada pelo livro Por uma Vida Melhor, da Coleção Viver, Aprender – adotado pelo Ministério da Educação (MEC) e distribuído pelo Programa Nacional do Livro Didático para a Educação de Jovens e Adultos (PNLD-EJA) a 484.195 alunos de 4.236 escolas. Confira um trecho do livro, publicado pela Editora Global:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você pode estar se perguntando: ‘Mas eu posso falar ‘os livro’?’ Claro que pode. Mas fique atento, porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico (…) Muita gente diz o que se deve e o que não se deve falar e escrever, tomando as regras estabelecidas para a norma culta como padrão de correção de todas as formas linguísticas.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Professores respeitados, como Claudio Moreno, foram enfáticos na defesa do ensino do português chamado padrão, reafirmando que o papel da escola é ensinar o futuro cidadão a se utilizar da língua escrita culta, “cujas potencialidades espantosas aparecem na obra de nossos grandes autores”. Para Moreno, “os lingüistas sabem que nosso idioma é muito mais amplo do que a língua escrita culta que é ensinada na escola — mas a escola sabe, mais que os lingüistas, que essa é a língua que ela deve ensinar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, lingüistas de consistente formação acadêmica, como Pedro Garcez, reiteraram que não é uma questão de certo e errado, mas de adequação: “de certa forma, todos nós brasileiros produzimos frases com falta de concordância. Isso do nosso ponto de vista não é erro, é a linguagem natural. Esse é o português brasileiro.”, afirma o professor da UFRGS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que a questão é mais profunda do que esses exemplos um tanto grosseiros pegos pela mídia, pois outras tantas construções corriqueiras são erradas do ponto de vista gramatical, mas continuam sendo repetidas por pessoas das mais variadas classes sociais e pela própria mídia. Exemplos? “Tu vai”, “duzentas gramas”, “Houveram momentos”, “Me empresta”, “Ele trouxe para mim ver”, “Assisti o show”, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo o que está em jogo é a entrada de novos atores sociais no dia a dia da língua portuguesa, com suas influências e estilos. O paulistano usa “então” no começo de cada frase, um vício de linguagem horrível, mas nem por isso se discrimina o paulistano ou, por outro lado, se usa isso em filmes, novelas e livros didáticos. Mesma coisa o “r” carregado dos cariocas ou o “tu vai” dos gaúchos. Essas são as variações geográficas, por isso não causam tanto furor como as variações sociais, marcas linguísticas de classes ou grupos sociais específicos. Essa variação pode ser de interpretação, léxico, sintaxe e até ortografia (como os sempre criticados “vc” ou “tb” da Era Digital).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o professor, em sala de aula, faz o quê? Uma das formas de lidar com o problema sem encara-ló de frente tem sido concentrar o trabalho com a Língua Portuguesa em textos, evitando a normatização da gramática e da ortografia. Mas será que, afora os exageros, não é importante que os jovens tenham um conhecimento técnico de sua língua, e não apenas intuitivo, para melhor interpretação, correção, clareza e variação na leitura e na produção textual? Não será importante, especialmente aos futuros profissionais da língua, como comunicadores, advogados, professores de todas as áreas, cientistas sociais, etc, saber onde se utiliza ou não o “a” craseado, a vírgula, a preposição antes do “que”? E não é importante que, para isso, eles saibam pelo menos o que é um sujeito, um verbo, um objeto, um adjunto adverbial? Um adjetivo, um advérbio, um substantivo, um pronome, uma preposição?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode parecer espantoso, mas nem sempre eles sabem. Não com facilidade. Vejamos um exemplo bem prático do meu dia a dia em sala de aula, a frase "A expansão desenfreada da cidade é uma grande ameaça para seu desenvolvimento". Para muitos, o verbo é "expansão", o que pode causar grande confusão na hora de concordar o verbo com o sujeito e faria com que muitos escrevessem essa frase com “Há” ou “À” no lugar do “A”. Adiante, poucos percebem que “seu” é um pronome que retoma “a cidade”, ainda que um esteja no masculino e o outro no feminino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que o mais importante não é a gramatiquice, é que nosso cidadão saiba expressar-se com coerência, coesão e, mais ainda, tenha postura crítica e ideias originais. Também é importante, entretanto, que não sejam sonegadas desse cidadão as regras sociais, incluindo aí o português padrão, pois ali adiante esse desconhecimento pode acabar excluindo, ou, pelo menos, subvalorizando pessoas de alta capacidade e que lutaram muito para reescrever seus destinos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O papel da escola, enfim, é apresentar e ensinar ao aluno a variante “culta” da língua: aprender ou não, interessar-se ou não por ela, é um direito do aluno, mas se ele precisar dessa variante e não conhecê-la por omissão da escola teremos praticado, sem exagero, um crime. Dos grave.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-3206839709002986541?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/3206839709002986541/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2011/07/o-certo-e-o-errado-no-ensino-da-lingua.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/3206839709002986541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/3206839709002986541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2011/07/o-certo-e-o-errado-no-ensino-da-lingua.html' title='O certo e o errado no ensino da Língua Portuguesa'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-6148339293762826663</id><published>2011-01-10T09:46:00.000-08:00</published><updated>2011-01-10T09:48:25.795-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficções'/><title type='text'>O Olho da Fechadura, de Ângela Schnoor</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Marcelo Spalding&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="left"&gt;Algumas pessoas sentem falta de quando eu indicava bons  livros de minicontos, num tempo em que tanto se fala e tanto se publica minicontos:  pois nesse verão li “O &lt;a href="http://www.editoramultifoco.com.br/literatura-loja-detalhe.php?idLivro=&amp;amp;idProduto=337" target="_blank"&gt;Olho da Fechadura&lt;/a&gt;”,  de Ângela Schnoor, e eis um livro que eu recomendo a leitura.&lt;/p&gt;&lt;p align="left"&gt;Não é necessariamente uma leitura de verão, pois as dezenas  de minicontos de Ângela aparentam simplicidade na forma para exigir muito do  leitor no seu subtexto, além de trazer temas reflexivos e existenciais. Impressiona,  nesse sentido, a profundidade dos mínis:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Sua escolha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;&lt;em&gt;Na  mesa de cirurgia, seu coração parou. Viu-se ante três portas e sabia que devia  escolher seu caminho. Uma lhe pareceu fria e escura e, de imediato, a rejeitou.  A seguinte, reta e sem apelo, não despertou interesse. Entrou na que lhe  pareceu bem-acabada e agradável e, imediatamente, ouviu:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;em&gt;-  Bem-vindo ao inferno. E, neste exato minuto, em meio ao bip-bip dos aparelhos,  o médico dizia: - Conseguimos ressucitá-lo! (p. 41)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="left"&gt;Tal profundidade parece contraditória num gênero tido como leve,  tão próximo a piada ou ao sarcasmo, e é por desafiar esse lugar comum que Ângela  consegue produzir uma quantidade tão grande de bons minicontos neste “O olho da  fechadura”. Sua formação em psicologia,  suas conversas de consultório e, especialmente, sua longa trajetória de  leituras tornam a autora madura e capaz de dialogar em poucas linhas com  seu tempo e com a literatura de todos os tempos:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Peter Pan&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;&lt;em&gt;Desde  que Sininho desapareceu com seu pó, Peter não voa mais. Casou-se com Wendy,  almoça aos domingos em casa da sogra e se empanturra de cerveja para esquercer  que mora na Terra do Sempre, onde meninos perdidos morrem de fome. (p. 42)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;Em nosso tempo há a família e  seus conflitos, a violência e suas barbáries (presença quase obrigatória num  livro de uma carioca), mas também há o espaço para a crítica social fina como  neste singelo miniconto fantástico  &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Céu e Terra&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;&lt;em&gt;Tornou-se  mendigo. Abrigava-se nos vãos do aeroporto, mas cuidava da aparência.  Diariamente, percorria os salões levando um carrinho com suas bagagens  imaginárias. No ir e vir dos voos, ia a todos os lugares do mundo. Ajudando  turistas, aprendeu idiomas. Não mais voou. Um emprego lhe partiu as asas. (p.  13)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;Para terminar, outro tema  recorrente nos mínis é a doença, a morte, a velhice, o tempo ou suas variações,  mas em geral não tratadas com a frieza niilista de um Trevisan, e sim arejadas  com uma pitada de poesia capaz de fazer o texto transcender a mísera história  que conta.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Frestas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;&lt;em&gt;Ao  acordar a filha pela manhã, Lúcia encontrou todas as bonecas da menina sem  cabelos. Quando, na noite anterior, tirou a peruca diante do espelho e chorou  copiosamente, não se imaginava descoberta. (p. 39)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-6148339293762826663?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/6148339293762826663/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2011/01/o-olho-da-fechadura-de-angela-schnoor.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/6148339293762826663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/6148339293762826663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2011/01/o-olho-da-fechadura-de-angela-schnoor.html' title='O Olho da Fechadura, de Ângela Schnoor'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-9193785201468868234</id><published>2010-12-20T05:29:00.000-08:00</published><updated>2010-12-20T05:31:41.832-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='realidades'/><title type='text'>QUERIDA MÃE, QUERIDO PAI</title><content type='html'>Bela crônica escrita por Celia Maria Maciel sobre o Guilherme, nosso bebê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Meus braços antigos acolhem Guilherme. Ele é um prêmio amoroso. Movimenta pés e as mãos feito um nadador profissional na raia dos cinco meses de vida. Parece estar ainda no rio do útero materno. E sorri feito um velho conhecido.  E é novo. Não para. Está sempre indo. E não é a vida esta raia que demarca só a ida?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O pai de Guilherme escolheu a mim, para acolhê-lo. E foi com a ternura do mundo que eu o fiz. Um bebê que me faz recordar de outro bebê, bem assim como Guilherme. Só que era uma menina. A tez era clara e tinha o mesmo ritmo. É a mesma que embalo nos braços dos meus dias. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Relaciono tudo isso, com o fato de chegar ao final de ano com muita coisa boa na bagagem. Guilherme foi uma surpresa, porque gosto muito do pai dele, o Marcelo Spalding, amigo e escritor de livros infanto-juvenis e de contos. Quem sabe um dia, eu pudesse levá-lo a Cachoeira, não fosse o fato melancólico de Cachoeira não ter praças e nem espaço para a Feira do Livro. Não há lugar ao ar livre, num dia ameno de sol, que se possa sentar e conversar. E que as crianças possam brincar. Não acredito mais que um dia eu volte a caminhar por entre flores, na cidade onde nasci. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas voltando aos saldos. Foi um ano de muita leitura. De Martina, João Guilherme e Lázaro. De Manuela e Bianca. De amizades. As perenes. No mais, penso que nestes últimos dias de dezembro, deve haver muita frugalidade nas festas. Que uma mesa de comilança e todos os excessos, enquanto criaturas morrem de fome e de aridez na alma é, no mínimo, perverso. E perversidade é o que mais aniquila crianças no mundo inteiro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E como pano de fundo a voz da Cesária Évora, que o Cristiano Bernardes, numa atitude gentil e cabo-verdiana, me presenteou. De mais não careço. Como uma crônica é sempre uma carta à cidade, apesar de não ir a Cachoeira pelo Natal, deixo um recado através de cantiga singela, de um grupo de Lisboa: “Querida mãe, querido pai. Então que tal?/ Nós andamos do jeito que Deus quer/ Entre os dias que passam menos mal/ Lá vem um que nos dá mais que fazer”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Celia Maria Maciel&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-9193785201468868234?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/9193785201468868234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2010/12/querida-mae-querido-pai.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/9193785201468868234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/9193785201468868234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2010/12/querida-mae-querido-pai.html' title='QUERIDA MÃE, QUERIDO PAI'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-8379321536244978955</id><published>2010-12-17T08:00:00.000-08:00</published><updated>2010-12-17T08:01:02.788-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='educação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='realidades'/><title type='text'>Brasil, o país do futebol? Só se for pelo 'joystick'</title><content type='html'>Mais jovens estão trocando a prática de esportes pelos jogos de videogame, diz pesquisa. E o Brasil tem os piores índices!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‘Não gosto de praticar esportes, prefiro jogar no videogame’. A confissão do pequeno Vincenzo Lima, 6 anos, feita entre um lance e outro de uma partida de futebol virtual, reflete realidade diagnosticada pelo Instituto de Pesquisa Sulamericano Kiddos, a pedido do canal de TV por assinatura Nickelodeon, em 7 países da América Latina: crianças e adolescentes estão praticando menos atividades físicas e virando ‘cyberesportistas’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dado preocupa autoridades, pais e educadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rio é a 2ª capital no ranking da obesidade entre estudantes, segundo dados do IBGE de 2009, que apontam 8,9% dos alunos cariocas como obesos, atrás apenas dos de Porto Alegre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Passei a controlar o tempo do videogame. Antes das férias, só deixava ele jogar sextas, sábados e domingos. Agora, estou mais flexível”, diz a mãe Marianne Lima, 31, que matriculou o filho em várias atividades físicas, sem sucesso. No próximo ano, Vincenzo estudará num colégio com referência esportiva. “Espero despertar interesse nele, já que nem playground funciona”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A regularidade de exercícios físicos é uma necessidade primordial para o desenvolvimento saudável das crianças e uma base para melhorar a aprendizagem nas demais disciplinas”, opina a secretária municipal de Educação do Rio, Claudia Costin, lembrando convênios firmados com clubes e vilas olímpicas para oferecer atividades esportivas a alunos de escolas sem quadras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fonte: O Dia (RJ)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-8379321536244978955?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/8379321536244978955/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2010/12/brasil-o-pais-do-futebol-so-se-for-pelo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/8379321536244978955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/8379321536244978955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2010/12/brasil-o-pais-do-futebol-so-se-for-pelo.html' title='Brasil, o país do futebol? Só se for pelo &apos;joystick&apos;'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-8887111184034914383</id><published>2010-11-22T02:49:00.000-08:00</published><updated>2010-11-22T02:50:51.628-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficções'/><title type='text'>Quando o autor é protagonista do próprio romance: Verão, de Coetzee</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Marcelo Spalding&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O romance, gênero de tanta tradição e tão popular no século  anterior ao rádio e a TV, está mudado, muito mudado. Hoje, romances manejados  pelas mãos de hábeis e treinados escritores não se revelam assim tão lineares,  tão fáceis: como na leitura do conto, é preciso penetrar no subtexto, encaixar  peças, buscar o efeito mais do que a narrativa, o ritmo poético mais do que o  enredo. &lt;em&gt;Leite Derramado&lt;/em&gt;, o mais  recente de Chico Buarque, é um exemplo. &lt;em&gt;Lavoura  Arcaica&lt;/em&gt;, um clássico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Diante dessa mudança de estrutura, muitos leitores médios  acabam se afastando do romance “literário” e buscam os livros de não-ficção,  como biografias, grandes reportagens ou reconstituições históricas. Por sua  vez, e talvez exatamente por causa disso, muitos escritores começaram a fazer  romances com feitio de biografia, de não-ficção, embaralhando as cartas no jogo  da literatura e apimentando sobremaneira a distinção entre os gêneros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Aqui no Brasil temos bons exemplos, de &lt;em&gt;Por que sou gorda, mamãe?&lt;/em&gt;, de Cíntia Moscovich, a &lt;em&gt;O filho eterno&lt;/em&gt;, de Cristóvão Tezza, mas  um romance em especial pode sintetizar bem essa metamorfose sofrida pelo gênero:&lt;em&gt; Verão&lt;/em&gt;, do sul-africano J. M. Coetzee  (Companhia das Letras, 2010, 276 p.).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Chamo &lt;em&gt;Verão&lt;/em&gt; de  romance sem constrangimento, ainda que a obra se utilize de recursos estéticos  da biografia, da entrevista e do diário para contar a vida de Coetzee nos anos  70, antes da sua afirmação como escritor e professor universitário. Aqui o  Coetzee autor é convertido num personagem, inclusive já falecido no momento da  história. A narrativa, composta por depoimentos de cinco pessoas que conviveram  com o personagem, além de seus cadernos de anotação, traça um perfil errático,  desinteressante e opaco de Coetzee, diferentemente do que costuma acontecer nas  auto-biografias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “Eu nunca tinha visto nada mais triste do que aqueles dois  holandeses, pai e filho [Coetzee], sentados juntos, lado a lado, debaixo de uma  árvore, tentando fingir que não estavam molhados e com frio. Uma coisa triste e  engraçada também. (…) Ele é um homem fraco.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Esse trecho do depoimento de Adriana, uma bailarina por quem  Coetzee teria tido uma paixão não correspondida, revela o tom das opiniões  emitidas sobre o protagonista, batizado com o mesmo nome do autor, o que amplia  o mistério sobre sua figura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Há alguns pontos a considerar, entretanto. Não podemos  esquecer, em primeiro lugar, que os depoimentos (fictícios) são todos de  pessoas/personagens que conviveram com o autor/personagem naquele período, não  amigos íntimos nem familiares, e sim pessoas que passaram pela vida de um  Coetzee iniciante, desajustado em seu país e seu tempo (o país é o do &lt;em&gt;apartheid&lt;/em&gt;; o tempo, o da Guerra do  Vietnã). Assim, a visão particularizada em Coetzee pode ocultar uma visão de  conjunto da sociedade para com o escritor, o artista, o intelectual:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “John e seus poemas de novo! Ela não consegue evitar e rola  de rir. John sentado na varanda daquela casinha desolada, inventando poemas!”.  Adiante, provocado pela prima Margot a escrever um &lt;em&gt;best-seller&lt;/em&gt; e ganhar um monte de dinheiro, ele responde: “Eu não saberia  escrever um best-seller, não conheço o suficiente das pessoas e de suas  fantasias”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A opção por fazer de uma auto-crítica mordaz o centro da  narrativa ainda permite que o romance traga à tona diversos dilemas históricos  e sociais, muitos ainda em aberto, sem converter-se com isso num texto  panfletário. Há crítica ao &lt;em&gt;apartheid&lt;/em&gt; e suas implicações no dia-a-dia, ao serviço social e de saúde do país, à  postura americana na guerra do Vietnã, às ditaduras africanas e sua violência e  até ao período ditatorial brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “Meu marido tinha essa qualidade”, dirá Adriana ao comparar  seu falecido marido à Coetzee, “sempre teve, mas o tempo que passou na prisão  aqui no Brasil, sob o poder dos militares, fez aflorar isso, muito embora ele  não tenha ficado muito tempo na prisão, só seis meses. Depois desses seis  meses, ele dizia, nada que seres humanos fizessem para outros seres humanos  seria surpresa para ele”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tais depoimentos, no romance, são recolhidos por um biógrafo  que tenta recompor a vida de Coetzee nesse período. E  o próprio biógrafo, na conversa com uma  colega de universidade, ao ser questionado sobre seu discutível método de  trabalho, diz: “Madame Denoël, examinei as cartas e os diários. Não dá para  confiar no que Coetzee escreve, não como registro factual – não porque ele  fosse mentiroso, mas porque ele era um ficcionista. Nas cartas, ele inventa uma  ficção de si mesmo para seus correspondentes; nos diários ele faz a mesma coisa  para os próprios olhos, ou talvez, ou talvez para a posteridade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ocorre que pouco importa, na verdade, o quão aquele Coetzee  ali retratato é autor ou personagem, o quanto há de verdade. Na literatura,  muito mais importante que a verdade ou a realidade é a verossimilhança, e há de  fato uma verossimilhança latente em cada cena, em cada diálogo, em cada frase.  Agora, se um leitor &lt;em&gt;voyeur&lt;/em&gt; devorar a  “auto-biografia” de Coetzee e sair por aí contando que aquele escritor era  rejeitado pelas mulheres, e se isso para ele for um alento por achar que um dia  poderá a ganhar um Nobel como Coetzee, provavelmente o sul-africano não fará  nenhuma objeção, talvez apenas um riso de canto de boca, de escárnio. Um James  Weldon Johson às avessas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; E continuará alimentando a curiosidade dos leitores com mais  volumes de sua auto-biografia ficcional (este é o terceiro, depois de &lt;em&gt;Infância&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Juventude&lt;/em&gt;), enquanto amplia o cânone da literatura universal com  mais ficção sobre sua biografia.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Marcelo Spalding&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-8887111184034914383?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/8887111184034914383/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2010/11/quando-o-autor-e-protagonista-do.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/8887111184034914383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/8887111184034914383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2010/11/quando-o-autor-e-protagonista-do.html' title='Quando o autor é protagonista do próprio romance: Verão, de Coetzee'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-7194405457570184642</id><published>2010-11-08T04:24:00.000-08:00</published><updated>2010-11-08T04:25:04.589-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='realidades'/><title type='text'>Patricinha fascista</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Juremir Machado da Silva, publicado no Correio do Povo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A estupidez está sempre ao alcance de todos. Mayara Petruso, patricinha paulista, estudante de Direito, saiu do anonimato para fama, via Twitter, graças a um coice na inteligência nacional. Indignada com a vitória de Dilma Rousseff, a moça disparou este petardo: "Nordestino não é gente, faça um favor a São Paulo, mate um nordestino afogado. Tinham que separar o Nordeste e os bolsas-vadio do Brasil (...) Construindo câmaras de gás no Nordeste, matando geral". No Facebook, a burrinha racista se atolou um pouco mais: "Afunda, Brasil. Deem direito de voto pros nordestinos e afundem o país de quem trabalha pra sustentar vagabundos que fazem filhos pra ganhar bolsa 171". Mayara já perdeu o emprego no escritório onde trabalhava e sofrerá ação judicial protocolada pela OAB.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns jovens universitários paulistas têm revelado um grau superior de idiotice. Depois da turminha que hostilizou uma guria por causa da sua minissaia, apareceu o bando do "rodeio das gordas", propondo tratar meninas obesas como animais. E agora entra em cena a tal Mayara. O escândalo maior é imaginar que isso representa uma opinião média difundida na Internet. Como será que a mulinha Mayara explica a vitória de Dilma em Minas Gerais? Achar que as ajudas sociais são incentivos à vagabundagem é típico de uma elite primitiva ou de uma classe média ignorante. Qualquer país civilizado, a começar por França, Alemanha, Inglaterra e, evidentemente, países escandinavos, oferece mais ajudas sociais que o Brasil. Não adianta ir à Europa só para comprar bolsas Vuitton. É preciso espiar o cotidiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem não recebeu e-mails dizendo que Dilma não podia ser candidata por ter nascido na Bulgária? Quantos analistas têm por aí sugerindo que os nordestinos são subeleitores que votaram com o estômago? Quando um empresário escolhe um candidato seduzido pela possibilidade de redução de impostos, o que é legítimo, não se trata de voto por interesse? Não é voto com o bolso? Quando ruralistas votam num candidato na esperança de conseguir mais incentivos, o que é comum, não é voto interesseiro? Mayara não deixa de ser o produto de uma estratégia perigosa, a divisão ideológica entre bem e mal. Foi essa perspectiva, cara ao vice Índio da Costa, que José Serra adotou. A revista Veja e o jornal Estado de S. Paulo deram aval a essa idiotice retrógrada. Uau!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PSDB, que nasceu pretendendo ser moderno e racional, podia mais. Veja, que se acha mais moderna do que os modernos, acabou por produzir leitores Mayara. Isso não tem a ver com partidarismo como imaginam os mais simplórios ou ideológicos. Eu jamais terei partido. Meu único capital é a independência selvagem. Sou a favor do voto de castidade partidária para jornalistas. Tudo pela liberdade de dizer que quem acha o Bolsa-Família um incentivo à vadiagem pensa como Mayara. Esse foi o principal erro tucano na campanha eleitoral: ter guinado à direta para tentar seduzir as Mayaras, que arrastaram um intelectual progressista como Serra para o reacionarismo rasteiro do Estadão e da Veja. Mayaras, nunca mais!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-7194405457570184642?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/7194405457570184642/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2010/11/patricinha-fascista.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/7194405457570184642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/7194405457570184642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2010/11/patricinha-fascista.html' title='Patricinha fascista'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-258052515161256462</id><published>2010-10-23T04:45:00.000-07:00</published><updated>2010-10-23T04:52:27.125-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><title type='text'>Minhas 10 melhores digestões: ou os 10 anos do Digestivo Cultural</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Marcelo Spalding&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;  Eu não o vi nascer, não vi seus primeiros passos, seu  primeiro aniversário, os primeiros dentes, as primeiras gracinhas. Mas tenho  orgulho de dizer que estive com esse piá em metade de sua trajetória. Falo do  Digestivo Cultural, uma das mais interessantes, independentes e diversificadas  revistas culturais da web, tocada pelo competente Julio Daio Borges há  impressionantes dez anos. Dez anos. É tempo pra caramba, especialmente se  pensarmos que no começo seus leitores davam os primeiros passos na internet. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;  Conheci o site por um motivo curioso: havia sido lançado um  livro de contos em que eu participava, &lt;em&gt;Fatais&lt;/em&gt;,  da Casa Verde, e tivemos uma resenha média publicada no Digestivo. Não  elogiosa, mas respeitosa. Eu recém havia ingressado no Mestrado em Letras  e queria muito escrever para o Jornal  Rascunho, como meu amigo Luiz Paulo Faccioli, ou para a Revista Aplauso, como o  outro amigo Flávio Ilha, pois via na resenha uma forma de dialogar com o  universo literário, mas as portas não pareciam estar abertas para iniciantes. E  eis que conheço o Digestivo, entro em contato com o Julio e pergunto se posso  enviar uma resenha. Ele topa, compro &lt;em&gt;Um  amor anarquista&lt;/em&gt;, do Miguel Sanches Neto, e depois de alguns elogios do  “chefe” sou convidado a entrar no seleto time de colunistas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;  Da primeira resenha, em setembro de 2005, até hoje foram 107  textos e um total de 367.085 acessos, média de 3.430 acessos por texto (algo me  diz que é muito mais do que se a Rascunho ou a Aplauso me tivessem aceito na  época…).  A obrigação de manter uma  regularidade, primeiro quinzenal, depois mensal, me obrigou a ler muito mais do  que o faria não fosse o site, pensar muito mais para escrever os textos e com  certeza isso foi fundamental para minha carreira acadêmica (hoje já estou no  Doutorado), além de ampliar muito meu conhecimento e gosto pela literatura  contemporânea. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;  Logo percebi o alcance do site. Não bastassem os &lt;em&gt;emails&lt;/em&gt; e comentários das mais diversas  partes do Brasil, uma vez fui dar uma palestra no Salão do Livro de Tocantins e  qual não é minha surpresa quando encontro uma menina esperando para me conhecer  pessoalmente, pois era minha leitora no Digestivo.  Em Palmas, Tocantins!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;  Mais lento é o aprendizado dos macetes de um resenhista e  também de um colunista de internet, onde o texto fica publicado para sempre, e  não apenas durante o mês que circula o jornal ou a revista. Aprendi a  importância de dosar bem as palavras no elogio ou na crítica, a fazer bons  títulos para fisgar mais leitores, a valorizar os comentários, a escolher com  cuidado os temas e os livros. Passei a me aventurar em outras áreas, escrevi  sobre cinema, música, quadrinhos, telenovela. Resenhei Nobéis e plebeus.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;  Que os leitores perdoem a pessoalidade do texto, mas não tem  como não se emocionar lembrando de tudo o que aconteceu em cinco anos, cinco  anos publicando textos mensalmente, recebendo recados e comentários quase  diários. Devo confessar, aliás, que o Digestivo Cultural foi a grande  inspiração para eu criar, aqui no RS, o portal &lt;a href="http://www.artistasgauchos.com.br" target="_blank"&gt;Artistas Gaúchos&lt;/a&gt;, que hoje  tornou-se o carro-chefe do meu trabalho. Não caí na tentação boba de criar um  novo Digestivo, pois só o Digestivo pode ser o Digestivo, então fiz um  Digestivo do Rio Grande do Sul, bairrista como só nós podemos ser.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;  A seguir, como forma de deixar registrada essa trajetória,  faço uma lista das 10 colunas que mais me marcaram, minhas 10 melhores  digestões para celebrar os 10 anos do Digestivo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1725&amp;amp;titulo=Um_Amor_Anarquista" target="_blank"&gt;&lt;strong&gt;Um Amor Anarquista&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;  A primeira vez a gente nunca esquece. Era a primeira  resenha, comprei o livro e li com um cuidado e uma atenção que talvez jamais  tenha em nenhuma outra leitura. Avançava as páginas fascinado com a história e  preocupado com o que dizer, quais trechos abordar, como ser fiel ao livro sem  contar a história. Relendo hoje percebo a insegurança de um iniciante, citando  referências eruditas já no começo para mostrar conhecimento, e a construção  tradicional, priorizando o enredo e econimizando nas impressões mais  subjetivas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2165&amp;amp;titulo=Com_a_palavra,_as_gordas,_feias_e_mal_amadas" target="_blank"&gt;Com a palavra, as  gordas, feias e mal amadas&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Depois da mais antiga, a coluna mais acessada. Havia  acabado de ler &lt;em&gt;Por que sou gorda, mamãe?&lt;/em&gt;,  da minha amiga Cíntia Moscovich, um livro que até hoje tenho a sensação de não  ter compreendido plenamente, e fiz uma resenha que por um motivo muito simples  tornou-se a mais acessada: o título. E eis que descobri o poder de um título.  Não pode ser fraudulento, é fundamental que ele tenha relação com o texto, mas  títulos como esse atraem e, mais do que isso, na Era do Google é fundamental  colocar no título palavras-chave. Não por acaso a segunda mais acessada é "&lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2224&amp;amp;titulo=Sexo,_drogas_e_rock%E2%80%99n%E2%80%99roll" target="_blank"&gt;Sexo, drogas e rock’n’roll&lt;/a&gt;",  resenha sobre o livro Tempos heróicos, do Jakzam Kaiser.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2099&amp;amp;titulo=Um_defeito_de_cor,_um_acerto_de_contas" target="_blank"&gt;Um defeito de cor,  um acerto de contas&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mil páginas. Na caixa de livros que o Digestivo me enviou  como sugestão de pauta em 2006/2 foi um livro de MIL páginas publicado pela  Record, que com certeza não gastaria com a impressão de uma única página de  autor desconhecido não tivesse o texto muita qualidade. Resolvi ler pelo menos  as 100 primeiras páginas para tentar fazer uma resenha, não precisar devolver o  livro ao site e lê-lo com calma no verão. Que nada, foi arrebatador, comecei a  ler e quando vi estava na 400, na 500, e assim fui até o fim e fiz uma das  resenhas mais entusiasmadas sobre &lt;em&gt;Um  defeito de cor&lt;/em&gt;, de Ana Maria Gonçalves. Este livro, aliás, depois me  inspiraria a escrever a novela &lt;em&gt;A Cor do  Outro&lt;/em&gt;, sobre a questão do preconceito.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2054&amp;amp;titulo=A_caixa_de_confeitos_da_literatura_contemporanea" target="_blank"&gt;A caixa de  confeitos da literatura contemporânea&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um crítico literário que se preze tem que criticar  também, não pode ficar só elogiando e jogando confete, certo? Bem, eu  acreditava nisso, e a oportunidade surgiu quando li &lt;em&gt;A Caixa de Confeitos e Contos Sortidos&lt;/em&gt;, livro de estreia de  Leonardo de Moraes. Fui duro na crítica, hoje diria que duro demais, o autor  chegou a me escrever pedindo para editar uma parte em que se sentiu  pessoalmente desrespeitado. Revelei-me um crítico fraco, mas acredito que uma  pessoa razoável, pois fiz a edição (excluindo o trecho, não mudando de opinião,  claro), e me dei conta da bobagem dessa afirmação de que um crítico tem que  criticar. Nada disso, até porque o pior pesadelo para um livro e um autor é o  silêncio, nada pior do que o silêncio em se tratando de literatura. E nada pior  do que a pretensão para alguém que está ali para dar uma opinião. E nada mais  que isso, UMA opinião, ainda que abalizada por trajetória ou “títulos”  acadêmicos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2112&amp;amp;titulo=Confissoes_de_um_critico_em_tempos_de_internet" target="_blank"&gt;Confissões de um  crítico em tempos de internet&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Hoje, relendo minhas crônicas mais antigas, percebo que  já havia feito uma auto-retrospectiva, muito melhor do que essa, aliás, quando  completei um ano de Digestivo Cultural. Lá não apenas contei com mais detalhes  minha chegada ao site como tive a pretensão de dar uma dica aos aspirantes à  resenhista: “o escritor deve fazer como o músico, ser &lt;em&gt;crooner&lt;/em&gt;. Mas ao invés dos bares da vida, o espaço do &lt;em&gt;crooner&lt;/em&gt; literário são os sites, e hoje  sei que o Digestivo foi um ótimo espaço para eu exercitar esse texto que não  pode abrir mão da qualidade mas também precisa ter apelo de público, precisa da  consistência acadêmica mas não pode abrir mão da factualidade jornalística. Um  texto ao feitio das músicas do &lt;em&gt;crooner&lt;/em&gt;”.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2186&amp;amp;titulo=Nem_memorias_nem_autobiografia,_mas_Saramago" target="_blank"&gt;Nem memórias nem  autobiografia, mas Saramago&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nunca esqueci de um email enviado a mim pelo Julio, o  editor, depois de eu publicar essa resenha. Ele dizia, em resumo, que eu era um  dos melhores resenhistas do site de todos os tempos. Confesso que esse afago no  ego me fez persistir e continuar escrevendo e publicando no Digestivo mesmo nos  momentos mais difíceis, ainda que eu mesmo considerasse um exagero do amigo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2255&amp;amp;titulo=Estrangeirismos,_emprestimos_ou_neocolonialismo?" target="_blank"&gt;Estrangeirismos,  empréstimos ou neocolonialismo?&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com o fim do Mestrado eu inventei de voltar para à graduação  e fazer Letras, pois havia me graduado em Jornalismo e para dar aula de  literatura na universidade eu precisaria do curso de Letras (que acabarei no  final desse ano!). Foi um dos momentos mais difíceis, pois além do meu trabalho  e das minhas palestras, havia as aulas e a infinidade de tarefas e leituras,  sobrando pouquíssimo tempo para escrever. Então surgiu uma ideia, por que não  escrever sobre os temas discutidos em aula? E assim fiz uma das colunas mais  acessadas e que mais geram contatos comigo, sobre estrangeirismos. A todo  momento estudantes me pedem para ajudar com trabalhos, me pedem bibliografia,  querem me entrevistar sobre o tema, e sempre respondo que não sou especialista,  apenas escrevi uma coluna onde escrevi tudo o que tinha a dizer.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=3034&amp;amp;titulo=O_hiperconto_e_a_literatura_digital" target="_blank"&gt;O hiperconto e a  literatura digital&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Bem diferente é o caso das colunas em que abordo os temas  do meu Mestrado, minicontos, ou Doutorado, literatura digital. Aqui escrevo  apenas sobre partes de um trabalho imenso, de um emaranhado de leituras, e  aproveito para exercitar a desacademização do meu texto, tornando-o acessível  ao público ("&lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1838&amp;amp;titulo=Micronarrativa_e_pornografia" target="_blank"&gt;Micronarrativa e pornografia&lt;/a&gt;" foi o caso mais extremo, aliás). Certa ocasião, falava com minha orientadora  sobre o tema de minha Tese e disse que iria criar um novo gênero e batizá-lo de  hiperconto. Pretensão à parte, precisava deixar esse nome registrado e  associado ao meu de alguma forma, e qual foi a solução? Publicar uma resenha no  Digestivo, abusando de sua credibilidade. Assim nasceu o texto “O hiperconto e  a literatura digital”. Não foi o único texto sobre o tema e muitos ainda virão,  até porque está na ordem do dia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2559&amp;amp;titulo=Geracao_Coca_Zero" target="_blank"&gt;Geração Coca Zero&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O que fazer numa danceteria cheia de mulheres e bebida  com a namorada ao lado e um showzinho de rock no palco? Pensar num excelente  tema para uma coluna no Digestivo, claro. Brincadeiras à parte, foi assim que  nasceu a ideia para o texto “Geração Coca Zero”, que depois me inspirou para  escrever o “&lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2472&amp;amp;titulo=Burguesinha,_burguesinha,_burguesinha,_burguesinha" target="_blank"&gt;Burguesinha, burguesinha, burguesinha&lt;/a&gt;”.  Acho muito saudável esses textos sobre produtos culturais do nosso cotidiano,  pois eles aproximam o olhar crítico do dia-a-dia das pessoas. Talvez seja isso  o que os norte-americanos chamam de &lt;em&gt;cultural  studies&lt;/em&gt;, e não por acaso hoje alterno resenhas sobre livros com comentários  sobre telenovelas, filmes ou fatos relevantes para a cultura e a educação.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2749&amp;amp;titulo=Quanto_custa_rechear_seu_Curriculo_Lattes" target="_blank"&gt;Quanto custa  rechear seu Currículo Lattes&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Este é o meu preferido, tinha que terminar com ele. E  também o mais polêmico. Comecei a escrever porque estava com muita raiva da  orientadora de minha esposa, como conto no texto, mas pensei três vezes antes  de publicá-lo porque tenho certeza que isso ainda pode prejudicar minha  carreira acadêmica ou profissional. Mas eu tinha que publicar, e não por acaso  este é o texto com mais comentários, sem contar os inúmeros emails que recebo  com depoimentos de pessoas que preferem não se expor em comentários públicos,  elogiando minha coragem. Há poucos dias, aliás, alguém fez uma chamada ao texto  no Twitter, mais de um ano depois de sua publicação, e ao que tudo indica essa  problemática tende apenas a aumentar, o que deve tornar o texto mais e mais  lido.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-258052515161256462?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/258052515161256462/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2010/10/minhas-10-melhores-digestoes-ou-os-10.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/258052515161256462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/258052515161256462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2010/10/minhas-10-melhores-digestoes-ou-os-10.html' title='Minhas 10 melhores digestões: ou os 10 anos do Digestivo Cultural'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-3442046395688441444</id><published>2010-10-19T05:59:00.001-07:00</published><updated>2010-10-19T06:01:10.232-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tecnologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comunicação'/><title type='text'>Vendas de livros digitais crescem 193% em um ano nos Estados Unidos</title><content type='html'>As vendas de livros digitais (e-books) nos Estados Unidos cresceram 193% de acordo com pesquisa divulgada pela Association of American Publishers (Associação Americana de Editores, em portugês). O motivo do crescimento, de acordo com a associação, é o bom resultado nas vendas dos tablets e leitores digitais Kindle, iPad e Nook nos últimos meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pesquisa afirma que, entre os meses de janeiro e agosto de 2010, as vendas de e-books chegaram a US$ 263 milhões. No mesmo período em 2009, este número foi de quase US$ 89 milhões. Com isso, os livros digitais representam 10% de toda a venda de livros nos Estados Unidos, número que era de 3,31% no ano passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais populares os livros digitais se tornam, as vendas dos livros tradicionais caem. A Amazon afimrou que vende mais publicações para o Kindle do que no formato tradicional e, de acordo com a Association of American Publishers, a venda de livros de capa dura caiu 24% em 2010 em relação ao ano passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2010/10/vendas-de-livros-digitais-crescem-193-em-um-ano.html"&gt;http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2010/10/vendas-de-livros-digitais-crescem-193-em-um-ano.html&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-3442046395688441444?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/3442046395688441444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2010/10/vendas-de-livros-digitais-crescem-193.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/3442046395688441444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/3442046395688441444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2010/10/vendas-de-livros-digitais-crescem-193.html' title='Vendas de livros digitais crescem 193% em um ano nos Estados Unidos'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-8058255592918576406</id><published>2010-10-08T09:42:00.000-07:00</published><updated>2010-10-08T09:43:19.073-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='realidades'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficções'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comunicação'/><title type='text'>O espiritismo e a novela da Globo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Marcelo Spalding&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Acabou mais uma novela da Globo, &lt;a href="http://escritonasestrelas.globo.com/" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;Escrito nas estrelas&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;, uma novela tão igual e tão diferente das outras. Diferente porque parece consolidar uma abordagem insistente da Rede Globo em relação ao espiritismo, iniciada com a exibição de &lt;em&gt;A Viagem&lt;/em&gt; e ampliada agora (só nos últimos anos tivemos também a re-exibição de &lt;em&gt;Alma Gêmea&lt;/em&gt; e a produção dos filmes &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=3115&amp;amp;titulo=As_vidas_de_Chico_Xavier" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;Chico Xavier&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=3154&amp;amp;titulo=Nosso_Lar" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;Nosso Lar&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;). Poderíamos pensar se tal insistência no tema é uma marca da decadência do catolicismo no nosso país ou uma tentativa da Rede Globo combater o crescimento da Record e seus evangélicos, pois mesmo numa cultura sincrética como a nossa é muito difícil conciliar as crenças evangélicas com as doutrinas espíritas, mas vamos nos ater àquilo que a novela teve de igual a todas as outras, o culto ao materialismo e ao consumismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jovens beldades suspiram por novos pares de sapato, gerando belo &lt;em&gt;merchandising&lt;/em&gt;, homens importantes dirigem carros modernos e caros, mãe e filha ficam histéricas diante de joias e todos se admiram com a beleza da mocinha quando em vez de cabelos e roupas naturais ela passa por um &lt;em&gt;hair design&lt;/em&gt; e faz compras sem limites num &lt;em&gt;shopping&lt;/em&gt; qualquer. Eis os valores que imperam, valores absolutamente conflitantes com aquilo que prega o verdadeiro espírita, como desapego às questões materiais, ao carro da moda, ao cabelo da moda, à roupa da moda. Mais do que a história da vida passada de Valentina e da vida presente de Vitória, a novela tratou da enorme diferença da vida de suburbana de Viviane e da vida de madame de Vitória, agora com novas roupas, novo jeito de andar, de falar, de se portar, consagrando preconceitos sociais arraigados e delimitando uns e outros, os que estão na moda e os que não estão, os vitoriosos e os cômicos (sempre havendo entre eles os bandidos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pares românticos, por sua vez, são formados sempre com belíssimas e jovens mulheres se apaixonando por íntegros e riquíssimos homens. Assim a protagonista da vez, Vitória/Viviane, não por acaso descobre-se alma gêmea do viúvo e milionário Dr. Ricardo, e não do taxista, do motorista, do funcionário da clínica, de alguém comum, como nós. A própria protagonista, aliás, alma gêmea do doutor, é jovem, linda e inteligente, figura fácil de se apaixonar nesta ou em qualquer outra vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorre que esse tipo de construção, tão comum nas novelas, faz o telespectador mais cético duvidar dessa história de alma gêmea ou mesmo do amor, afinal ele nunca sentiu algo daquele jeito e se sente frustrado porque seus melhores sentimentos são ou foram destinados a pessoas com muito menos virtudes, dinheiros ou curvas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse maniqueísmo absurdo (ricos e pobres, bons e maus) é muito mais inverossímil do que qualquer contato entre vivos e mortos, do que qualquer reencarnação ou carma. O próprio espiritismo, aliás, quebra o dualismo céu e inferno do catolicismo ao trazer outros tantos destinos possíveis para a vida após a morte, afinal, nenhum de nós será sempre e apenas bom ou sempre e apenas mau, há nuances, há momentos, há fraquezas. E, socialmente falando, parece ainda mais óbvio que não há apenas ricos e pobres, entre eles há uma enorme classe média que, aliás, frequenta casas espíritas e foi assistir ao &lt;em&gt;Nosso Lar&lt;/em&gt;, uma classe média tão distante das afetações da mansão do Dr. Ricardo quanto das maracutaias de seu Jofre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema da pasteurização é que a novela contraria valores espíritas que supostamente estariam sendo representados, além de prometer uma comprovação quase científica de algo que não se tem como provar, é apenas uma questão de fé, uma questão de fé tão cega e possível quanto acreditar nada haver além desta vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espiritismo kardecista nada mais é do que uma visão de mundo que se define como filosofia, ciência e religião, e não por acaso surgiu na França do século XIX, o das luzes. A premissa básica é que o espírito é imortal, enquanto o corpo é mortal, e se considerarmos apenas que essa premissa possa ser possível, que depois de morrermos nossa alma ou consciência ou seja lá o que for irá para outro lugar, e não simplesmente se apagará de repente, se considerarmos apenas essa premissa já muda tudo: o acaso dá lugar a uma complexa cadeia de ação e reação que ajuda-nos a intuir algum sentido para a vida e compreender algumas injustiças absurdas que vivenciamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se além desse espírito imortal temos realmente almas gêmeas, se os "mortos" estão ao nosso redor, se podemos vê-los ou ouvi-los, se com a regressão realmente lembramos de outra vida, se há céu ou inferno, se há trabalho no nosso lar ou violetas na janela, isso tudo são suposições, criações e possibilidades dentro de uma premissa básica, esta, sim, realmente importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um verdadeiro espírita como a minha mãe, que, aliás, se emocionou muito com o último capítulo da novela, aquele que mais abordou a vida além da vida, não lembra em nada a apática Jane, a interesseira Sueli nem a perfeita Mariana, personagens, aliás, que como todos os outros (exceção ao Vicente) vão mil vezes mais ao &lt;em&gt;shopping&lt;/em&gt; do que a qualquer igreja ou centro espírita, cenários curiosamente inexistentes na novela. Um verdadeiro espírita, acima de tudo, é um verdadeiro cidadão desse mundo, alguém capaz de respeitar o próximo tenha ele a cor, o salário, a crença ou a idade que tiver. E isso, acredito, é muito mais difícil do que encontrar uma alma gêmea, do que abraçar uma fé, do que perdoar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho certeza que mais novelas e filmes sobre essa temática vão surgir, não apenas porque estão se mostrando lucrativos como também por serem um material farto para a ficção (assim como a Bíblia e o catolicismo, fonte inesgotável da arte há dois mil anos). Só espero que aos poucos os valores e as reais premissas do espiritismo prevaleçam e não se pasteurize demais algo tão complexo, tão difícil e já tão deturpado. Ou, pelo menos, que junto com a pasteurização e o interesse popular venha o interesse real e desarmado da academia e da ciência, áreas que, ao livrarem-se dos preconceitos e reconhecerem suas limitações, teriam muito a contribuir com o espiritismo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-8058255592918576406?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/8058255592918576406/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2010/10/o-espiritismo-e-novela-da-globo.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/8058255592918576406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/8058255592918576406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2010/10/o-espiritismo-e-novela-da-globo.html' title='O espiritismo e a novela da Globo'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-5540194779958989461</id><published>2010-09-19T06:24:00.001-07:00</published><updated>2010-09-19T06:24:57.397-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tecnologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comunicação'/><title type='text'>Por que os artistas devem dar seu trabalho de graça</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Marcelo Spalding&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Sabe quanto um escritor ganha quando um livro seu é vendido?  No melhor dos casos, 10%. Digamos R$ 3,00. Sabe quantos livros um autor vende  por ano. Sendo otimista, mil livros. Bem otimista. Agora faça as contas: R$  3000,00 por ano é suficiente para alguém viver da venda de livros? Não,  decididamente não. Aí as alternativas são procurar um emprego “decente”, ter  uns 50 livros publicados e em catálogo ou continuar dando murro em ponta de  faca. E, em todos os casos, reclamando que o brasileiro não lê, que o governo  não incentiva, etc, etc, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse cenário, com uma ou outra variação, é o mesmo para  todas as artes: um artista médio, competente mas não midiaticamente  reconhecido, não tem espaço para seu trabalho e é muito mal remunerado por ele.  A questão é: será um problema de mercado, do artista ou do sistema? Excluindo-se  os casos em que é problema do artista, entre o mercado e o sistema eu diria que  o problema é do sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que o brasileiro não lê, mas você sabia que o Brasil é  um dos dez países que mais vendem livros no mundo? Metade são livros didáticos,  metade da metade são &lt;em&gt;best-sellers&lt;/em&gt; e  ainda tem os de auto-ajuda e espiritualidade. Além disso, pesquisas indicam que  o brasileiro lê menos de três livros por ano. Três! Ou seja, nossa grande  missão é, também, fazer com que as pessoas leiam mais (problema de marcado),  mas o principal é fazer com que as pessoas leiam os &lt;em&gt;nossos&lt;/em&gt; livros, e não os &lt;em&gt;best-sellers&lt;/em&gt; (um problema de sistema).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a livraria e para a editora o melhor é que eles leiam o &lt;em&gt;best-seller. &lt;/em&gt;Sai mais barato para  eles imprimirem e a margem de lucro é muito maior. Então nossa única saída, na  impossibilidade de fazermos um &lt;em&gt;best-seller&lt;/em&gt;,  é sair desse sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há vinte anos isso seriam absolutamente difícil, embora  ainda assim possível, e que os digam os poetas marginais. Mas hoje, com a  internet, temos uma grande oportunidade de estreitarmos nossa relação com o  leitor e tirarmos os intermediários da jogada, criando uma vantagem competitiva  enorme para os nossos livros em relação aos &lt;em&gt;best-sellers.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chris Anderson, em seu livro &lt;a href="http://consultoresweb.blogspot.com/2009/05/cauda-longa.html"&gt;A Cauda  Longa&lt;/a&gt;, afirma que se a indústria do entretenimento no século XX baseava-se  em hits, a do século XXI se concentrará com a mesma intensidade em nichos: "Os  consumidores estão mergulhando de cabeça nos catálogos, para vasculhar a longa  lista de títulos disponíveis, muito além do que é oferecido na Blockbuster  Video e na Tower Records. E quanto mais descobrem, mais gostam da novidade. À  medida que se afastam dos caminhos conhecidos, concluem aos poucos que suas  preferências não são tão convencionais quanto supunham (ou foram induzidos a  acreditar pelo &lt;em&gt;marketing&lt;/em&gt;, pela  cultura de hits ou simplesmente pela falta de alternativas." (p. 15)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma, é mais provável que um potencial leitor de seu livro  o encontre navegando na internet do que passeando numa livraria. Muito mais provável.  E nesse sentido não surpreende que muitos escritores estejam disponibilizando  sua obra toda, de graça, em &lt;em&gt;sites&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;blogs&lt;/em&gt;, numa última e desesperada  tentativa de fazer circular algo que lhes deu tanto trabalho, e às vezes custou  tanto dinheiro. E adianta? Sim e não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente o usuário que entrar em seu &lt;em&gt;site&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;blog&lt;/em&gt;, se  identificar com a sua temática ou conhecer você terá a curiosidade de baixar o  livro e talvez até leia alguma coisa. Mas para você ter mais acessos é preciso  algum tipo de divulgação, investir nisso, e para fazer qualquer investimento,  por menor que seja, é preciso dinheiro, que acaba não entrando quando você  disponibiliza de graça o livro. Ou seja, é pior que os R$ 3,00 do modelo  tradicional, supondo que você ainda consiga vender algo no modelo tradicional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um princípio de resposta pode estar em outro livro de Chris  Anderson,&lt;em&gt; Free: o futuro dos preços &lt;/em&gt;(Elsevier, 2009, 270 p.). O autor traz  entrevistas, dados, episódios históricos e atuais para mostrar que os preços no  mercado digital estão caindo tanto que logo chegarão a zero, e viveremos uma  economia do Grátis. Só que isso, ao invés de apavorar quem atua nesse mercado  está se mostrando extremamente lucrativo: as empresas estão ganhando ainda mais  dinheiro com isso (basta vermos o Google).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que tange à livros, Anderson dá alguns exemplos, entre  eles o de Paulo Coelho, que brigou com sua editora para colocar seu livro mais  popular, &lt;em&gt;O Alquimista&lt;/em&gt;, no BitTorrent,  gerando um renovado interesse pelo autor e transformando seu novo lançamento em  um sucesso de vendas maior ainda (livro que, aliás, também está disponibilizado  no BitTorrent). Anderson cita ainda um autor menos conhecido, que  disponibilizou seu livro para &lt;em&gt;download&lt;/em&gt; e colocou ao lado um link para doações voluntárias no PayPal: “das  aproximadamente 8 mil pessoas que baixaram o livro, cerca de 6% pagaram, com  preço médio de U$ 4,20)”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O modelo mais completo de negócios para livros (e para  artes) que o autor apresenta é do Flat World Knowledge, que disponibiliza a  versão digital de TODOS os seus livros gratuitamente. E como eles vivem?  Vendendo livros ou capítulos do livro impressos, versão em PDF imprimível,  audiolivro em MP3, &lt;em&gt;e-book&lt;/em&gt; para &lt;em&gt;e-readers&lt;/em&gt; e por aí vai. Isso sem contar  as palestras para as quais os autores são chamados, e que rendem muito mais do  que a venda de 100 livros em livrarias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final Anderson irá ressaltar que “dar o que você faz não  o tornará rico; você precisa pensar com criatividade em como converter a  reputação e atenção que pode obter com o Grátis em dinheiro”. Mas, acrescento  eu, às vezes é muito melhor não ganhar nada do que ganhar quase nada, como  ocorrem com nossos contratos com as editoras (isso quando não pagamos para  editar nossos livros). Porque não esqueça que ao ser editado por uma editora  você cedeu os direitos sobre seu texto para ela, e às vezes teria sido muito  mais lucrativo ter esse texto contemplado num concurso literário de sua cidade,  inscrito em alguma lei de incentivo ou patrocinado por uma empresa privada em  busca de estratégias de investimento em cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, caro artista, não tenha vergonha de dar seu  trabalho de graça. Não todo ele, parte dele. Descubra qual parte você pode  abrir ao seu público a fim de cativá-lo para que ele aí sim compre a outra  parte, seja algum lançamento, uma versão impressa do livro, uma palestra ou &lt;em&gt;show&lt;/em&gt;, uma camiseta autografada. O que  não podemos é permanecer refém daqueles que não querem nos vender, preferem  vender os &lt;em&gt;best-sellers&lt;/em&gt; a nós, e ainda  culpam disso o leitor, que sequer teve a chance de nos conhecer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-5540194779958989461?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/5540194779958989461/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2010/09/por-que-os-artistas-devem-dar-seu.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/5540194779958989461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/5540194779958989461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2010/09/por-que-os-artistas-devem-dar-seu.html' title='Por que os artistas devem dar seu trabalho de graça'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-458619299669995784</id><published>2010-09-19T05:41:00.000-07:00</published><updated>2010-09-19T05:42:22.382-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tecnologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comunicação'/><title type='text'>Free: o futuro dos preços é ser grátis</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Marcelo Spalding&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O mundo dos negócios vive de ondas, ondas que passam rápido,  ditam tendências, rendem alguns milhares ao seu criador e depois se vão. Não  que sejam ondas artificiais, na verdade a velocidade da alternância dessas  ondas apenas reflete a velocidade do mundo moderno. E hoje quem está na crista  da onda, o mais vendido, mais comentado e talvez um dos mais precisos em suas  análises é Chris Anderson, autor de &lt;em&gt;A  Cauda Longa&lt;/em&gt; e que recentemente lançou &lt;em&gt;Free: o futuro dos preços &lt;/em&gt;(Elsevier,  2009, 270 p.), seu segundo livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de a capa do livro, na versão brasileira, fazer de  tudo para parecer um livro de auto-ajuda para negócios, citando “gigantes como Google,  YouTube e Financial Times”, o autor evita a postura de guru e faz um livro  entre o acadêmico e o jornalístico, trazendo entrevistas, dados, episódios  históricos e atuais que vão ao encontro de sua tese: os preços no mercado  digital estão caindo tanto que logo chegarão a zero, e viveremos uma economia  do Grátis. Não aquele grátis do século XX, compre um leve dois, ganhe esse  celular e gaste fortunas com ligações, ganhe esse exemplar da revista e assine  sem saber um compromisso de assinatura. Não, um Grátis real, como já acontece  hoje com o Gmail, o YouTube, o Twitter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A ascensão da &lt;em&gt;freeconomics&lt;/em&gt;,  a economia do Grátis, está sendo abastecida pelas tecnologias da era digital. Da  mesma forma que a Lei de Moore dita que o preço de uma unidade de capacidade de  processamento em um computador cai pela metade a cada dois anos, o preço da  largura de banda e da armazenagem está caindo muito mais rapidamente. O que a  Internet faz é integrar os três, combinando as quedas de preço dos três  elementos tecnológicos: processadores, largura de banda e armazenagem. Em  consequencia, a taxa de deflação anual líquida do mundo on-line é de quase 50%,  o que equivale a dizer que o custo do YouTube para divulgar um vídeo hoje cairá  para a metade daqui a um ano. Todas as linhas de tendência que determinam o  custo de fazer negócios on-line apontam na mesma direção: para zero. Não é de  se surpreender que todos os preços on-line avancem na mesma direção.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anderson comenta que ao iniciar seu trabalho se deparou com  dois tipos de pessoas: as com mais de 30 anos e as com menos de 30 anos. Para  os que tinham mais de 30 anos esse negócio de grátis esconde alguma coisa do  consumidor e logo o preço será pago. Já para os que tinham menos de 30, o  grátis não é nenhuma novidade, não havendo nenhum motivo para se escrever um  livro sobre isso. Realmente no mundo digital já estamos nos desacostumando a  pagar pelas coisas: jornais caríssimos no mundo real liberam seu acesso, músicas  são disponibilizadas aos milhões, bibliotecas abrem grande parte do seu acervo  acadêmico, jogos &lt;em&gt;multiplayer&lt;/em&gt; sofisticados não cobram um centavo do usuário, softwares são disponibilizados  aos milhares, sites permitem a publicação e compartilhamento ilimitados de vídeos  e fotos , emails gigantes são oferecidos sem custo algum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa cultura do Grátis não surge de uma súbita boa-vontade  dos ricos e poderosos do mundo. Não, há razões técnicas e econômicas para que o &lt;em&gt;Google&lt;/em&gt;, por exemplo, ofereça tantos  serviços gratuitos na internet: eles querem que você permaneça mais tempo conectado,  faça mais buscas e, principalmente, clique mais nos anúncios exibidos em suas  ferramentas, ganhando assim mais alguns centavos, que no final do mês se contam  aos milhões. E como o custo de armazenamento é muito baixo para a estrutura  criada por um gigante como o Google, não há problema algum em oferecer algo Grátis  mesmo que você nunca clique em anúncio algum: seu amigo irá clicar, ou o amigo  de seu amigo, e por aí vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, e esse é o ponto central do argumento de Chris  Anderson, é possível ganhar dinheiro, e mais dinheiro, com o Grátis. “As  pessoas estão ganhando muito dinheiro sem cobrar nada. Não nada por tudo, mas  nada pelo suficiente para criarmos uma economia tão grande quanto a de um país  de tamanho razoável pelo preço de $0,00”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor traz alguns exemplos históricos e atuais de negócios  que conseguiram lucrar a partir do Grátis, começando pelo inventor das  gelatinas e por King Gilete, que dispensa apresentações. Em resumo, poderíamos dizer  que há quatro modelos principais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&amp;gt; Subsídios  cruzados diretos&lt;/strong&gt;: quando uma empresa oferece um aparelho de celular porque  vai ganhar com as ligações, por exemplo. Esse é o caso clássico do grátis no  século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&amp;gt; O mercado de  três paticipantes&lt;/strong&gt;: quando alguém usa o serviço e outro paga, caso clássico  da publicidade nos meios de comunicação. Você não paga nada para assistir TV,  mas alguém está pagando à empresa em troca de sua atenção no horário comercial.  Essa estratégia, que hoje parece óbvia, demorou muito para ser definida como o  melhor modelo de negócios para as rádios no seu surgimento, conforme conta bem  o autor. E é interessante notar que na internet ela não funciona com a mesma  lógica que na grande mídia: aqui em geral as empresas cobram por clique, por  resultado, e não um alto valor único pela exibição de um anúncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&amp;gt; &lt;em&gt;Freemium&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;: este talvez seja o mais  revolucionário modelo de negócios para o grátis: há duas versões do mesmo  produto, a versão grátis e a versão paga. Na versão grátis o usuário em geral  pode fazer muita coisa, mas se ele estiver muito adaptado ao programa, ou jogo,  ou site, talvez ele aceite pagar alguns dólares para ter novas funções ou  alguns privilégios. É como se uma danceteria permitisse a entrada grátis para  todo mundo, mas cobrasse pela área VIP. Claro que no exemplo da danceteria seria  um caos, afinal dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, mas como &lt;em&gt;bits&lt;/em&gt; não são corpos, na internet o  espaço de armazenamento é quase grátis, e é por isso que o Club Penguim, o  Hattrick e o Ikariam, por exemplo, podem ser jogados sem pagarmos nenhum  centavo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&amp;gt; Mercados não  monetários&lt;/strong&gt;: qualquer coisa que as pessoas resolvem dar sem expectativa de  pagamento. É o caso da Wikipedia. Em geral há uma fundação ou governo por trás  para sustentar esse mercado, mas também pode ser apenas uma estratégia de isca:  uma corretora de valores pode ter um belo portal com notícias sobre a Bolsa  para atrair consumidores e expor seus serviços, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grandes empresas, as citadas pelo livro, provaram que esses  modelos de negócios podem ser mesmo muito  lucrativo, pois além de resultado financeiro  elas rendem dois dividendos que Anderson reputa como extremamente importantes  na era digital: atenção e reputação. Basta vermos o valor de mercado do  Facebook e do Twitter, totalmente desproporcional ao que conseguem faturar com  seus produtos. Mas o autor apenas insinua, sem entrar em detalhes, que para as  pequenas empresas, para os habitantes de sua cauda longa, a situação não é tão  simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorre que na internet as marcas que lideram seus segmentos  acabam sendo quase monopólios, criando empresas gigantescas com as quais é  muito difícil concorrer. Conte nos dedos: Microsoft, Apple, Google, Sun, Yahoo,  Amazon, eBay, PayPal, Facebook, Twitter e por aí vai. Isso se dá por causa da  escala, nesse tipo de negócio quanto mais você puder trabalhar em escala (com  milhões de usuários e não milhares), mais diluído ficarão os custos fixos (mais  próximos de zero) e a receita daqueles que pagarem serão suficientes para gerar  receita, receita essa que permite altos investimentos em pesquisa,  desenvolvimento e publicidade, atraindo ainda mais usuários e realimentando o  processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não por acaso a última frase do livro é: “os empreendedores  da Web precisam inventar não somente produtos que as pessoas adorem, como  também produtos pelos quais elas pagarão. O Grátis pode ser o melhor preço, mas  não pode ser o único”. Curioso, nesse aspecto, que o próprio livro de Anderson  no Brasil não seja disponibilizado gratuitamente. Porque no livro ele cita  diversas vezes sua própria experiência, dizendo que a obra está disponível em  versão &lt;em&gt;e-book&lt;/em&gt;, à venda em PDF ou na  versão impressa, porque sua principal fonte de receita são palestras  customizadas a determinada empresa ou instituição que queira contratá-lo. Agora,  no Brasil, se você acessar a versão do Scrib do livro, em &lt;a href="http://www.scribd.com/doc/17135767/FREE-by-Chris-Anderson"&gt;http://www.scribd.com/doc/17135767/FREE-by-Chris-Anderson&lt;/a&gt;,  verá a antipática mensagem: “Sorry, this content is geographically restricted”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que atrapalhar os argumentos do próprio livro de  Anderson, essa estratégia mostra como nossas editoras estão despreparadas para  lidar com o mercado digital, agindo como as jurássicas gravadoras de CDs e DVDs,  insistindo em manter indústrias físicas centradas em meia dúzia de  privilegiados e dificultando o surgimento de um mercado digital amplo e  diversificado. Mas isso é outra história que abordarei em nova coluna.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-458619299669995784?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/458619299669995784/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2010/09/free-o-futuro-dos-precos-e-ser-gratis.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/458619299669995784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/458619299669995784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2010/09/free-o-futuro-dos-precos-e-ser-gratis.html' title='Free: o futuro dos preços é ser grátis'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-1925740196981826874</id><published>2010-06-25T09:07:00.000-07:00</published><updated>2010-06-25T09:19:22.465-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tecnologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comunicação'/><title type='text'>Dicas para aumentar os acessos ao seu site</title><content type='html'>Uma das queixas mais comuns entre os clientes da msmidia.com é que o site não tem tantos acessos quanto eles imaginavam, pois muita gente acha que só por ter um site e aparecer no Google vão surgir inúmeras visitas e novos clientes. Não é bem assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abaixo irei listar algumas dicas para aumentar os acessos ao seu site, mas antes vale lembrar que é fundamental monitorar quantos acessos seu site tem, a variação mensal deles e se algum evento específico (lançamento, notícia, promoção) fazem esse número aumentar mais do que a média normal. Além disso, e talvez mais importante que o número de acessos, é observar quantos contatos você recebe, recados, pedidos de informação ou orçamento. De nada adianta um site visitado que não gere retornos objetivos, e esses são sempre mais difíceis. Por outro lado, lembre-se: um único contato que gere negócio será suficiente para pagar seu site, pois o custo/benefício ainda é muito baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, vamos às dicas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Divulgue seu endereço &lt;/span&gt;em todos os emails enviados, cartão de visita, embalagem de produtos, capa de livro ou CD, folders, etc; O endereço do seu site deve ser tão importante quanto o seu nome ou o nome da sua empresa, então sempre o coloque ao lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Troque links &lt;/span&gt;com sites parceiros, catálogos, amigos. A participação em redes e comunidades sempre ajuda muito a alimentar o acesso ao seu site.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Tenha conteúdo atualizado e interessante&lt;/span&gt;. Procure manter seu site sempre atualizado, com periodicidade pelo menos mensal, se não um visitante não verá motivo de retornar em seu site.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Divulgue as atualizações&lt;/span&gt;. Quando você atualizar o site, divulgue por email, Twitter, blog, Orkut, Facebook, etc. Se a periodicidade for razoável, ninguém vai achar se incomodar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Use as redes sociais como isca do site&lt;/span&gt;. Para quem tem tempo de acompanhar, é sempre útil ter perfil no Twitter ou outras redes sociais, bem como um blog, mas procure sempre levar o visitante ao seu site através de links que caiam lá, pois é no site que está todo seu esforço institucional, o blog e as redes sociais devem ser sempre complementares, iscas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6) &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Crie um mailing e o mantenha ativo&lt;/span&gt;. Você tem uma relação com os emails das pessoas que se cadastraram em seu site, entraram em contato ou compraram algum produto? Pois essa relação é o que de mais precioso seu site pode lhe fornecer. Guarde-a, use-a sempre, mas sempre com moderação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7) &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Crie promoções no seu site&lt;/span&gt;. Uma forma de valorizar os cadastrados num site e aumentar o número de cadastrados é criar promoções sorteando algum brinde ou oferecendo desconto a quem se cadastrar no site. Se o prêmio for vultuoso essa promoção se torna uma bela oportunidade de marketing viral.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-1925740196981826874?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/1925740196981826874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2010/06/dicas-para-aumentar-os-acessos-ao-seu.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/1925740196981826874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/1925740196981826874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2010/06/dicas-para-aumentar-os-acessos-ao-seu.html' title='Dicas para aumentar os acessos ao seu site'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-8058420898210697817</id><published>2010-05-01T11:17:00.000-07:00</published><updated>2010-05-01T11:18:30.959-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tecnologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comunicação'/><title type='text'>O fim do livro, sim, e daí?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Marcelo Spalding para a Revista Contemporânea&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Você, leitor, que adora folhear um livro, cheirar um livro, apalpar sua capa, apreciá-lo ao lado de outros livros numa bela estante, você que faz anotações de leve com a ponta do lápis, evita dobrar a ponta das páginas, esgarçar as orelhas, você, leitor, acha que o livro pode acabar dentro de dez anos? E dentro de vinte anos? De cinquenta? De cem? E de mil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, provavelmente não irá existir esse objeto que tanto amamos, o livro, para sempre. Há mil anos atrás não existia o livro, não com a concepção que temos hoje, então por que acreditar tão apaixonadamente que não chegará, um dia, o fim do livro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão é polêmica, eu sei, e diria que enquanto um de nós, amante de livros, estiver vivo, vivo estará o livro. Mas aos poucos diminuirão o número de livrarias (até porque as que existem estão monopolizando o mercado), de sebos, de bibliotecas, de editoras, de gráficas, assim como hoje os CDs e os filmes fotográficos ainda existem, mas diminuiu muito o mercado em torno deles. E isso trouxe algum prejuízo para os amantes da música ou da fotografia? Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, caro leitor, se você é amante de livros e não é dono de editora, gráfica ou livraria, provavelmente você seja amante não dos livros, mas das palavras, dos textos, da literatura, do bem imaterial que está dentro dos livros, da alma dos livros. E a literatura, lembre-se, existe a milanos, é muito anterior ao objeto livro, remonta a oralidade, ao teatro grego, aos rapsodos. Não há porque não acharmos, então, que ela terminará com o fim do livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verdade que hoje se tem como senso comum que literatura é igual a livro: autores lançam livros, jornais comentam livros, prêmios são entregues a livros e campanhas governamentais de incentivo a leitura compram... livros. Mas há outros espaços para a literatura, desde as paredes das casas até a tela do computador, passando por revistas, jornais, celulares, agendas, janelas de ônibus, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos dirão que nenhuma geringonça tecnológica é melhor do que o livro para a leitura de um Dom Quixote ou Machado de Assis. Que a tela do computador cansa os olhos, que as facilidades da leitura em PDF não compensam o que se perde sem o livro na mão. E é verdade, mas quem disse que a literatura na era digital tem que ser igual a literatura da era industrial, do impresso, do romance? Livro digital não é livro em PDF assim como cinema não é teatro filmado. Aos poucos vão surgir, e já estão surgindo, novos gêneros próprios desse novo meio, textos literários que de alguma forma aproveitam as ferramentas das novas tecnologias para potencializar seu efeito, sua história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você irá me perguntar, por fim, se então o surgimento de novas mídias é o motivo da falta de leitura entre os jovens e se o nível de leitura irá aumentar a medida que eles descubram a literatura digital. Não, eu responderei. O computador, a internet, a era digital por si só não formará nenhum leitor, é a educação quem forma leitores, é o investimento em escolas e professores que forma leitores. Sejam eles leitores de livros, sejam eles leitores de textos digitais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se essa mudança é boa ou ruim? Se as pessoas vão ler melhor ou pior? Não faço juízo de valor, não me sinto capaz de julgar o que seja bom ou ruim, separar o melhor do pior, mas também não podemos negar que a grande maioria dos livros que são publicados, hoje, não são dignos do nosso quase fetiche pelo objeto livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim sendo, repito: se aproxima o fim do monopólio do livro, sim, mas isso não irá terminar com a literatura, quiçá areje seu estudo e amplie seus horizontes, trazendo mais leitores para a milenar Biblioteca de Babel que é a história da literatura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-8058420898210697817?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/8058420898210697817/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2010/05/o-fim-do-livro-sim-e-dai.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/8058420898210697817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/8058420898210697817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2010/05/o-fim-do-livro-sim-e-dai.html' title='O fim do livro, sim, e daí?'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-7436193075547385325</id><published>2010-04-27T11:30:00.000-07:00</published><updated>2010-04-27T11:32:12.322-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficções'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tecnologia'/><title type='text'>O hiperconto e a literatura digital</title><content type='html'>A  literatura digital &amp;eacute; aquela nascida no meio digital, um objeto digital  de primeira gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o criado pelo uso de um computador e (geralmente)  lido em uma tela de computador. Katherine Hayles, no livro &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=15007197" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;Literatura Eletr&amp;ocirc;nica: novos horizontes para o liter&amp;aacute;rio&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;, define-a, em poucas linhas, como &amp;quot;obra com um aspecto liter&amp;aacute;rio importante que aproveita as capacidades   e contextos fornecidos por um computador independente ou em rede&amp;quot;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A autora identifica diversas est&amp;eacute;ticas para este tipo de literatura,  como fic&amp;ccedil;&amp;atilde;o em hipertexto, fic&amp;ccedil;&amp;atilde;o na rede interligada, fic&amp;ccedil;&amp;atilde;o  interativa, narrativas locativas, instala&amp;ccedil;&amp;otilde;es, &amp;quot;&lt;em&gt;codework&lt;/em&gt;&amp;quot;,  arte generativa e poemas em Flash. No que tange ao conto, pelo menos  dois g&amp;ecirc;neros despontam na Era Digital como grandes possibilidades  liter&amp;aacute;rias j&amp;aacute; adaptadas ao novo meio: o miniconto e o que chamamos de  hiperconto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O miniconto encontrou na Web um ambiente prop&amp;iacute;cio devido a extens&amp;atilde;o e  aos poucos se torna parte de projetos maiores, bem definidos e  acabados, como o caso de &lt;em&gt;Dois Palitos&lt;/em&gt;, de Samir Mesquita. Utilizando o Flash, Samir p&amp;otilde;e o internauta diante de uma caixa de f&amp;oacute;sforos aberta, e cada   clique nos f&amp;oacute;sforos nos apresentar&amp;aacute; um miniconto da caixa. Mais   do que textos dispersos, a unidade de &lt;em&gt;layout&lt;/em&gt; e a brincadeira com os palitos de f&amp;oacute;sforo nos p&amp;otilde;e diante de um projeto  liter&amp;aacute;rio uno, assim como quando abrimos um livro de contos ou poesias:  mesmo entendendo que os textos s&amp;atilde;o independentes, sabemos que houve um  cuidado de composi&amp;ccedil;&amp;atilde;o por parte do escritor, que de alguma forma est&amp;aacute;  refletido no objeto liter&amp;aacute;rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;Eacute; um bom exemplo de uma est&amp;eacute;tica que chega na internet a partir do  texto impresso, encontra no novo meio espa&amp;ccedil;o privilegiado de circula&amp;ccedil;&amp;atilde;o  e aos poucos &amp;eacute; transformado por este meio, &amp;agrave; medida que em obras como a  de Mesquita deixam de ser mero exerc&amp;iacute;cio de concis&amp;atilde;o e convertem-se em  est&amp;eacute;tica para a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma obra maior, completa, multilinear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra possibilidade do conto nas novas tecnologias &amp;eacute; o conto em que o leitor participa de sua evolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o atrav&amp;eacute;s de &lt;em&gt;hiperlink&lt;/em&gt;, g&amp;ecirc;nero que estamos definindo como hiperconto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um bom exemplo vindo do exterior &amp;eacute; &lt;em&gt;Inanimate Alice&lt;/em&gt;,  de Kate Pullinger, uma narrativa linear produzida em Flash em que uma  menina e sua m&amp;atilde;e procuram desesperadamente pelo pai em certa localidade  da China. Publicado em outubro de 2005 no &lt;em&gt;site&lt;/em&gt; da autora e selecionado pelo volume I da &lt;em&gt;Cole&amp;ccedil;&amp;atilde;o Literatura Eletr&amp;ocirc;nica&lt;/em&gt;,  organizada por Katherine Hayles em 2006, utiliza as ferramentas  tecnol&amp;oacute;gicas como apoio &amp;agrave; hist&amp;oacute;ria narrada, com &amp;aacute;udio, fotografias,  imagens em movimento, ilustra&amp;ccedil;&amp;otilde;es, pequenos v&amp;iacute;deos, mapas. Forma e  conte&amp;uacute;do, aqui, combinam de forma perfeita, pois a vida da menina de  oito anos &amp;eacute; completamente mediada pelos meios eletr&amp;ocirc;nicos, chamando a  aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o do leitor para o excesso de informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es a que a menina est&amp;aacute;  submetida (n&amp;atilde;o por acaso a tela do celular da menina &amp;eacute; recorrente ao  longo da hist&amp;oacute;ria, convertendo-se em cursor na tela, em certo momento,  simulando uma m&amp;aacute;quina fotogr&amp;aacute;fica). Essa familiaridade com os meios  eletr&amp;ocirc;nicos n&amp;atilde;o impede que no cap&amp;iacute;tulo &amp;quot;&lt;em&gt;To do list&lt;/em&gt;&amp;quot;, quando ela  digita em seu celular coisas que gostaria de estar fazendo naquele  momento, mencione andar de skate, brincar numa piscina com os amigos e  cuidar de um cachorro, embora lembre nunca ter tido um cachorro para  cuidar, o que evidencia ser a presen&amp;ccedil;a constante dos eletr&amp;ocirc;nicos mais  do que uma op&amp;ccedil;&amp;atilde;o da menina, uma conting&amp;ecirc;ncia das circunst&amp;acirc;ncias, o que  poder&amp;iacute;amos interpretar como uma cr&amp;iacute;tica &amp;agrave; sociedade contempor&amp;acirc;nea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Experi&amp;ecirc;ncia brasileira semelhante &amp;eacute; a de Mauro Paz em seu &lt;em&gt;desfocado&lt;/em&gt;.  A obra tamb&amp;eacute;m &amp;eacute; uma narrativa em Flash que conta a hist&amp;oacute;ria de um jovem  rapaz, seus relacionamentos fugazes, seus sonhos, seus medos, sua  ang&amp;uacute;stia. A rapidez dos cap&amp;iacute;tulos &amp;eacute; tamb&amp;eacute;m a rapidez da vida particular  do protagonista, e a rapidez da contemporaneidade como um todo.  Formalmente, a hist&amp;oacute;ria tem sete cap&amp;iacute;tulos n&amp;atilde;o lineares, cada um com um  visual elaborado e completamente diferente e estrat&amp;eacute;gias narrativas  tamb&amp;eacute;m distintas. H&amp;aacute; cartas, SMS, not&amp;iacute;cias de jornal e at&amp;eacute; uma criativa  lista cerebral, em que cada &amp;aacute;rea do c&amp;eacute;rebro nos remete a algo que o  personagem est&amp;aacute; pensando naquele momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em ambos os casos, por&amp;eacute;m, a narrativa est&amp;aacute; posta e o leitor n&amp;atilde;o tem o  poder de interferir no rumo dos acontecimentos. J&amp;aacute; em experi&amp;ecirc;ncia  hipertextual que desenvolvemos com alunos de um curso de extens&amp;atilde;o em  Narrativas para Web, na PUCRS, criamos uma hist&amp;oacute;ria em que h&amp;aacute; oito  poss&amp;iacute;veis finais, definidos a partir da escolha do leitor em tr&amp;ecirc;s  momentos decisivos. Publicado no &lt;em&gt;site&lt;/em&gt; &lt;a href="http://www.hiperconto.com.br" target="_blank"&gt;Hiperconto&lt;/a&gt;, &lt;em&gt;Um estudo em vermelho&lt;/em&gt; utiliza an&amp;aacute;lise combinat&amp;oacute;ria para que os finais necessariamente tenham  rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o caminho escolhido pelo leitor ao longo do texto. A  hist&amp;oacute;ria come&amp;ccedil;a com um &lt;em&gt;e-mail&lt;/em&gt; enviado pelo leitor a um detetive  informando que sua irm&amp;atilde; sumiu. A partir da&amp;iacute; o detetive responde sempre  abrindo possibilidades, e se o leitor, por exemplo, afirmar que sua  irm&amp;atilde; &amp;eacute; uma falsa, aceitar pagar o valor exorbitante pedido pelo  detetive e quando perceber a fraude em vez de chamar a pol&amp;iacute;cia resolver  enfrentar ele mesmo o homem, acabar&amp;aacute; descobrindo que tudo fora armado e  a irm&amp;atilde; &amp;agrave;quela hora estar&amp;aacute; muito longe com seu amante, o detetive. J&amp;aacute; se  o leitor, achando que sua irm&amp;atilde; &amp;eacute; uma falsa, resolver n&amp;atilde;o pagar o  detetive e ainda enfrent&amp;aacute;-lo sem a pol&amp;iacute;cia, pegar&amp;aacute; ambos na cama e  matar&amp;aacute; os dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este tipo de texto narrativo que explora a interatividade e os &lt;em&gt;hiperlinks&lt;/em&gt; tem sido chamado pelos norte-americanos de &lt;em&gt;hiperfiction&lt;/em&gt;.  Nesse estudo, por&amp;eacute;m, optamos por cham&amp;aacute;-lo de hiperconto em vez de  hiperfic&amp;ccedil;&amp;atilde;o, assim como o termo miniconto no Brasil &amp;eacute; mais comum do que  minific&amp;ccedil;&amp;atilde;o, apesar de em l&amp;iacute;ngua inglesa ser usado o &lt;em&gt;microfiction&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O hiperconto seria uma vers&amp;atilde;o do conto para a Era Digital. Sendo ainda  um conto, de tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o milenar, requer narratividade, intensidade,  tens&amp;atilde;o, ocultamento, autoria. O texto, naturalmente, ainda deve ser o  cerne do hiperconto, preservando seu car&amp;aacute;ter liter&amp;aacute;rio. Mas um bom  hiperconto ser&amp;aacute; capaz de aproveitar as ferramentas das novas  tecnologias para potencializar a hist&amp;oacute;ria que conta da mesma forma que  os livros infanto-juvenis, por exemplo, t&amp;ecirc;m se utilizado da ilustra&amp;ccedil;&amp;atilde;o.  Imagens, em movimento ou n&amp;atilde;o, &amp;aacute;udios, &lt;em&gt;hiperlinks&lt;/em&gt;,  interatividade e quebra da linearidade s&amp;atilde;o apenas algumas das  possibilidades do hiperconto. Claro que um bom hiperconto n&amp;atilde;o precisa  utilizar todos esses recursos ao mesmo tempo, assim como h&amp;aacute; filmes  bel&amp;iacute;ssimos sem efeitos especiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naturalmente, esse tipo de trabalho nada mais &amp;eacute; do que uma tentativa de  explorar as novas ferramentas tecnol&amp;oacute;gicas para produzir um texto  liter&amp;aacute;rio narrativo, e a pr&amp;oacute;pria inten&amp;ccedil;&amp;atilde;o de criar o &lt;em&gt;site&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Hiperconto&lt;/em&gt; visa atrair outros autores de obras digitais para que enviem seus &lt;em&gt;links&lt;/em&gt; e possamos, aos poucos, ter um &lt;em&gt;corpus&lt;/em&gt; consistente desse tipo de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o em l&amp;iacute;ngua portuguesa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-7436193075547385325?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/7436193075547385325/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2010/04/o-hiperconto-e-literatura-digital.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/7436193075547385325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/7436193075547385325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2010/04/o-hiperconto-e-literatura-digital.html' title='O hiperconto e a literatura digital'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-796866141102464236</id><published>2009-12-16T10:03:00.000-08:00</published><updated>2009-12-16T10:05:00.910-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><title type='text'>O melhor da década na literatura brasileira: prosa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right; font-style: italic;"&gt;Marcelo Spalding&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Todo final de ano são feitos aqueles balanços sobre o que houve de melhor e pior em cada área. Em literatura, este tipo de lista é sempre problemática, pois muito dificilmente alguém conseguiu ler parte significativa da produção daquele ano, e acaba se repetindo os vencedores de prêmios ou os preferidos da mídia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este ano, porém, tem uma particularidade: fecha também uma década, a década dos zeros (2000 a 2009). Virá algum purista me dizer que a década só fecha em 2010, mas não é verdade, porque apesar de não ter existido o ano 0, existiu o ano 2000, então de 2000 para 2009 são 10 anos, uma década.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrisco, então, uma lista com os dez livros mais interessantes, para mim, dessa década. Lista restrita à prosa e sujeita a todo tipo de acréscimos, e o leitor fique à vontade para postar nos comentários seu preferido da década.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Dois Irmãos, de Milton Hatoum, 2000&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando um livro consegue se tornar leitura obrigatória de vestibulares do Norte ao Sul, literalmente, em menos de 10 anos, ele merece atenção. E é o caso de Dois Irmãos, belíssimo romance do manauara Milton Hatoum sobre a relação de dois irmãos tão diferentes entre si, Hakim e Omar, narrada a partir de Nael, filho da empregada da casa com um dos dois irmãos. Ainda na década, Hatoum lançaria o ótimo Cinzas do Norte (2005), também Prêmio Jabuti, mas eu sigo preferindo a força narrativa de Dois Irmãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Coração aos Pulos, de Carlos Herculano Lopes, 2001&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A obra do mineiro Carlos Herculano Lopes reúne 39 contos que tratam de temas como suicídio, morte, relações familiares distorcidas e conflito de identidade, permitindo-se alguns finais felizes e boa dose de surrealismo. Mesclando contos longos e curtos (o conto que dá título ao livro tem seis páginas), predominam os mínis, de cem, cento e cinqüenta palavras, quando muito, o que marca uma forte tendência da contística da década.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O pintor de retratos, Luiz Antonio de Assis Brasil, 2001&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o primeiro livro da nova fase desse grande romancista gaúcho. Segundo conta o próprio Assis, na viragem do milênio ele escrevia seu décimo quinto romance quando, a certa altura, achou que estava se repetindo e apagou tudo o que tinha escrito. Conta o mestre que então abriu em sua biblioteca um livro de El Cid e deu-se conta de que dizer mais em menos espaço era a solução técnica que procurava. “Na Idade Média se fazia assim, a Bíblia é escrita assim”, ele diz. E desta forma escreveu Pintor de Retratos, lançado em 2001, A margem imóvel do rio, de 2003, premiado com o Jabuti e o Portugal Telecom, e Música perdida, de 2006.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Arquitetura do Arco-Íris, Cíntia Moscovich, 2004&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cíntia Moscovich, a ótima contista gaúcha, tem três livros de contos e uma dissertação sobre o conto: O Reino das Cebolas, sua estreia em 1996, antes de estudar o conto; Anotações durante o incêncio, publicado em 2000, durante seu mestrado sobre o conto; e Arquitetura do Arco-Íris, publicado em 2004, que de alguma forma sintetiza toda a leitura e o estudo da escritora sobre o gênero. Em contos de feitio clássico, reafirma toda a potencialidade do gênero e projeta a autora como das melhores da década no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século, organizado por Marcelino Freire, 2004&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A obra traz cem histórias inéditas com até cinqüenta letras, sem contar o título e a pontuação. Feita como paródia a ótima antologia Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século, organizada por Ítalo Moriconi, leva a estética minimalista ao limite e marca definitivamente o surgimento e a afirmação do gênero miniconto no Brasil (muito popular na internet). Claro que há ótimas realizações como péssimas tentativas, mas a proposta em si é extremamente produtiva e já virou moda em oficinas de criação literária Brasil afora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A milésima segunda noite, de Fausto Wolff, 2005&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mistura de gêneros é, sem dúvidas, uma das principais características da contemporaneidade, e nessa década poucos a levaram ao ponto de Fausto Wolff neste livro. Fausto intercala narrativas (com tempos, personagens, narradores e onisciências diversos) com pensamentos, trechos de livros seus, artigos opinativos, breves e geniais biografias, breves e geniais ensaios, resenhas, verbetes, poemas em prosa... Politicamente incorreto como poucos escritores contemporâneos têm coragem de ser, Fausto questiona a política de Israel, os movimentos feminista e homossexual, ironiza a grande mídia e seu jornalismo subserviente, não poupa palavras para definir Bush, FHC, os banqueiros e políticos em geral. Talvez este livro, se não tivesse Noll publicado um antes, devesse carregar o epíteto de “um painel minimalista da criação”. Estaria se definindo melhor do que todas as tentativas do próprio livro de o fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves, 2006&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na década dos mini e microcontos, da mistura de gêneros, da rapidez e fragmentação, nada como uma saga anacrônica, com quase 1000 páginas, para contar a história da escravidão no Brasil. Pois essa foi a ambição da mineira Ana Maria Gonçalves em Um defeito de cor, romance que narra a história de Kehinde desde seu nascimento em Savalu, reino de Daomé, em 1810, até a morte em Salvador, Bahia, já liberta mas com as marcas da escravidão. Millôr Fernandes, em coluna na Folha de São Paulo em setembro de 2006, coloca Um defeito de cor entre um dos livros mais importantes, entre os 10 melhores que leu “em nossa bela língua eslava”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Os Vendilhões do Templo, de Moacyr Scliar, 2006&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Política, religião e mulher não se discute: ainda bem que Scliar nunca deve ter ouvido esta frase. Em Vendilhões do Templo, as personagens não apenas discutem como suas vidas são movidas pela política, pela religião ou pelas mulheres. Quando não o são é porque a personagem deixou-se levar pela ganância, pelas moedas sujas que Cristo já condenara no episódio do vendilhão do templo. Romance em três partes, leva o leitor de volta a Era Cristã, depois a uma fictícia redução indígena no Sul do Brasil, no ano de 1635, e finalmente ao ano de 1997 nessa mesma redução, hoje cidade (fictícia) de São Nicolau do Oeste. Em meio a isso tudo, três histórias de fôlego e questionamentos importantes sobre feridas ainda abertas como a mercantilização até mesmo das ideologias ou a falta de sentido e de respostas para a vida da classe média.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Adeus contos de fadas, de Leonardo Brasiliense, 2006&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A literatura infanto-juvenil atravessa a década com uma vitalidade impressionante, e Adeus contos de fadas é apenas um exemplo de livros feitos para adolescentes que podem – e devem – ser lidos por toda a família. Reunião de setenta e duas histórias com mais ou menos cem palavras (às vezes bem menos do que isso), surpreende pela explosão possível a partir de verdadeiras pérolas, pequenas e valiosíssimas. Depois do premiado livro, Leonardo, que já escrevia e publicava desde o século passado, lançou nacionalmente um livro de contos e deve estrear em breve pela Companhia das Letras. Promete ser um nome forte já da próxima década.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Leite derramado, de Chico Buarque, 2009&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chico Buarque é artista que o tempo valorizará como poucos. Músico, compositor e dramaturgo, ao se lançar na literatura produziu belos romances como Budapeste (2003) e o mais recente Leite derramado. Aqui Chico faz uma volta pela história brasileira dos últimos cem anos a partir de um personagem à beira da morte, tal qual Brás Cubas, de Machado. Nestes cem anos estão a ascensão e queda de certa burguesia carioca, a ditadura militar e sua violência, o surgimento do tráfico de drogas e a desestruturação das famílias. Chico, porém, ao deslocar seu narrador faz com que os temas sejam vistos apenas de soslaio, e ao invés de um romance político-ideológico utiliza a ideia de romance-estrelar, muito própria desta década, aliás, com as histórias sendo contadas alternadamente, sem linearidade definida. Chico seria, hoje, meu candidato brasileiro a um Nobel.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-796866141102464236?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/796866141102464236/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/12/o-melhor-da-decada-na-literatura.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/796866141102464236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/796866141102464236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/12/o-melhor-da-decada-na-literatura.html' title='O melhor da década na literatura brasileira: prosa'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-3324545221452366651</id><published>2009-11-30T05:56:00.000-08:00</published><updated>2009-11-30T05:57:20.150-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='educação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><title type='text'>Literatura para quê?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right; font-style: italic;"&gt;Marcelo Spalding&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Eis uma questão recorrente em salas de aula, mesas de bar: afinal de contas, literatura para quê? Respostas prontas temos várias: ler é viajar, ler é conhecer a si mesmo, ler é trilegal, ler é tudo. Mas raros são os textos sérios sobre o tema, textos que abordem de frente a diminuição do tempo de leitura, do gosto pelos livros, especialmente os literários, do desinteresse social por uma instituição milenar como a literatura. Por isso indico a leitura do livro de Antoine Compagnon “Literatura para quê?” (Editora UFMG, 2009), resultado de uma conferência do autor no Collège de France.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo num primeiro momento percebemos que essa problemática não é própria do Brasil e sua educação deficiente: Compagnon fala do “berço da civilização” para um público de letrados franceses que um dia estudaram ou conheceram Barthes, Lévi-Strauss, etc. E diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Hoje, mesmo se cada outono vê a publicação de centenas de primeiros romances, pode-se ter o sentimento de uma indiferença crescente pela literatura ou mesmo de um ódio à literatura, considerada como uma intimidação e um fator de ‘fratura social’. (...) Toda menção ao poder da literatura era julgada obscena, pois entendia-se que a literatura não servia para nada e que somente o domínio dela contava. Mas em nossa época de latência em que o progressismo como confiança no futuro não está mais na ordem do dia, o evolucionismo  sobre o qual a literatura repousou durante todo um século pode ter chegado a seu termo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso nos diagnósticos, o autor não consegue, porém, responder de forma convincente sua própria indagação, embora aponte alguns “para quês” fundamentais. Lembra uma frase de Sartre, por exemplo, que dizia: “mesmo que não haja livro que tenha impedido uma criança de morrer, seu poder nos faz escapar das forças de alienação ou de opressão”. “Contrapoder”, dirá Compagnon, “[a literatura] revela toda a extensão de seu poder quando é perseguida. Por conseguinte, o enfraquecimento da literatura no espaço público europeu no final do século XX poderia estar ligado ao triunfo da democracia: lia-se mais na Europa, e não somente no Leste, antes da queda do muro de Berlim”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O deleite, é claro, também aparece como um motivo importante para a existência da literatura, mas Compagnon ressalta que “a recusa de qualquer outro poder da literatura além da recreação pode ter motivado o conceito degradado da leitura como simples prazer lúdico que se difundiu na escola do fim do século”. Adiante, o autor arrisca que “a literatura deve ser lida e estudada porque oferece um meio de preservar e transmitir a experiência dos outros, aqueles que estão distantes de nós no espaço e no tempo, ou que diferem de nós por suas condições de vida”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A evolução tecnológica e o surgimento de outras mídias para a ficção, como o cinema, não passam desapercebidos pelo autor, que afirma, entretanto, que “a literatura inicia superiormente às finesses da língua e às delicadezas do diálogo”, para concluir sua fala, adiante, dizendo ser a literatura não a única, mas mais atenta que a imagem e mais eficaz que o documento, o que é suficiente para garantir seu valor perene. “Ela é A vida: modo de usar, segundo um título impecável de Georges Perec.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até aqui me ative ao precioso texto de Compagnon, que não poderia mesmo ser definitivo, mas expõe uma ferida aberta e nos permite, também, pensar sobre ela. Afinal, literatura para quê? Agora me proponho a arriscar algumas respostas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro, não sou daqueles que acham que a literatura torna o homem ou a humanidade melhores. Meu pai deve ter lido meia dúzia de livros em toda sua vida e é uma pessoa boníssima, enquanto pessoas de ética duvidosa têm estantes abarrotadas de clássicos (lidos ou não), e por vezes se jactam em citá-los (Fausto e O Príncipe, não por acaso, entre eles).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo, não acho que seja impossível vivermos sem literatura. Uma vez uma professora comentou, na faculdade, que era impossível vivermos sem poesia. Contestei, dizendo que muitas pessoas jamais abriram um livro de poemas, e ela me respondeu que na sociedade moderna muitas vezes as músicas, com suas letras, suprem esse papel. Bela resposta, me convenceu. Assim também nenhuma pessoa pode viver sem narrativas, mas pode viver sem ler romances, pois as narrativas estão no cinema, no teatro, nas telenovelas, nos quadrinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terceiro, não acredito que a literatura ajude alguém a “vencer na vida”. Não por culpa da literatura, mas porque “vencer na vida”, hoje, significa ter mais dinheiro ou mais poder ou mais respeito, e a literatura por si só não torna ninguém mais rico ou poderoso ou influente. Não por acaso policiais ganham muito mais que professores, e aspirantes a modelos são muito mais valorizada$ que escritores. Sem falar nos jogadores de futebol...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, parte desse questionamento de literatura para quê tem a ver também com questionamentos mais amplos que devemos fazer sobre a vida. Viver para quê?, pergunto eu. Se for para acumular riquezas e porres e cargos, a literatura não serve para nada mesmo. Não se iluda. Agora se vivemos para conhecer, ampliar os horizontes, descobrir o outro e nós mesmos, explorar aquela enorme fatia do cérebro inexplorada pela maioria dos homens, a literatura é, sim, fundamental. Se valorizamos a liberdade e a diversidade, a literatura é, sim, fundamental. Se queremos indivíduos críticos e ativos socialmente, a literatura é, sim, fundamental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não só a literatura, claro. E está aí, aliás, uma grande confusão: a literatura perdeu muito espaço de 100 anos para cá, de 50 anos para cá, porque seu espaço era exagerado, superestimado. A literatura havia se institucionalizado de tal forma que se confundiu com a arte em si, mas a arte abriga o cinema, a música, o teatro, a ilustração, a pintura, a escultura e, inclusive, a literatura. Nem mais nem menos importante: a literatura é a arte da palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, talvez responder para que literatura seja olhar com atenção essa definição: a literatura é a arte da palavra. Ou seja, enquanto existir arte ou enquanto existir palavra, fatalmente haverá alguém fazendo literatura e alguém buscando literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra resposta mais afinada com nossa sociedade materialista seria a de que a literatura é uma “vantagem competitiva” porque um leitor de literatura sempre será um leitor melhor, mais preparado para as leituras técnicas, os concursos, os contratos... Mas deixo esse tipo de argumentação para os leitores de Maquiavel.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-3324545221452366651?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/3324545221452366651/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/11/literatura-para-que.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/3324545221452366651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/3324545221452366651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/11/literatura-para-que.html' title='Literatura para quê?'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-6648208691055583323</id><published>2009-10-03T09:46:00.000-07:00</published><updated>2009-10-03T09:49:01.459-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='realidades'/><title type='text'>Pelo fim do complexo de Vira-Latas</title><content type='html'>Em 1958, há meio século, Nelson Rodrigues publicou aquela que se tornou sua mais célebre crônica: “Complexo de Vira-Latas”. O termo, cunhado por ele e até hoje utilizado, significa “a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo”. O que pouca gente sabe é que a crônica se referia ao escrete canarinho que embarcava para a Copa do Mundo de 1958. Dizia Nelson:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eis a verdade, amigos: - desde 50 que o nosso futebol tem pudor de acreditar em si mesmo. A derrota frente aos uruguaios na última batalha ainda faz sofrer, na cara e na alma, qualquer brasileiro. Foi uma humilhação nacional que nada, absolutamente nada, pode curar. (...) E, hoje, se negamos o escrete de 58, não tenhamos dúvida: - é ainda a frustração de 50 que funciona”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O final dessa história todo mundo conhece: com Didi, Zagallo, Mazzolla, Garrincha e Pelé o Brasil se consagrou campeão vencendo a Suécia, os donos da casa, por 5 a 2, depois de sair perdendo. Um título inesquecível que abriu caminho para a seleção mais vitoriosa do mundo, hoje com cinco Copas, e projetou aquele que se tornaria o maior jogador de futebol de todos os tempos: Pelé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Dois de outubro de 2009, meio século depois da célebre crônica de Nelson Rodrigues e do grande título brasileiro. Aconteceu de novo.&lt;/span&gt; E Pelé estava lá. E Pelé chorou como criança, como aos 17 anos chorara em Estocolmo, sob os olhos emocionados de autoridades do mundo todo: o Brasil vencia uma disputa mundial e o Rio de Janeiro era escolhido sede dos Jogos Olímpicos de 2016.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Rio, a euforia foi geral, pois o apoio da população era enorme. Mas aqui e ali começaram a se ouvir muxoxos, críticas, ironias: como um país com tantos problemas de saúde, educação, segurança pode se dar ao luxo de sediar um evento deste porte? Quanto ganharão os políticos e as empreiteiras? O que se poderia fazer com os bilhões que serão investidos até 2016?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma dessas perguntas escapa a nenhum brasileiro, nem a Nuzmann, o heroi dessa conquista, nem a Pelé, o emblema do Brasil esportivo, nem a Lula, o fiador desse novo país que se abre ao mundo. E por isso mesmo me parece incrível que mais de 60 autoridades olímpicas dos mais variados continentes, na hora de apertar o botão e escolher entre Madrid e sua riqueza, Madrid e sua estabilidade, Madrid e sua tradição ou o Rio de Janeiro e seus problemas, o Rio e sua incerteza, o Rio e sua inexperiência tenham escolhido o Rio. Foi o mundo quem escolheu o Rio, foi o mundo quem apostou no Brasil de uma forma que poucos brasileiros teriam apostado. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Porque nós ainda temos complexo de vira-latas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu vos digo: - o problema do escrete não é mais de futebol, nem de técnica, nem de tática. Absolutamente. É um problema de fé em si mesmo. O brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-latas e que tem futebol para dar e vender, lá na Suécia.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantos brasileiros, podendo escolher entre Chicago, Tóquio, Madrid e Rio de Janeiro escolheriam o Rio de Janeiro? Digamos que ganhasse um concurso e pudesse escolher uma dessas cidades para passar uma semana, quantos escolheriam o Rio, mesmo não conhecendo a cidade maravilhosa? Quantos brasileiros não passam as férias nos mais distantes litorais do mundo, gastando fortunas, e não conhecem o Rio? Será apenas Por medo? Não, é pelo complexo de vira-latas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas gerações cresceram ouvindo falar que o Brasil era o país do futuro, enfrentaram a ditadura e sua violência, sua corrupção, depois acreditaram num novo país, na reconstrução, e deram de cara com um Collor, com a inflação galopante sem fim, o confisco. E dessa forma transmitiram, não sem razão, o complexo de vira-latas aos seus filhos. Voltemos a Nelson: “Gostaríamos talvez de acreditar na seleção. Mas o que nos trava é o seguinte: - o pânico de uma nova e irremediável desilusão”. Voltemos aos dias de hoje: gostaríamos de acreditar no Brasil, mas o que nos trava é o pânico de uma nova e irremediável desilusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que assim como em 58 o Brasil levou o título, e de virada, e fora de casa, e contra os mandantes, é chegada a hora de nossa geração esquecer esse complexo de vira-latas e fazer esse país dar certo, aproveitar essa onda de oportunidades e transformar o Brasil numa nação que simbolize diversidade, vigor, desenvolvimento, esporte, cultura. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Nada me irrita mais do que um jovem brasileiro formado e pós-graduado tentando emprego de garçom ou pedreiro na Europa ou nos Estados Unidos. Que complexo de vira-latas!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, nós temos e teremos problemas na saúde, na educação, na segurança. Esses bilhões talvez ajudassem a minimizar esses problemas agora, construindo prisões ou hospitais. Mas há anos e anos, há séculos tem se construído escolas, prisões, hospitais, e já era hora de percebermos que isso não é o suficiente. É preciso mais, é preciso uma força maior que impulsione cada cidadão a crescer pessoal e profissionalmente, estudar, empreender, aprender, cuidar dos filhos, pregar a paz, acreditar. Como Pelé, que mudou nosso futebol e pode ter sido decisivo para mudar nosso esporte como um todo. É preciso, afinal, que abandonemos o complexo de vira-latas: problemas todas as nações têm e terão, o que não podemos é nos eximir da tarefa de ajudar a resolvê-los ao invés de torcermos o nariz para um recado tão contundente do mundo para nós, o recado de que eles acreditam no Brasil e em cada brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para terminar, volto a Nelson: “Só imagino uma coisa: - se o Brasil vence na Suécia, se volta campeão do mundo! Ah, a fé que escondemos, a fé que negamos, rebentaria todas as comportas e 60 milhões de brasileiros iam acabar no hospício”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-6648208691055583323?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/6648208691055583323/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/10/pelo-fim-do-complexo-de-vira-latas.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/6648208691055583323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/6648208691055583323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/10/pelo-fim-do-complexo-de-vira-latas.html' title='Pelo fim do complexo de Vira-Latas'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-653972761736661834</id><published>2009-09-16T07:01:00.000-07:00</published><updated>2009-09-16T07:07:01.721-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficções'/><title type='text'>Patroazinha</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Marcelo Spalding&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Poucas alegrias eu guardo daquela casa na Bela Vista, às vezes é melhor nem lembrar. Gente desalmada, sem respeito, sem religião. Me chamavam de preto e me chamavam pra tudo, carregar compras, limpar piscina, cortar grama, atender telefone. O que eu menos fazia era dirigir, não sei por que me obrigavam a usar uniforme e quepe. O patrão não parava em casa, a patroa, desconfiada, tava sempre nervosa pelos cantos ou passando uma temporada na casa das primas e até a Rose nos últimos tempos vinha roubando coisas na despensa. Casa dos infernos. Só quem prestava mesmo era a patroazinha. Ah, a patroazinha... Eu vi aquela menina crescer, sabe? Quando cheguei na casa, era uma criança redonda e rosada, sempre em volta da mãe, quieta. Com o tempo foi perdendo peso e vergonha, alisou os cabelos, fez bronzeamento artificial, começou a ir todo dia pra malhação. Nunca sorriu pra mim, mas me olhava nos olhos pra agradecer quando eu a levava na escola, no clube, no shopping, nas amigas. Às vezes acho que fui mais pai dela do que da minha pequena, era eu quem a acordava de manhã, servia café e pão, levava na escola, buscava, trazia amigos, a chamava para o lanche da tarde, o jantar. Era eu quem ia e vinha na madrugada das festas, e talvez por isso fui o primeiro a perceber como a menina crescia, como as curvas cresciam, as pernas, os braços, os lábios. Mas nunca pensei que tanto, nunca pensei... até aquele dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava esperando a patroazinha descer há meia hora quando o patrão me ligou dizendo que o carro tinha quebrado e eu precisava ir o quanto antes buscá-lo no trabalho. Falei da festa da filha em Ipanema, mas ele mandou que eu fosse antes, fosse depois, mas fosse rápido. Gente sem respeito, desligou o telefone na minha cara. Olhei de novo o relógio e calculei que com o trânsito desse horário levaria pelo menos uma hora pra pegar o patrão no Iguatemi, voltar na Bela Vista e levar a patroazinha em Ipanema. Mas era o jeito. Peguei meu quepe e subi as escadas de dois em dois degraus para avisar a menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há anos eu não entrava em seu quarto, só a chamava da porta e ela gritava já vou, dez minutos, espera, não enche. Mas dessa vez a porta estava aberta. Quase aberta. E não tinha barulho de música, de rádio nem de televisão. Fui mais pai dela do que o próprio pai, sempre ocupado, e talvez por isso eu tenha ficado tão apreensivo com aquele silêncio, e mais ainda quando da fresta da porta vi a patroazinha vendada, presa pelos dois pulsos na cabeceira da cama e nua, nua e quieta, nua e séria, nua e de mamilos firmes. Quase liguei pra polícia, mas logo percebi que ela não estava sozinha, chamava por alguém, sussurrava, implorava. Então ele apareceu, aquele que há dois meses eu buscava pra estudar com a menina, aquele que nunca me cumprimentou nem agradeceu. Moreno, forte e baixo, se aproximou da patroazinha com firmeza, beijou os lábios crescidos com desejo e deslizou as mãos nas curvas e nos prazeres dela. Deus me perdoe, devia ter ido embora, mas fiquei tão excitado e surpreso que não consegui mais desviar os olhos, fechar a porta, deixar a casa amaldiçoada pelo pecado. Vi o rapaz acariciar as partes da patroazinha com força, senti o cheiro de suor da menina, ouvi ele perguntar se ela tava pronta pra surpresa, se queria morrer de prazer naquela noite, na cama de lençol rosa, no quarto de ursinhos espalhados. Ela apertou as coxas com desejo, molhou a ponta dos lábios língua, talvez soubesse o que viria, decerto conhecia o outro, um rapaz mais alto, menos forte e de barba rala. Já se aproximou da minha menina abrindo a braguilha, tocou no seu rosto e pude perceber como ela ficou confusa e excitada com aquela terceira mão em seu corpo. Procurou os dedos estranhos com a boca, chupou-os, mordeu-os, e mais teria feito não fosse a pressa do rapaz, que reservava algo mais para a fome insaciável da patroazinha. Quatro mãos a exploravam e ela gemia sem remorso, dois estranhos a possuíam e ela rebolava sem medo, três gozos se misturavam e ela pedia mais, mais, insaciável. Desamarram as mãos e antes de a colocarem de quatro, tiraram a venda dos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um segundo achei que tivesse me visto, noutro foi como se a patroazinha voltasse a ser a menina redonda e rosada, de costas não tinha mudado tanto. Beijaram suas coxas, suas nádegas, e o diabo me tentando a participar daquela sem vergonhice, eu que não tinha coragem de acabar com aquilo, de fazer algum barulho, fechar a porta, eu que só experimentava nudez de mulher no escuro, a dois. Me imaginei como o mais alto e de barba rala, eu, o preto sempre pronto a ajudar, a esconder, a satisfazer os desejos de uma insaciável garota de pêlos escuros e gemido alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele dia acabei não buscando o patrão no Iguatemi. Desci, tirei o quepe, sentei no sofá da sala e esperei outros trinta minutos até a patroazinha descer. Veio acompanhada apenas do mais baixo e forte, cabelo molhado, vestido de alcinha, quem sabe nua por baixo. Pegou o quepe, me entregou e sem me olhar nos olhos pediu para eu me apressar, estava muito atrasada. Foi meu último dia naquela casa da Bela Vista. Na manhã seguinte, o patrão me demitiu, furioso por eu não ter atendido o celular. E ainda estranhou quando eu insisti, pelo amor de Deus, para ficar pelo menos mais trinta dias. Ele jamais entenderia que eu não podia ter ido embora sem nunca ter visto minha menina sorrir. Não depois daquilo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-653972761736661834?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/653972761736661834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/09/patroazinha.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/653972761736661834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/653972761736661834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/09/patroazinha.html' title='Patroazinha'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-585952844286113407</id><published>2009-09-16T06:55:00.000-07:00</published><updated>2009-09-16T07:00:43.843-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tecnologia'/><title type='text'>Como será a literatura na internet?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right; font-style: italic;"&gt;Marcelo Spalding&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Há algum tempo ando às voltas com um novo tema, a literatura digital. Ou eletrônica. Ou on-line. Porque não podemos negar que a internet é o símbolo das novas tecnologias de comunicação, que já transformaram a música, o cinema, a televisão e, de certo, transformarão também a literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa linha, muitos já discutem o fim do livro como suporte, discussão que acho acessória (particularmente acho que os livros terão vida muito mais longa do que esses e-books baseados na versão em PDF dos livros, pois tais versões são como filmar uma peça de teatro e dizer que isso é cinema! Nada disso, o teatro sobreviveu ao cinema exatamente porque o cinema é outra coisa, com outras possibilidades e desafios). O que me intriga, então, é pensar de que forma a literatura será veiculada na internet, de que forma a literatura irá explorar as ferramentas das novas tecnologias para criar obras instigantes, originais, multimídias, interativas e, ainda assim, obras literárias, e não games ou clipes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale lembrar que embora hoje literatura seja sinônimo de livro, nem sempre foi o livro o suporte da literatura. Ou alguém acha que as tragédias gregas não são literárias porque, em vez de impressas, eram encenadas? Ou que os contos de fadas não são literários porque, ao invés de escritos, eram transmitidos oralmente? Claro que não. O livro é apenas um meio de se transmitir literatura, assim como o LP, o K7, o CD ou o MP3 são meios/mídias diferentes para a mesma arte: música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorre que, na literatura, essas mudanças na forma costumam ser acompanhadas de profundas mudanças estéticas. O romance, por exemplo, é um gênero relativamente recente, associado à modernidade (Dom Quixote é de 1605), e seu apogeu em relação a outras formas, como a epopéia ou as tragédias, tem muito a ver com a invenção da imprensa e a facilidade de impressão de livros. Assim como Edgar Allan Poe, espécie de inventor do conto moderno, associa a short story à popularização das revistas e jornais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que isso demora anos, décadas, gerações. É preciso que as gerações nascidas sob a égide da nova tecnologia cresçam, produzam suas próprias ficções nesse suporte e com suas particularidades, depois cheguem nas academias, na mídia e passem a valorizar este tipo de produção. Mas é tarefa das cabeças pensantes do nosso tempo perceber a pertinência dessa reflexão, a potencialidade criativa que as novas tecnologias oferecem e incentivar essa criação. Foi com esse intuito, aliás, que promovi aqui no RS o I Prêmio Gaúcho de Arte Eletrônica. Foram três categorias, Artes Visuais, Cartum e Literatura, e acho que os trabalhos mais interessantes acabaram mesmo sendo na área de literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CiberPoesia, da ilustradora Ana Gruszynski e do escritor Sérgio Capparelli, no concurso ficou com o Prêmio Especial por ser um projeto absolutamente a frente de seu tempo. Utilizando o Flash, o site traz diversos poemas visuais e ciberpoemas interativos que demonstram a riqueza de possibilidades da nova ferramenta: o leitor não apenas lê, ele também cria através da interação, vê os movimentos das ilustrações integrados ao poema e ao final observa o resultado da criação. Um projeto como esse só poderia surgir de um escritor acostumado com a literatura infantil, um gênero que há tempos não se restringe ao texto, e, por esse motivo, deixou de ser um trabalho único, autoral, para se tornar um trabalho de equipe (raros são os escritores que também são ilustradores, e poucos são os ilustradores que acumulam a função de designer gráfico dos livros).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro trabalho que chamou minha atenção foi a novela Desfocado, de Mauro Paz. Mauro contou que havia escrito essa novela e, na hora de publicar, decidiu aproveitar seu conhecimento em Flash para criar uma novela multimídia e interativa. Dessa forma, o leitor encontra um menu com hiperlinks para cada capítulo e, à medida que for avançando na leitura da história, irá se deparar com cartas manuscritas, chocolates que vão perdendo seus pedaços à medida que a leitura avança e assim por diante. Para quem tem uma conexão razoavelmente rápida, é divertimento na certa. Com boa literatura por trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mauro concorria na categoria Literatura, onde os dois mais votados ― a votação foi feita por artistas cadastrados no portal que organizou o Prêmio ― foram o blog de Rubem Penz, Rufar dos Tambores, e o e-book de Ana Mello, Finais Felizes, que levou o troféu. Olhando de fora, poderia dizer que o trabalho de Ana Mello é uma espécie de exemplo da transição entre a cultura livresca e a cultura digital. Apesar de o texto ser publicado em formato de livro (PDF), a paginação é feita com o efeito flip, há todo um cuidado de acabamento (capa, diagramação) e o gênero escolhido é um gênero perfeito para a internet: o miniconto. Já o blog de Rubem representa todos os blogs literários inscritos para o prêmio, e foram diversos, o que também evidencia que há muito a literatura tem buscado seu espaço no mundo digital e os blogs, por se tratarem de ferramentas fáceis de usar e gratuitas, se tornaram a porta de entrada preferida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que a abrangência do concurso é pequena para o universo da internet, nosso Estado é apenas um entre os vinte e poucos do país e nosso país é um entre as centenas do mundo, mas com ele parece que consegui mostrar aos mais céticos que é possível, sim, fazer boa literatura para a internet. E, mais ainda, que é possível ser original e criativo no uso das ferramentas dessas novas tecnologias para a produção de literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidentemente, voltarei ao tema em outras tantas colunas, provocando leitores e, acima de tudo, escritores a pensar diferente. Por enquanto, convido vocês a me enviarem links de outras obras literárias publicadas na internet para, aos poucos, criarmos uma biblioteca paralela somente com bons exemplos de literatura on-line. Somente assim, acabem as árvores, os papéis ou os livros, a literatura permanecerá mais viva do que nunca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-585952844286113407?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/585952844286113407/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/09/como-sera-literatura-na-internet.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/585952844286113407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/585952844286113407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/09/como-sera-literatura-na-internet.html' title='Como será a literatura na internet?'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-5449612343160258251</id><published>2009-07-26T10:09:00.000-07:00</published><updated>2009-07-26T10:12:06.907-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tecnologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comunicação'/><title type='text'>O blog da Petrobrás</title><content type='html'>Se alguma empresa ainda tem dúvidas sobre a validade de ter um blog paralelo ao site oficial, não pode deixar de conhecer o blog Fatos e Dados &lt;a href="http://www.blogspetrobras.com.br/fatosedados/"&gt;(http://www.blogspetrobras.com.br/fatosedados/&lt;/a&gt;), da maior empresa do Brasil, a Petrobrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O blog surgiu como uma inteligente resposta da empresa à polêmica instalação da CPI da Petrobrás. O objetivo inicial era publicar as perguntas enviadas pelos jornalistas, com as respostas na íntegra, o que deixou muitos jornalistas de cabelos em pé. Com o tempo o blog passou a publicar informações de interesse público, como esclarecimentos a respeito de patrocínios culturais, além de matérias que saem sobre a empresa no Brasil e no exterior e informações institucionais como o "&lt;a href="http://www.blogspetrobras.com.br/fatosedados/?page_id=807"&gt;Quadro dos investimentos em publicidade&lt;/a&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baseado em tecnologia do WordPress, o blog tem um layout limpo, de fácil navegação, um canal de transmissões ao vivo e espaço para comentários, o que torna a experiência ainda mais interessante. Há mais de 30 comentários para os últimos 3 posts do blog, e os acessos já superaram a marca de 1 milhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dúvidas é um belo exemplo de como utilizar uma tecnologia gratuita sem abrir mão do site nem ser reduntante, agregando valor à marca (no caso o foco é na transparência), e apostando na interatividade da web para estreitar as relações com investidores e público em geral, tirando um pouco a importância dos formadores de opinião.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-5449612343160258251?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/5449612343160258251/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/07/o-blog-da-petrobras.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/5449612343160258251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/5449612343160258251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/07/o-blog-da-petrobras.html' title='O blog da Petrobrás'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-8296774057886908186</id><published>2009-06-30T15:11:00.000-07:00</published><updated>2009-07-05T09:42:35.045-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><title type='text'>A arte da ficção de David Lodge</title><content type='html'>Era uma vez a musa inspiradora, uma entidade abstrata capaz de produzir páginas e páginas de poemas, histórias, cartas. A musa é uma personificação da inspiração, um estado de espírito considerado fundamental para a criação artística no Romantismo que sobreviveu ao movimento e atravessou séculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edgar Allan Poe, em “Filosofia da Composição”, talvez tenha sido o primeiro poeta a revelar sem pudor os bastidores da sua criação literária: “nunca tive a menor dificuldade de relembrar os passos progressivos de qualquer de minhas composições”, afirma. Criador do primeiro detetive lógico da literatura, Auguste Dupin, Poe representa o surgimento de uma Era racional e matemática que se opunha à estética romântica então em voga, o que nos faz compreender o belo ensaio e também suspeitar que muitas das suas afirmativas sobre a composição do poema “O Corvo” sejam, também, ficção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fato é que a partir de Poe a criação literária passou a ser tratada como construção capaz inclusive de ser ensinada e aprendida. No século XX, popularizaram-se oficinas de criação literária nos Estados Unidos, e, no Brasil, elas desembarcaram com força há pelo menos 25 anos, quando surgiu a primeira Oficina de Criação Literária da PUCRS, ministrada por Luiz Antonio de Assis Brasil. Não surpreende, portanto, que aos poucos se tenha acesso a tão profícua bibliografia sobre o tema, especialmente em língua inglesa, e é motivo de comemoração quando uma dessas obras é traduzida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o caso de A arte da ficção (L&amp;amp;PM, 2009, 246 p.), de David Lodge, romancista e crítico inglês. Originalmente publicado como colunas semanais no jornal The Independent on Sunday, o livro traz cinqüenta artigos sobre o romance, sempre partindo do trecho de uma ou mais obras e comentando sua construção. Lodge, segundo suas próprias palavras no Prefácio, tinha a pretensão de fazer um livro para “pessoas que preferem ter contato com a crítica literária em doses homeopáticas, um livro que não tem a pretensão de ter a última palavra em nenhum dos tópicos que abrange, mas que vai, espero, aguçar o entendimento e o proveito que os leitores tiram da prosa de ficção e sugerir novas possibilidades de leitura – quem sabe até de escrita – dessa que é a mais variada e a mais proveitosa de todas as formas literárias”. A preocupação de Lodge não é, portanto, ensinar a arte da ficção, e sim apresentá-la a leitores de romance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma, embora a divisão da obra dê a sensação de que teremos dicas de criação literária, pois abordam aspectos como “O autor intrometido”, “Nomes”, “Ambientação”, “Clima”, “Manipulação temporal”, em muitos capítulos temos mesmo teoria em doses homeopáticas, como em “Intertextualidade”, “Realismo mágico”, “Polifonia”, e em outros pequenas aulas sobre o romance, como em “Romance experimental”, “Romance cômico”, “Ideias”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa mescla de teoria com leitura e técnicas literárias, aliás, é que deve colocar o livro na lista básica de muitos cursos de Letras e na estante de muitos amantes de literatura, pois Lodge consegue ser claro nas suas definições e trazer temas complexos para o leigo sem abusar do academicismo nem se tornar superficial. Evidentemente aquele aspirante a escritor que espera encontrar receitas de bolo para seu novo romance talvez terminará a leitura desapontado, porque Lodge evita fórmulas, ele pretende mais apresentar a arte da ficção do que transmiti-la. Embora seja exatamente nessa exposição que podemos captar técnicas fundamentais para a criação literária:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Uma das marcas mais comuns de um ficcionista inexperiente ou desleixado”, dirá Lodge no capítulo sobre o “Ponto de Vista”, “é o tratamento inconsciente dispensado ao ponto de vista. Uma história – digamos, a história de John, que está saindo de casa para ir morar na universidade, contada sob a perspectiva de John: John faz as malas, dá uma última olhada no quarto, despede-se dos pais – e, de repente, por duas ou três frases, podemos ler o que sua mãe estava achando daquilo tudo, só porque o autor julgou que seria interessante acrescentar a informação naquele ponto da história; e a partir daí a narrativa retoma o ponto de vista de John. Claro, não há regras nem leis determinando que um romance não possa mudar de ponto de vista quando o autor bem entender; mas se essa decisão não for tomada de acordo com algum plano ou princípio estético, o envolvimento do leitor, o processo em que o sentido do texto se produz, será perturbado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já foi dito, cada capítulo, ou artigo, começa com o trecho de um ou mais romances, todos de língua inglesa, naturalmente, uma opção justificável num professor e crítico inglês. Não há, entretanto, como nós brasileiros não sentirmos falta de Machado de Assis ou Guimarães Rosa em capítulos como “O narrador não-confiável” ou “Ponto de Vista”, pelo menos que fossem citados seus nomes como o são García Márquez em “Realismo Mágico”, Baudelaire em “Simbolismo” ou Ítalo Calvino em “Surrealismo”. Sem contar uma grande omissão que permeia o romance, Dom Quixote, por muitos considerados o primeiro romance da literatura mundial (o esquecimento chega a ponto de no capítulo sobre “Metaficção” o autor dizer que “o avô de todos os romances metaficcionais é Tristam Shandy, cujos diálogos entre o narrador e os leitores imaginários são apenas um dos inúmeros recursos que Sterne usou para realçar a lacuna existente entre a vida e a arte, que o realismo tradicional tenta ocultar”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse sentido, fiquei com vontade de ler uma versão brasileira de “A arte da ficção” escrita por alguém como Milton Hatoum, alguém que citasse obras brasileiras e explorasse mais alguns aspectos estéticos próprios da literatura brasileira como a oralidade, o regionalismo e a violência urbana. Porque o romance, embora seja um gênero notoriamente europeu, ganhou o mundo e se transformou em cada continente por onde passou, da América de Garcia Márquez à África de Mia Couto, e esta talvez seja a principal explicação para seu sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso, porém, que também não acredito que um livro desses, no Brasil, pudesse se restringir ao romance. Ocorre que essa procura crescente por oficinas de criação literária tem se dado muito em função da prosa curta, ou seja, conto e crônica. E nesse sentido também sentimos falta, no livro, de capítulos sobre “concisão”, “intensidade” e “subtexto”, por exemplo, três conceitos chaves do conto moderno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais limitações da obra de Lodge, antes de diminuir o mérito de seu esforço de compilação e tentativa de popularização do fazer literário, apenas reforçam o quão complexa e universal é a literatura, uma arte milenar que não se permite apreender ou revelar por completo. E sem dúvidas sua principal missão é cumprida: depois de ler um livro como A arte da ficção você nunca mais será o mesmo leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Marcelo Spalding&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-8296774057886908186?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/8296774057886908186/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/06/arte-da-ficcao-de-david-lodge.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/8296774057886908186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/8296774057886908186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/06/arte-da-ficcao-de-david-lodge.html' title='A arte da ficção de David Lodge'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-7929598527933635663</id><published>2009-06-18T17:30:00.000-07:00</published><updated>2009-06-18T17:43:03.458-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><title type='text'>Um Twitter só para escritores</title><content type='html'>Vou confessar uma coisa: morro de inveja do &lt;a href="http://www.imdb.com/" target="_blank"&gt;IMDB&lt;/a&gt;, o enorme catálogo on-line com informações sobre todos os filmes possíveis e impossíveis. O funcionamento é simples e o cruzamento de dados, completo: acessando Tom Hanks você pode clicar em &lt;em&gt;Philadelphia&lt;/em&gt; e lá vai lembrar que Denzel Washington estava no elenco, e saber que um, ano antes, em 1992, Denzel esteve em &lt;em&gt;Malcolm X&lt;/em&gt;, junto com Angela Bassett, que não me lembra filme algum mas é muito bonita.&lt;p&gt;&lt;/p&gt;Bem, agora imagine um grande catálogo de livros, com todos os títulos do mundo, organizados por título, autor, sinopse, ano de publicação, língua original, traduções... O sistema já teria até nome: Biblioteca de Babel, em homenagem a Borges. E ele, sim, teria informação sobre todos os livros; acessando Stern chegaríamos em Machado, e dele em Eça de Queirós, e de Eça em Saramago, e as teias que formam qualquer arte ficariam ali, escancaradas para o deleite dos leitores e aprendizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro sistema que invejo um pouco, menos que o IMDB mas o bastante para querer tempo e dinheiro para inventar algo semelhante voltado para a literatura, é o MySpace. Imagine um MyBooks? Mas nele não poderiam estar só os chatos que usam a internet como gaveta e abarrotam nossa grande rede, era preciso que os grandes escritores vivos aderissem ao MyBooks, que seria agregado a uma espécie de Twitter literário, e lá os autores postariam as novidades dos seus trabalhos, avisariam sobre eventos dos quais participariam, e por aí vai.&lt;br /&gt;Como sonhar não custa, já fico imaginando quem eu seguiria, quais os 10 escritores vivos que eu não deixaria de seguir. Vejamos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Jose Saramago:&lt;/span&gt; não é só para posar de intelectual que começo pelo Nobel, mestre de nossa língua e ofício, dono de obra vasta e complexa, reconhecido pelo mundo, amado pelos brasileiros e renegado em Portugal. Saramago coloca qualquer leitor no seu lugar, lembrando-nos do quão difícil é fazer boa literatura e mesmo acompanhar boa literatura. Por isso, tenho uma meta de ler um Saramago por ano; por isso e também para ler Saramago ainda por muito tempo. Até agora, O Evangelho Segundo Jesus Cristo é o que mais me marcou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Gonçalo M. Tavares:&lt;/span&gt; já que estamos na terrinha, este poeta, contista, romancista e obstinado escritor merece ser seguido. O mais recente romance que li dele, Jerusalém, além de super premiado está em lugar de destaque na minha estante. Sem contar a belíssima série de minihistórias de seu O Bairro, como O Senhor Valéry e O Senhor Henri. Um caso raro de escritor que une inventividade com densidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Jonathan Safran Foer: &lt;/span&gt;confesso que só li um romance dele, Extremamente Alto &amp;amp; Incrivelmente Perto, mas quem escreveu algo tão magnífico merece ser seguido, ainda que provavelmente jamais faça algo parecido. A não ser que arriscasse uma continuação, com o pequeno Oskar já não tão pequeno mas ainda encantador, complexo, provocante. Devo a este romance do norte-americano Foer um outro olhar sobre o 11 de setembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;José Luandino Vieira: &lt;/span&gt;este escritor angolano é um belo exemplar da literatura africana em língua portuguesa, já tão rica. Contista e romancista de mão cheia, foi preso na terrível prisão salazarista de Tarrafal (espécie de Guantânamo de Salazar), devido ao sucesso de seu volume de contos Luuanda. De tom subversivo, vide "A estória do ovo e da galinha", mistura elementos da cultura africana no léxico e nas temáticas, o que o tornou representante legítimo dos angolanos mesmo sendo branco e nascido em Portugal. Em 2006 ainda se notabilizou por ser o primeiro escritor a recusar o Prêmio Camões, mais importante da língua portuguesa. Ah, e seria importante seguir ele no Twitter dos escritores porque está publicando uma trilogia depois de muito tempo afastado da literatura, e quero notícias dos volumes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Milton Hatoum: &lt;/span&gt;outro clássico, clássico no estilo e pela fama que conquistou. Professor universitário, romancista de mão cheia e com livro de contos quentinho na praça, Hatoum merece e precisa ser seguido por qualquer leitor brasileiro, sob pena de perdermos o que há de mais canônico em nossa literatura contemporânea. Nem que seja para criticar o estilo rebuscado e a overdose das paisagens manauaras. Com Dois Irmãos e três jabutis, Hatoum hoje é quem está mais perto de um dia, quem sabe, trazer um Nobel de Literatura para o Brasil.&lt;br /&gt;Ana Maria Gonçalves: li um romance só dessa mineira, mas um romance de mais de 1000 páginas! Um defeito de cor merece ser lido e lembrado tanto pela abordagem de tema tão delicado na nossa história quanto, sobretudo, pela composição narrativa capaz de nos guiar ao longo das centenas de páginas. É uma impressionante epopeia que não ganhou prêmios ― e quem precisa deles? ―, mas me deixou com vontade de ler mais Ana Maria Gonçalves. Aliás, por que ainda é tão difícil para as mulheres ganhar um importante prêmio literário?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Fernando Bonasi: &lt;/span&gt;este paulista escreveu o que talvez seja a melhor novela do chamado neorrealismo brasileiro, este estilo que coloca a favela, o subúrbio em primeiro plano. Subúrbio, de 1994, abriu caminho para Cidade de Deus e as dezenas de contos à Marcelino Freire que temos por aí. Além disso, Bonasi é autor de um dos melhores livros de minicontos que eu conheço, Passaporte. Beleza de histórias, beleza de conjunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ferréz: &lt;/span&gt;é possível que ele não estivesse nesse Twitter de escritores, pois na Wikipédia ainda não está. Mas Ferréz, um híbrido de Virgulino Ferreira (Ferre) e Zumbi dos Palmares (Z) e uma homenagem a heróis populares brasileiros, é um escritor que merece ser seguido porque toca em outro tom nessa orquestra quase uníssona que é nossa literatura brasileira. Nascido no subúrbio paulista e ligado ao movimento hip-hop, tem conseguido espaço entre os doutos da literatura e já figura em revistas, editoras, programas de TV e universidades, espaços sempre tão seletivos. Com aparente autenticidade, que falta para tantos narradores "marginais" ou "suburbanos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Cristovão Tezza: &lt;/span&gt;que me perdoem Trevisan, Cony, Scliar, Assis Brasil, mas tenho optado por escritores da geração formada por eles. Com exceção, talvez, dos estrangeiros Saramago e Luandino. De Curitiba, então, quero seguir o Cristovão Tezza, romancista capaz de inventar e reinventar narradores, produzindo uma ficção de fôlego (eta palavrinha da moda) e interesse. O melhor que li, até agora, foi O Fantasma da Infância, mas iria segui-lo porque sei que vem muito mais por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Cíntia Moscovich: &lt;/span&gt;pra não dizer que não falei dos meus pagos, a Cíntia merece ser seguida por tudo o que escreveu e ainda irá escrever. O melhor miniconto de todos já escritos, para mim, é dela: "Uma vida inteira pela frente. O tiro veio por trás". E sua produção contística já corre mundo pelo estilo clássico, eloquente, cuidadoso. Mestre em literatura com dissertação sobre a teoria do conto de Poe a Piglia, tem verdadeiras obras-primas como "A grande e invisível África" e "A gramática dos erros".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, que me perdoem Philip Roth, Alessandro Baricco, Chico Buarque e tantos outros que ficaram de fora, listas são listas. Mas, e você, quais 10 escritores seguiria nesse improvável MyBooks, o Twitter da literatura?&lt;span style="font-family:Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;     &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-7929598527933635663?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/7929598527933635663/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/06/um-twitter-so-para-escritores.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/7929598527933635663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/7929598527933635663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/06/um-twitter-so-para-escritores.html' title='Um Twitter só para escritores'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-6410799572118245000</id><published>2009-06-11T08:44:00.000-07:00</published><updated>2011-04-08T10:00:44.480-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tecnologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comunicação'/><title type='text'>Resenha de "A Cauda Longa"</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Marcelo Spalding&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Há um livro muito interessante circulando pelo meio  empresarial e acadêmico (aliás, meios cada vez mais misturados) chamado “A  Cauda Longa”, de Chris Anderson. No livro, lançado no Brasil pela Editora  Campus, o editor da revista Wired amplia um conceito cunhado por ele, o de  Cauda Longa, e debate seus efeitos na economia, administração e cultura.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Basicamente, a cauda longa é o que no Brasil conhecemos por  "base da pirâmide", os 80% que costumavam representar apenas 20% das  vendas e por isso eram relegados pela indústria e comércio tradicionais. Agora,  com as novas tecnologias de comunicação, distribuição e comércio, diversas  empresas apostam exatamente nesses consumidores (Google, eBay, iTunes) e provam  como pode ser lucrativo olharmos para a cauda da curva (ou a base da pirâmide),  e não apenas para sua ponta, ampliando as ofertas e criando verdadeiros nichos.&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;img src="http://www.ibuscas.com.br/site/artigos/cauda_longa_economia_digita.jpg" width="350" height="253" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para ilustrar, o primeiro exemplo de Anderson é o de músicas  baixadas pela Rhapsody (serviço pago de download de músicas). Claro que há os  hits, há músicas com 180.000 baixas e há em torno de 2 mil músicas com mais de  20 mil baixas. Mas há outras 25.000 músicas com pelo menos mil downloads (o  que, no conjunto, é mais lucrativo que os hits). E, mais do que isso, há 95.000  músicas com mais de 100 downloads e todas as 800.000 músicas no site tiverem  pelo menos um download.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O primeiro capítulo talvez seja o que mais interessa para  nós, artistas: debate como a tecnologia está convertendo o mercado cultural de  massa em milhões de nichos. Segundo as observações de Chris Anderson, se a  indústria do entretenimento no século XX baseava-se em &lt;em&gt;hits&lt;/em&gt;, a do século  XXI se concentrará com a mesma intensidade em nichos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Os consumidores estão mergulhando de cabeça nos  catálogos, para vasculhar a longa lista de títulos disponíveis, muito além do  que é oferecido na Blockbuster Video e na Tower Records. E quanto mais  descobrem, mais gostam da novidade. À medida que se afastam dos caminhos  conhecidos, concluem aos poucos que suas preferências não são tão convencionais  quanto supunham (ou foram induzidos a acreditar pelo marketing, pela cultura de  hits ou simplesmente pela falta de alternativas." &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Recuando um pouco no livro, pois a Introdução é quase uma  parte desse primeiro capítulo, o autor apresenta números que demonstram essa  queda do mundo dos hits: "quase todos os cinqüenta álbuns musicais mais  vendidos de todos os tempos foram gravados nas décadas de 1970 e 1980 e nenhum  deles é dos últimos cinco anos".&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Talvez isso valha também para o cinema, certamente vale para  a televisão, não por acaso hoje não temos ícones da indústria cultural como  foram Madonna e Michael Jackson nos anos 80 (por aqui, Xuxa e Roberto Carlos,  talvez Sílvio Santos), e as celebridades revezam-se com velocidade espantosa  nas capas das revistas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O que há no lugar disso? O nicho, ou seja, o surgimento de  milhares de grupos com interesses mais específicos. Na música, por exemplo, há  os que curtem o tradicionalismo clássico, os que preferem o tradicionalismo  moderno, os que ouvem sertanejo, os que ouvem Caetano, os que ficaram nos anos  dourados do rock'n'roll, os fãs de música gospel e por aí vai. Você dirá que  antes já havia essa multiplicidade de gostos, claro, mas hoje, como nunca e  muito por causa da internet, TUDO está disponível e ao alcance de alguns  cliques, alimentando e fomentando esses grupos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Assim, a velha máxima que "20% dos produtos respondem  por 80% das vendas, e geralmente 100% dos lucros", está em xeque. Hoje  todos encontram público, em maior ou menos quantidade, mas encontra. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nosso portal, o Artistas Gaúchos, não deixa de ser um bom  exemplo disso. Temos mais de 750 artistas cadastrados, dos mais variados  estilos, das mais variadas artes, unidos apenas pelo fato de terem nascido ou  trabalharem no Rio Grande do Sul. Claro que há os artistas mais procurados (na  última contagem, Leia Cassol, na foto ao lado, era a que mais gerava acessos ao AG), mas os dados  de acesso demonstram que praticamente todos os artistas tiveram pelo menos um  acesso nos últimos meses, e seria praticamente impossível separarmos os 20%  mais acessados dos demais, pois eles representariam menos da metade dos  acessos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mais do que isso, o conceito de cauda longa diminui um pouco  a velha angústia que temos em relação aos &lt;em&gt;hits &lt;/em&gt;nacionais e  internacionais, sempre nas capas dos jornais, nas vitrines das lojas, com os  teatros lotados e os cofres cheios. Muitos, é claro, de qualidade duvidosa,  porque como bem aponta Anderson, estar no topo da curva não é sinal de  qualidade, e sim de penetração comercial, o que muitas vezes requer uma  homogeneização do produto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Isso não significa que na outra ponta da curva, onde estamos  nós, reside a alta qualidade artística. Nada disso: nos nichos há o melhor e o  pior em termos de qualidade, até porque cada público terá o seu conceito de  qualidade. Mas não podemos negar que um amante da música clássica, por exemplo,  vê muito mais qualidade num disco da Anabel Alzaibar do que num da Ivete  Sangalo, e para um apreciador do nativismo é muito melhor o Joca Martins do que  o Caetano Veloso. Isso é cauda longa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Naturalmente se fizermos outro recorte, veremos que o  próprio mercado gaúcho criou seus &lt;em&gt;hits&lt;/em&gt;, como Moacyr Scliar, Engenheiros  do Hawai, Tangos e Tragédias, e não é por acaso que poucos desses hits gaúchos  estejam cadastrados no portal: para ser um &lt;em&gt;hit&lt;/em&gt; não basta ser um &lt;em&gt;hit&lt;/em&gt;,  é preciso comportar-se como um. Mas também é evidente que os figurões não  conseguem mais abarcar fatia tão grande do mercado, e aos poucos a força do  conjunto que se torna mais importante que uma ou outra celebridade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O efeito de tudo isso? Para Anderson, e espero que ele tenha  razão, não é um maior entredevoramento entre os artistas, e sim uma maior  procura pela arte. Quando alguém encontra um nicho de música ou literatura que  realmente goste, com a qual se identifique, e não seja apenas fruto de um modismo  midiático, ele tende a consumir mais, ser mais fiel, freqüentar mais shows ou  lançamentos. Aliás, nosso robusto mercado de música tradicionalista que o diga.&lt;/p&gt;No final das contas, a cauda longa somos nós, e já é  hora de pararmos de brigar com ou invejar os &lt;em&gt;hits&lt;/em&gt; e qualificarmos nosso  trabalho, melhorar nosso profissionalismo, forçando a cauda da curva para cima  e criando, com isso, nosso próprio público, nossos próprios &lt;em&gt;hits&lt;/em&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-6410799572118245000?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/6410799572118245000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/06/ha-um-livro-muito-interessante.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/6410799572118245000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/6410799572118245000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/06/ha-um-livro-muito-interessante.html' title='Resenha de &quot;A Cauda Longa&quot;'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-4971858132357551170</id><published>2009-05-28T09:06:00.000-07:00</published><updated>2009-05-28T09:11:31.169-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><title type='text'>Entrevista publicada no ClicRBS</title><content type='html'>&lt;span style=""&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span&gt;&lt;a href="http://www.marcelospalding.com/"&gt;Marcelo Spalding&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span&gt; publicou seu primeiro livros aos 16 anos uma obra que, nas palavras dele, "naturalmente se tornou um livro infanto-juvenil porque era a idade que eu tinha na época". Hoje, 12 anos depois, Spalding é professor da Oficina de Criação Literária da Uniritter, ex-integrante da direção da Associação Gaúcha de Escritores e um autor com livros que transitam do infanto-juvenil ao adulto, caso de sua obra &lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span&gt;Crianças do Asfalto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. livro que transforma em contos os resultados de pesquisas sobre crianças de rua. É também sócio da &lt;a target="_blank" href="http://www.casaverde.art.br/"&gt;Editora Casa Verde,&lt;/a&gt; pela qual publicou recentemente &lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;a target="_blank" href="http://www.artistasgauchos.com.br/casaverde/?pid=143&amp;amp;ct=0"&gt;Minicontos e muito menos&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;,&lt;/span&gt;&lt;span&gt; escrito em parceria com Lais Chaffe no sistema livro-dois-em-um: de um lado o livro é de um, do outro, pelo avesso, é o livro do outro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;Mundo Livro — Algo que me chamou a atenção ao selecionar os nomes para esta matéria foi o grande número de autores da tua faixa etária que estão de alguma forma ligados à universidade. C&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;arol Bensimon é mestre em Literatura Brasileira, cursa o doutorado na Sorbonne. Diego Grando é mestre em escrita criativa pela PUCRS e também cursa doutorado na França. Telma Scherer é mestre em Literatura Comparada, e tu mesmo é mestre em Literatura Brasileira. A nova geração literária está mais ligada à academia?&lt;br /&gt;Marcelo Spalding&lt;/strong&gt; — Acho que uma das explicações para isso &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;a questão da oportunidade. O acesso à universidade hoje é mais fácil e as universidades de modo geral estão muito mais abertas a propostas que envolvam criação literária. A universidade hoje aceita mais facilmente propostas que antes eram rejeitas pelo apego a uma certa rigidez de normas. E creio que, do ponto de vista do escritor, há uma necessidade de especialização, de uma independência maior para fazer sua própria reflexão, que vem desse aperfeiçoamento.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;strong&gt;Mundo Livro - Como se deu tua aproximação do universo literário? Consegues apontar um momento em que tiveste o estalo de que escritor era um ofício que querias seguir?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;strong&gt;Marcelo —&lt;/strong&gt; A própria Zero Hora tem parte nisso. Eu tinha 11 anos e participei de um concurso,o Jornalista por um Dia, e tive um texto publicado. Mais tarde participei de novo e outra vez fui selecionado, e depois de ganhar duas vezes eu vi que talvez ser jornalista fosse um caminho para mim, e fui fazer e me formei em jornalismo. Mas é aquilo, jornalista até escreve, mas não necessariamente é um profissional que reflete sobre a palavra. Por isso fui fazer um mestrado em literatura - e eu queria dar aulas, também, e percebi que, se quisesse das aulas, talvez fosse melhor fazer letras na graduação também.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;Mundo Livro — A mim me &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;strong&gt;parece que és de uma geração que não tem um rótulo ou bandeira sob o qual se unir ou ser enquadrado, mas na qual o diálogo ainda assim se estabelece. É mais confortável poder lidar apenas com a literatura sem pensar em termos de um "movimento literário"?&lt;br /&gt;Marcelo —&lt;/strong&gt; A rotulação ainda existe. &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;Acho que se associa muito os integrantes de uma geração que não é homogênea. Fico muito brabo quando juntam tudo e dizem que a "nova geração" faz uma literatura que une niilismo com sexo e drogas. Até há escritores que fazem isso, mas infelizmente se tenta reduzir isso de forma homogênea. Talvez haja uma onda de autores mais novos que esteja mais liberta disso, disposta a fazer um texto realmente novo. Acima de qualquer rótulo temático está a questão estética. As preocupações temáticas também não podem ser reduzidas, há provocações em outros temas. Esta geração não pode esconder a diversidade que existe - diversidade social inclusive. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=""&gt;Mundo Livro — Os novos autores também parecem ter uma autonomia maior em termos de buscar espaços - juntam-se em cooperativas, fundam seus próprios projetos, em último caso publicam na internet. Seria uma turma mais disposta a fazer as coisas acontecerem?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Marcelo —&lt;/strong&gt; Vi o&lt;strong&gt; Airton Ortiz&lt;/strong&gt; (escritor e jornalista especializado em livros de viagens e aventuras ao redor do mundo) dizer certa vez que o escritor hoje tem de saber escrever e se divulgar. Eu acho isso horrível, para mim escritor escreve e pronto, mas não sou ingênuo de saber que se um escritor não tiver um mínimo de envolvimento com a divulgação de seu livro a coisa simplesmente não acontece. Há muita gente escrevendo, poucos espaços de divulgação e é claro que o leitor vai ler a obra de quem for divulgado primeiro ou melhor. O fator internet é também importante nisso também. Hoje a gente escreve e consegue um público de leitores, e isso incentiva que se continue escrevendo. Claro, há um momento em que a publicação impressa continua a ser almejadas, mas normalmente ela chega em um momento curioso. Eu, por exemplo, posso dizer que tenho mais leitores na Internet do que fora dela (&lt;em&gt;Marcelo mantém, entre outros, o&lt;a target="_blank" href="http://ospalding.blogspot.com/"&gt;blog O Spalding&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;) &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;strong&gt;Mundo Livro — E com quem dentre os escritores em atividade acreditas que tua obra estabelece algum diálogo, seja em temas, seja na forma?&lt;br /&gt;Marcelo —&lt;/strong&gt; Não tenho muito contato com o trabalho da &lt;/span&gt;Geração mais nova. Eu diria que autores que foram importantes para mim e com quem acho que divido alguns interesses seriam o &lt;strong&gt;Assis Brasil&lt;/strong&gt;, a &lt;strong&gt;Cintia Moscovich&lt;/strong&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;Mundo Livro — Há uns vinte anos, eram levantadas muitas críticas sobre a validade de uma oficina. Isso hoje parece uma discussão que ficou para trás, dado que a maioria dos atuais autores passou por uma.&lt;br /&gt;Marcelo —&lt;/strong&gt; Eu mesmo ministro oficinas literárias na Uniritter faz uns dois anos. Acho que se chegou à conclusão de que é bobagem dizer que oficina vai dar fórmulas para os autores, ou que vai padronizar os textos. Por isso não nos tornamos homogêneos. Fiz cinco anos de oficina com o mesmo autor, o Charles. A própria Cíntia que estudou muitos com o Assis Brasil, não tem nada a ver com o estilo dele.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;small&gt;Postado por Carlos André Moreira&lt;!-- 185498--&gt; às 06h10&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&amp;amp;uf=1&amp;amp;local=1&amp;amp;template=3948.dwt&amp;amp;section=Blogs&amp;amp;post=185498&amp;amp;blog=31&amp;amp;coldir=1&amp;amp;topo=3951.dwt"&gt;Clique aqui para ver no original&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/small&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-4971858132357551170?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/4971858132357551170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/05/entrevista-publicada-no-clicrbs.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/4971858132357551170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/4971858132357551170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/05/entrevista-publicada-no-clicrbs.html' title='Entrevista publicada no ClicRBS'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-6314707648829520590</id><published>2009-05-21T07:20:00.001-07:00</published><updated>2009-05-21T07:20:29.862-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tecnologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comunicação'/><title type='text'>A Cauda Longa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_pdIdPGTVnKw/ShVdUDwD80I/AAAAAAAAAIw/Mn7jmIlARmk/s1600-h/CaudaLonga.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 225px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_pdIdPGTVnKw/ShVdUDwD80I/AAAAAAAAAIw/Mn7jmIlARmk/s320/CaudaLonga.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338275532503249730" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Um livro obrigatório para profissionais da internet e empreendedores em geral. Chris Anderson, editor da revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Wired&lt;/span&gt;, amplia um conceito cunhado por ele, o de Cauda Longa, e debate seus efeitos na economia, administração e cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basicamente, a cauda longa é o que no Brasil conhecemos por "base da pirâmide", os 80% que costumavam representar apenas 20% das vendas e por isso eram relegados pela indústria e comércio tradicionais. Agora, com as novas tecnologias de comunicação, distribuição e comércio, diversas empresas apostam exatamente nesses consumidores (Google, eBay, iTunes) e provam como pode ser lucrativo olharmos para a cauda da curva (ou a base da pirâmide), e não apenas para sua ponta, ampliando as ofertas e criando verdadeiros nichos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.ibuscas.com.br/site/artigos/cauda_longa_economia_digita.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 350px; height: 253px;" src="http://www.ibuscas.com.br/site/artigos/cauda_longa_economia_digita.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Para ilustrar, o primeiro exemplo de Anderson é o de músicas baixadas pela Rhapsody (serviço pago de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;download&lt;/span&gt; de músicas). Claro que há os hits, há músicas com 180.000 baixas e há em torno de 2 mil músicas com mais de 20 mil baixas. Mas há outras 25.000 músicas com pelo menos mil downloads (o que, no conjunto, é mais lucrativo que os hits). E, mais do que isso, há 95.000 músicas com mais de 100 downloads e todas as 800.000 músicas no site tiverem pelo menos um download.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa análise pode ser feita em sites, por exemplo. Há na internet, segundo Anderson, mais de 1 bilhão de sites. Há, sem dúvidas, os mais acessados, mas provavelmente todos esses milhões de sites tiveram pelo menos um acesso no mês passado, o que significa que na Era da diversidade o importante é fazer um bom trabalho que, assim, haverá público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o livro é extenso e interessante, publicaremos aos poucos alguns textos baseado em cada um dos 14 capítulos. É assunto para um mês inteiro, mas se você leu o livro sabe que vale pelo ano todo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-6314707648829520590?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/6314707648829520590/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/05/cauda-longa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/6314707648829520590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/6314707648829520590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/05/cauda-longa.html' title='A Cauda Longa'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_pdIdPGTVnKw/ShVdUDwD80I/AAAAAAAAAIw/Mn7jmIlARmk/s72-c/CaudaLonga.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-6558291173419735387</id><published>2009-05-17T16:09:00.000-07:00</published><updated>2009-05-17T16:39:03.828-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tecnologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comunicação'/><title type='text'>Como é difícil mudar o que o Google diz a respeito de alguém</title><content type='html'>Você já experimenou colocar seu nome no Google? Faça isso e surpreenda-se. Com alguma sorte, você irá se identificar com os resultados, o currículo Lattes, um concurso realizado, talvez um blog. Agora, se você não gostar nada dos resultados, cuidado: é muito difícil mudar o que o Google diz a respeito de alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine, por exemplo, que Paulo Maluf consiga convencer o partido dele a lançá-lo candidato a presidente em 2010 e faça um acordo com as grandes redes de TV, rádio e jornal para apoiá-lo. Ainda assim terá um obstáculo enorme pela frente: o Google. Experimente colocar "Paulo Maluf" no Google e você verá que já na terceira citação o nome dele está associado a corrupção com um título nada agradável: "Mapa da corrupção: Paulo Maluf". Depois vem uma versão escrachada da Desciclopédia (uma bobagem que pegou, como muitas bobagens pegam na internet) e um comentário de um post associando-o com a Ditadura Militar (interessante que esse post está numa entrevista da Veja São Paulo com Maluf, mas a entrevista não é destaque no Google, o comentário sim...).  Em seguida vem uma matéria novamente associando seu nome à corrupção, outra lembrando que ele é o candidato que responde a mais processos do Brasil e até uma relacionando seu nome a bebidas. Isso só entre os 10 primeiros resultados!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se serve de consolo a Maluf, Bill Gates, muito mais rico, famoso e respondendo a beeeeem menos processos, também é alvo das "fofocas do Google". O terceiro site que retorna se buscarmos seu nome tem no título "Bill Gates é o Anticristo. Ele é a própria besta do Apocalipse...". E até a busca por Jesus Cristo retornará, também no terceiro item, uma página com o título "Jesus Cristo nunca Existiu".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Empresas de renome e forte, forte não, ENORME investimento em marketing também sofrem com os resultados googleanos.  O Mc Donald's, por exemplo, apesar de se esforçar para criar boas referências com mais de um site próprio no Brasil (mcdonalds.com.br, mcentrega.com.br...), já na primeira página do Google vê os fantasmas da maledicência com resultados como "As coisas da McDonald's: hambúrgueres são feitos de ..." e o headline do verbete da Desciclopedia: "&lt;em&gt;McDonald's&lt;/em&gt; é uma rede de fast-food que vende comida envenenada para criancinhas, o que naturalmente fez com que se tornasse a mais popular rede de fast-food".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso da busca por Nike, o quarto site sugerido pelo Google é o "Boycott Nike Home Page", que afirma na headline: "&lt;em&gt;Nike&lt;/em&gt; factories continue to abuse its workers and violate their labor rights". Esse site, apesar de estar em inglês, aparece antes mesmo de um blog criado pela Nike Brasil, o nikecorre.com.br, certamente já criado com o objetivo de figurar nos primeiros da lista do Google e empurrar para baixo sites com referências negativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para finalizar, um exemplo brasileiro, a Casas Bahia, uma das maiores anunciantes do país. Os cinco primeiros itens são favoráveis, e todos claramente institucionais, criados pela própria empresa: o site, canal do YouTube e verbete da Wikipedia. Mas logo a seguir vem um site sobre "Chato das Casas Bahia", uma notícia dizendo que a empresa demitiu seu garoto propaganda por ele participar de uma passeata gay e, o pior de todos para a empresa, um post de fórum chamado "Quer pagar quanto ??? AS CASAS BAHIA SE FERROU!!!!!", que conta de um advogado que teria ido numa loja e pago R$ 1,00 por um eletrodoméstico, alegdando que aquilo é o que ele podia pagar, e como a propaganda dizia "Quer pagar quando? aqui vc paga o quanto vc pode!", ele levou o produto. Isso tudo, claro, nos primeiros 10 sites da busca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, a internet aos poucos é mesmo um espelho do mundo, e o Google seu reflexo mais preciso. O que as pessoas falam se torna tão importante quanto o que as empresas se esforçam por dizer, e as instituições aos poucos vão aprendendo a conviver com essas lendas, maledicências, reclamações tornadas públicas, muitas vezes autênticas mas muitas vezes criadas por agências de propagandas preteridas ou ações de marketing dos concorrentes (sim, há isso também...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os consumidores, pelo sim, pelo não o melhor é desconfiar sempre. E para os empreendedores resta o lema dos escoteiros: sempre alerta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-6558291173419735387?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/6558291173419735387/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/05/como-e-dificil-mudar-o-que-o-google-diz.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/6558291173419735387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/6558291173419735387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/05/como-e-dificil-mudar-o-que-o-google-diz.html' title='Como é difícil mudar o que o Google diz a respeito de alguém'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-7945001260024179211</id><published>2009-05-16T08:31:00.000-07:00</published><updated>2009-05-16T08:33:25.499-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficções'/><title type='text'>Blog</title><content type='html'>Está no ar o blog da Oficina de Criação Literária Uniritter, instituída em 2007 com o objetivo de fomentar a criação literária entre a comunidade em geral, e não apenas entre os alunos da Universidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ministrada por mim, a oficina tem aulas multimídias, realizadas no laboratório de informática, onde os aspectos teóricos da criação são apresentados de forma dinâmica e interativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse blog foi elaborado a pedido dos alunos para publicar os melhores trabalhos produzidos na Oficina. Para muitos é a primeira experiência na aventura da publicação, mas de certo para vários deles não será a única, como comprova o talento dos textos aqui expostos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confira: &lt;a href="http://oficinauniritter.blogspot.com/"&gt;http://oficinauniritter.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-7945001260024179211?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/7945001260024179211/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/05/blog.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/7945001260024179211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/7945001260024179211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/05/blog.html' title='Blog'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-3323871687597987651</id><published>2009-05-12T17:27:00.000-07:00</published><updated>2009-05-12T17:35:17.533-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tecnologia'/><title type='text'>Um Twitter só para escritores</title><content type='html'>&lt;p&gt;Vou confessar uma coisa: morro de inveja do &lt;a href="http://www.imdb.com/" target="_blank"&gt;IMDB&lt;/a&gt;, o enorme catálogo &lt;em&gt;online&lt;/em&gt; com informações sobre todos os filmes possíveis e impossíveis. O  funcionamento é simples e o cruzamento de dados, completo: acessando  Tom Hanks você pode clicar em &lt;em&gt;Philadelphia&lt;/em&gt; e lá vai lembrar que Denzel Washington estava no elenco, e lá vai saber que um  ano antes, em 1992, Denzel esteve em &lt;em&gt;Malcolm X&lt;/em&gt;, junto com Angela Bassett  que não me lembra filme algum mas é muito bonita.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Bem, agora imagine um grande catálogo de livros, com todos os  títulos do mundo, organizados por título, autor, sinopse, ano de  publicação, língua original, traduções... O sistema já teria até nome:  Biblioteca de Babel, em homenagem a Borges. E ele sim teria informação  sobre todos os livros, acessando Stern chegaríamos em Machado e dele em  Eça de Queirós e de Eça em Saramago e as teias que formam qualquer arte  ficariam ali, escancaradas para o deleite dos leitores e aprendizes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outro sistema que invejo um pouco, menos que o IMDB mas o bastante  para querer tempo e dinheiro para inventá-lo, é o MySpace, que nada  mais é que um twitter para músicos... Imagine um twitter para  escritores, um MyBooks? Mas nele não poderiam estar só os chatos que  usam a internet como gaveta e abarrotam nossa grande rede, era preciso  que os grandes escritores vivos aderissem ao MyBooks, ao Twitter da  literatura, e lá postassem as novidades do seu trabalho, avisassem  quando estivessem palestrando em nossa cidade, e por aí vai.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como sonhar não custa, já fico imaginando quem eu seguiria, quais os  10 escritores vivos que eu não deixaria de seguir. Vejamos:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Jose Saramago: &lt;/strong&gt;não é só para posar de intelectual  que começo pelo Nobel, mestre de nossa língua e ofício, dono de obra  vasta e complexa, reconhecido pelo mundo, amado pelos brasileiros e  renegado em Portugal. Saramago coloca qualquer leitor no seu lugar  lembrando-nos o quão difícil é fazer boa literatura e mesmo acompanhar  boa literatura. Por isso tenho uma meta de ler um Saramago por ano, por  isso e também para ler Saramago ainda por muito tempo, e até agora &lt;em&gt;Evangelho Segundo Jesus Cristo &lt;/em&gt;é o  que mais me marcou.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Gonçalo M. Tavares: &lt;/strong&gt;já que estamos na terrinha,  este poeta, contista, romancista e obstinado escritor merece ser  seguido. O mais recente romance que li dele, &lt;em&gt;Jerusalém&lt;/em&gt;, além de super premiado está em  lugar de destaque na minha estante. Sem contar a belíssima série de  minihistórias de seu &lt;em&gt;O Bairro&lt;/em&gt;, como &lt;em&gt;O Senhor Valéry &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;O Senhor  Henri&lt;/em&gt;. Um caso raro de escritor que une inventividade com densidade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Jonathan Safran Foer: &lt;/strong&gt;confesso que só li um romance  dele, &lt;em&gt;Extremamente Alto &amp;amp; Incrivelmente Perto&lt;/em&gt;,  mas quem escreveu algo tão magnífico merece ser seguido, ainda que  provavelmente jamais faça algo parecido. A não ser que arriscasse uma  continuação, com o pequeno Oskar já não tão pequeno mas ainda  encantador, complexo, provocante. Devo a este romance do  norte-americano Foer um outro olhar sobre o 11 de setembro. E sobre a  dificuldade de lidar com temas contemporâneos na ficção.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;José Luandino Vieira: &lt;/strong&gt;este escritor angolano é um  belo exemplar da literatura africana em língua portuguesa, já tão rica.  Contista e romancista de mão cheia, foi preso na terrível prisão  salazarista de Tarrafal (espécie de Guantânamo de Salazar), devido ao  sucesso de seu volume de contos &lt;em&gt;Luuanda&lt;/em&gt;. De tom subversivo,  vide “A estório do ovo e da galinha”, mistura elementos da cultura  africana no léxico e nas temáticas, o que o tornou representante  legítimo dos angolanos mesmo sendo branco e nascido em Portugal. Em  2006 ainda se notabilizou por ser o primeiro escritor a recusar o  Prêmio Camões, mais importante da língua portuguesa. Ah, e seria  importante seguir ele no Twitter dos escritores porque está publicando  uma trilogia depois de muito tempo afastado da literatura, e quero  notícias dos volumes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Milton Hatoum: &lt;/strong&gt;outro clássico, clássico no estilo e  pela fama que conquistou. Professor universitário, romancista de mão  cheia e com livro de contos quentinho na praça, Hatoum merece e precisa  ser seguido por qualquer leitor brasileiro sob pena de perdermos o que  há de mais canônico em nossa literatura contemporânea. Nem que seja  para criticar o estilo rebuscado e a overdose das paisagens manauaras.  Com &lt;em&gt;Dois Irmãos &lt;/em&gt;e três jabutis,  Hatoum hoje é quem está mais perto de um dia, quem sabe, trazer um Nobel de  Literatura para o Brasil.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Ana Maria Gonçalves: &lt;/strong&gt;li um romance só dessa mineira,  mas um romance de mais de 1000 páginas! &lt;em&gt;Um defeito de cor&lt;/em&gt; merece ser lido e lembrado tanto pela abordagem de tema tão delicado na  nossa história quanto, sobretudo, pela composição narrativa capaz de  nos guiar ao longo das centenas de páginas. É uma impressionante  epopeia que não ganhou prêmios, e quem precisa deles?, mas me deixou  com vontade de ler mais Ana Maria Gonçalves. Aliás, por que ainda é tão  difícil para as mulheres ganhar um importante prêmio literário?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Fernando Bonasi: &lt;/strong&gt;este paulista escreveu o que  talvez seja a melhor novela do chamado neo-neorealismo brasileiro, este  estilo que coloca a favela, o subúrbio, em primeiro plano. &lt;em&gt;Subúrbio&lt;/em&gt;, de 1994, abriu  caminho para &lt;em&gt;Cidade de Deus &lt;/em&gt;e as dezenas de contos à &lt;em&gt;Marcelino Freire &lt;/em&gt;que temos por aí. Além disso, Bonasi é autor de um dos melhores livros de  minicontos que eu conheço, &lt;em&gt;Passaporte&lt;/em&gt;. Beleza de histórias, beleza de  conjunto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Ferréz: &lt;/strong&gt;é possível que ele não estivesse nesse  Twitter de escritores, pois na Wikipedia ainda não está. Mas Ferréz, um  híbrido de Virgulino Ferreira (Ferre) e Zumbi dos Palmares (Z) e uma  homenagem a heróis populares brasileiros, é um escritor que merece ser  seguido porque toca em outro tom nessa orquestra quase uníssona que é  nossa literatura brasileira. Nascido no subúrbio paulista e ligado ao  movimento hip hop, tem conseguido espaço entre os doutos da literatura  e já figura em revistas, editoras, programas de TV e universidades,  espaços sempre tão seletivos. Com aparente autenticidade, que falta  para tantos narradores “marginais” ou “suburbanos”.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Cristóvão Tezza: &lt;/strong&gt;que me perdoem Trevisan, Cony,  Scliar, Assis Brasil, mas tenho optado por escritores da geração &lt;em&gt;formada&lt;/em&gt; por eles. Com exceção, talvez, dos estrangeiros Saramago e Luandino. De  Curitiba, então, quero seguir o Cristóvão Tezza, romancista capaz de  inventar e reinventar narradores, produzindo uma ficção de fôlego (eta  palavrinha da moda) e interesse. O melhor que li, até agora, foi “O  Fantasma da Infância”, mas iria segui-lo porque sei que vem muito mais  por aí.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Cíntia Moscovich: &lt;/strong&gt;pra não dizer que não falei dos  meus pagos, a Cíntia merece ser seguida por tudo o que escreveu e ainda  irá escrever. O melhor miniconto de todos já escritos, para mim, é  dela: “Uma vida inteira pela frente. O tiro veio por trás”. E sua  produção contística já corre mundo pelo estilo clássico, eloqüente,  cuidadoso. Mestre em literatura com dissertação sobre a teoria do conto  de Poe a Piglia, tem verdadeiras obras primas como “A grande e  invisível África” e “A gramática dos erros”.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Bem, que me perdoem Philip Roth, Antonio Baricco, Chico Buarque e  tantos outros que ficaram de fora, listas são listas. Mas e você, quais  10 escritores seguiria nesse improvável MyBooks, o Twitter da  literatura?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-3323871687597987651?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/3323871687597987651/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/05/um-twitter-so-para-escritores.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/3323871687597987651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/3323871687597987651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/05/um-twitter-so-para-escritores.html' title='Um Twitter só para escritores'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-7891951367249004733</id><published>2009-04-20T10:54:00.001-07:00</published><updated>2009-04-20T10:54:38.244-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><title type='text'>Lançamento de meu novo livro</title><content type='html'>A atração da FestiPoa Literária no próximo dia 23 de abril (quinta-feira) é um lançamento literário que vale por dois: a partir das 19h, os escritores Laís Chaffe e Marcelo Spalding autografam o livro dois-em-um Minicontos e muito menos (Casa Verde, 120p, R$ 20,00), ilustrado por Alexandre Oliveira. Na mesma noite, será aberta a exposição homônima de ilustrações criadas por Alexandre, Bier e Guilherme Moojen a partir de textos do livro. A promoção é da Casa Verde e do Jornal Vaia, com apoio da Cerveja Coruja, que oferece um copo de 300ml de Coruja, ceveja viva, para quem adquirir o livro. Auracebio Pereira (PrintMaker Design de Comunicação) assina o design gráfico e as duas capas; a revisão é de Luis Augusto Junges Lopes, da Press Revisão. Tudo isso acontece n'A Toca da Coruja, que fica na Lima e Silva, 1255, esquina Olavo Bilac, Cidade Baixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minicontos e muito menos reúne micronarrativas escritas por Laís e Marcelo desde 2005, quando a dupla da Casa Verde passou a se dedicar às pequenas histórias. Como sugere o título, o livro inclui outras formas breves que não se enquadrariam em uma definição rigorosa de conto, algumas delas próximas da crônica e da poesia. Será o quinto volume da Série Lilliput da editora, pela qual já foram publicadas as coletâneas de minicontos Contos de bolso (2005), Contos de bolsa (2006), Contos de algibeira (2007) e Contos comprimidos (2008), as três primeiras organizadas por Laís e a mais recente por Fernando Neubarth.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-7891951367249004733?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/7891951367249004733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/04/lancamento-de-meu-novo-livro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/7891951367249004733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/7891951367249004733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/04/lancamento-de-meu-novo-livro.html' title='Lançamento de meu novo livro'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-8873821924945768152</id><published>2009-04-16T06:59:00.000-07:00</published><updated>2009-04-16T07:01:47.957-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficções'/><title type='text'>Foi apenas um sonho</title><content type='html'>O que aconteceria se aquela história de amor continuasse depois do primeiro beijo, do primeiro encontro, do casamento? Seriam Romeu e Julieta tão felizes não fosse o fim trágico? Terá durado para sempre o amor do príncipe e da Cinderela? E teria o cinematográfico romance de Jack Dawson e Rose DeWitt Bukater sobrevivido em terra não fosse o desastre do Titanic?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Foi apenas um sonho”, mais recente longa de Sam Mendes, de certa forma nos remete a essa velha questão geral com o caso específico de Jack e Rose, casal interpretado por Leonardo DiCaprio e Kate Winslet que levou milhões de espectadores ao cinema em 1997 com o épico Titanic. Claro que no novo longa, o primeiro em que os dois contracenam depois de Titanic, DiCaprio não é Jack e nem Kate é Rose. DiCaprio é Frank Wheller, um pai de família cheio de planos e sonhos que aos poucos vai se amoldando à vida de pequeno burguês norte-americano. E Kate é April Wheller, esposa de Frank e mãe de duas filhas, uma mulher de meia idade inconformada com a roitina tediosa e monótona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ao escolher o casal, e não Leonardo e Angelina Jolie, ou Kate e Brad Pitt, por exemplo, Sam Mendes nos remete ao idílio juvenil da década passada e aos tantos romances adocicados de Hollywood (uma outra versão poderia trazer Tom Hanks e Meg Ryan, se eles estiverem dispostos a mudar a imagem de par perfeito). Por que como já diz o título na tradução para o português, foi (não é mais) apenas (no sentido de só) um sonho. Nada mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O começo do filme já é incomum: enquanto voltam de uma fracassada peça encenada por April, o casal discute fortemente na beira da estrada, e Frank, o marido, quase chega a bater na mulher. Só depois da forte discussão surge o nome do filme e ele começa de fato: nada de trilhas musicais, voos com a câmera, passeios de carro. É uma espécie de recado ao espectador: se você estava esperando uma continuação melosa de Titanic, esqueça. Aqui é vida real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a versão de vida real de Sam Mendes é sempre muito ácida, realista ao extremo e até com certo extremismo (vide Beleza Americana, seu filme de maior sucesso). Aqui não bastam as conquistas materiais que fizeram a cabeça da geração pós-guerra norte-americana (o filme se passa nos anos 50), e nem bastam dois filhos lindos e saudáveis. É preciso mais, é preciso algo além de uma rotina entediante, preestabelecida, é preciso romper com o status quo. E eis a grande questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Wheller, na história, têm em torno de 30 anos de idade e foram jovens cheios de sonhos, se consideravam especiais, e por isso um casal também especial, avante de seu tempo, diferente dos pequenos burgueses do subúrbio de Connecticut. Acreditavam estar ali apenas para se estabilizar, mas esse tempo parecia durar demais, e começaram as brigas, discussões fortes, quase as vias de fato. Até que April tem uma bela ideia: juntar as economias, vender casa e carro e mudarem-se para Paris, onde ela trabalharia como secretária e Frank teria tempo para pensar o que realmente gostaria de fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidentemente vizinhos e colegas de trabalho acham a ideia estapafúrdia, infantil. Só quem se anima é o filho de um casal de amigos, diagnosticado como louco e paciente de clínicas psiquiátricas (talvez o mais lúcido dos personagens, de uma lucidez e espontaneidade tais que o tornam anti-social, agressivo e inoportuno). Mas o projeto anima o casal, anima até mesmo as crianças, e eles voltam a se sentir diferentes daquela classe média, mediana, medíocre. Até que April descobre estar novamente grávida. E Frank recebe uma proposta de promoção na sua empresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paremos aqui, não é intenção contar o filme todo e muito menos o final. Mau final, aliás. Se tivesse de resumir o filme para o Twitter, diria que é um bom filme com um mau final. O objetivo aqui é refletir sobre os conflitos que o filme traz, especialmente essa necessidade – e impossibilidade – que temos de romper com o status quo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verdade que nos dias atuais, e o filme se passa nos anos 50 mas poderia ser transposto sem dificuldade para os anos 2000, ainda menos gente do que nos anos 50 estão preocupados em enfrentar o status quo, e tantos nem sabem o que é isso, vivendo sob o signo da alienação. Mesmo assim muitos dos que procuraram o filme se identificam com a sensação do casal, a estranha sensação de ter tudo... e não ser nada. Quanto se luta para ter uma casa quitada, um carro do ano, um pátio para molhar a grama, filhos saudáveis. E por que parece que ainda falta alguma coisa? O que falta? Paris? E será que também em Paris não se sente isso tudo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já que falamos em cinema, e em Paris, lembro de Antes do pôr-do-sol, de 2004, continuação de Antes do amanhecer (1995), em que o protagonista também tem família e filho, mas ao encontrar uma antiga paixão questiona toda sua vida até ali, o que fez com os sonhos de sua juventude e o que se tornou. Com poucas certezas e uma sensação insaciável de que precisa aproveitar mais a vida, optará no final pela aventura. Mas aí o filme termina e poderíamos nos perguntar se também Jesse e Celine não acabariam como os Wheller.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem arrisca uma solução extrema e corajosa por causa dessa angústia da meia-idade é a personagem protagonizada por Julianne Moore em As Horas (2002). Nela todo esse desencanto com a vida, ainda que tudo esteja aparentemente no lugar, casa, família, filho de aniversário, motiva uma fuga que só no final da história saberemos o que causa (a tristeza e posterior suicídio do filho quando adulto, interpretado por Ed Harris).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todas as histórias, porém, nessas e em tantas outras, de Beleza Americana a Lost in Translation, o mal que assola é o mesmo: a sensação de incompletude. Um mal moderno, de uma geração que não luta em guerras, não passa fome, conquistou alguma independência mas se vê submetida a empregos medíocres, vizinhanças alienadas, relacionamentos fugazes. Ou, simplesmente, é o vazio existencial que vem chegando no seu limite, convertendo-se num novo mal do século.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span&gt;Marcelo Spalding&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;a href="http://www.digestivocultural.com.br/"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Publicado originalmente no Digestivo Cultural&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-8873821924945768152?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/8873821924945768152/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/04/foi-apenas-um-sonho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/8873821924945768152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/8873821924945768152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/04/foi-apenas-um-sonho.html' title='Foi apenas um sonho'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-1338477511412823543</id><published>2009-04-01T09:03:00.000-07:00</published><updated>2009-04-01T09:05:55.461-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><title type='text'>Ideia acordou sem acento</title><content type='html'>Hoje acordei sem idéia. Tudo bem, ideia acordou sem acento. E esqueceram de avisar o Word, que acentuou ideia sem eu pedir! Bem, não vai ser fácil, mas esta será minha primeira crônica sob a égide da nova reforma ortográfica. Não vai ser nem um pouco fácil, afinal nunca passei por uma reforma antes, desde que aprendi a ler e escrever ideia tem acento... Mas seria bem mais difícil se eu fosse português. Ah, de facto seria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro, é preciso lembrar que a intenção da reforma é mais política e econômica do que lingüística. Embora não elimine de todo as diferenças ortográficas nem pretenda interferir nas culturais, a reforma ortográfica unifica a ortografia oficial do português, única língua importante com duas ortografias oficiais distintas, e por este motivo tem sido chamado de Acordo e não de Reforma. Não deixa de ser reforma, é claro. Mas com olhos mais voltados aos contratos internacionais que, quando redigidos em português, precisavam de duas versões, ao mercado de livros, que se via obrigado a fazer edição especial para além-mar, ou ao continente africano e suas potencialidades político-econômicas do que às reformas que cotidianamente se faz na língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo: para para pensar. Agora não tem mais acento no "pára", então fica assim mesmo: para para pensar. Talvez essa falta de acento nos faça tropeçar na frase, e aí eu escreveria, como falo, "para pra pensar" e não "para para pensar", o que pode acarretar que daqui a uns cinquenta anos a preposição para vire definitivamente pra, a fim de diferenciar-se do outro para. Mas agora, pelo menos, qualquer texto em norma culta escrito em Porto, Lisboa, Luanda, Maputo ou Rio de Janeiro terá essa forma: para para pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que a reforma, ou acordo, traz consigo enorme polêmica. Para alguns a mudança é desnecessária, dispendiosa, coisa de partido de esquerda quando chega ao poder. Para outros, é tímida demais, deveria começar eliminando os hífens e, quem sabe, depois os acentos todos. Particularmente acho que o grande problema é que a mudança nos faz perceber como o tempo está passando e como precisamos mudar, nos atualizar. Mudar não só o acento da ideia como também as próprias ideias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque mudar o dicionário é como mudar a posição solar, a divisão dos países, a cor da bandeira: desde que nascemos ideia é idéia e, de uma hora para outra, não é mais. E por que não é mais? Pelo mesmo motivo que um dia fora. Esse tipo de mudança numa instituição forte como a ortografia nos faz perceber, portanto, como também nossa língua é fruto de construções, construções que com o tempo se perdem e por isso passamos a tomar as palavras por códigos arbitrários. Mas observe, por exemplo, a palavra discar: daqui a cinco gerações continuarão usando discar com o sentido de telefonar, mas poucos lembrarão que, um dia, os telefones tinham um disco e para se falar com alguém era preciso discar... Outra palavra, para ficar nas afetadas pela reforma: mandachuva. Não tem mais hífen, porque ninguém mais lembra porque se uniu, um dia, "manda" e "chuva" para designar alguém mandão. Ninguém lembra, nem eu, mas alguma razão há de existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No frigir dos ovos, tenha a palavra "linguística" trema ou não as pessoas continuarão  tendo dificuldades para lidar com as regras de acentuação ou com a confusa conjugação  dos nossos verbos, palavras em inglês e, agora, em chinês continuarão tomando  conta dos dicionários e homogeneizando as línguas e culturas como um todo e, pior  ainda, as pessoas continuarão escrevendo pouco, muito pouco. Com ou sem acento,  com ou sem hífen.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para nós, que saímos da escola quando Plutão ainda era um planeta, evidentemente  que adaptar-se à mudança será uma epopeia: teremos de desautomatizar a colocação  dos acentos e do trema, comprar dicionários novos, mudar o corretor ortográfico  do computador. Ou não, porque assim como nos anos setenta uma parcela da população  manteve-se conservadora e insistindo no pôrto ou no cafézinho, é possível que  muitos se neguem a adquirir novos hábitos e insistam a escrever como aprenderam  na escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas no final das contas, fique tranquilo, tudo continuará como antes. As assembleias  europeias continuarão protecionistas, confusas e poderosas. As mulheres seguirão  nuas em pelo nas esquinas das cidades. Grupos antissemitas continuarão existindo,  e também grupos antirreligiosos. A Coreia do Norte continuará antipática  à Coreia do Sul. Delinquentes continuarão fazendo sequestros relâmpagos. Voos  heróicos continuarão matando inocentes sob o aplauso de uma plateia patética diante  da televisão. Pseudointelectuais continuarão dizendo que leem poetas neossimbolista,  romances neorrealistas. E eu continuarei não gostando de pera nem de geleia nem  de tramoia nem de feiura.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span&gt;&lt;br /&gt;Marcelo Spalding&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;a href="http://www.digestivocultural.com.br/"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Publicado originalmente no Digestivo Cultural&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-1338477511412823543?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/1338477511412823543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/04/ideia-acordou-sem-acento.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/1338477511412823543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/1338477511412823543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/04/ideia-acordou-sem-acento.html' title='Ideia acordou sem acento'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-1665514267947510959</id><published>2009-03-28T09:05:00.000-07:00</published><updated>2009-03-28T09:11:14.690-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficções'/><title type='text'>Escolhas insólitas</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Minha tradução livre para este belo conto de Cortázar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Escolhas insólitas  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; (Julio Cortázar, Último Round, 1969)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  Não está convencido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não está nada convencido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deram-lhe a entender que poderia escolher entre uma banana, um tratado de Gabriel Marcel, três pares de meias de náilon, uma cafeteira com garantia, uma loira de costumes elásticos ou a aposentadoria antes da idade regulamentada, mas ainda não está convencido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua reticência provoca insônia em alguns funcionários, em um padre e na polícia local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não está convencido, começaram a pensar se não haveriam de tomar medidas para expulsá-lo do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deram-lhe a entender, sem violência, amavelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, disse: “Nesse caso, escolho a banana”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconfiaram dele, naturalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teria sido muito mais tranquilizador que escolhesse a cafeteira, ou pelo menos a loira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deixa de ser estranho que tenha preferido a banana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem-se a intenção de estudar novamente o caso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-1665514267947510959?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/1665514267947510959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/03/escolhas-insolitas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/1665514267947510959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/1665514267947510959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/03/escolhas-insolitas.html' title='Escolhas insólitas'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-4924931662503741776</id><published>2009-03-26T14:20:00.000-07:00</published><updated>2009-03-26T14:23:49.332-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><title type='text'>Aperitivo do novo livro</title><content type='html'>Em primeira mão, o posfácio que o Leonardo Brasiliense escreveu para meu próximo livro, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Minicontos e muito menos&lt;/span&gt;, que deve ser lançado em abril.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;NA VERDADE,  CINCO MINI LIVROS...  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há Cinco  Marias, para todos os destinos: vítimas, algozes, e até uma que  não nasceu. Um nome não aprisiona significado senão pela vida que  o carrega. E quem disse que um conto de três linhas não carrega uma  vida inteira? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ciranda  da vida nos leva a dançar pelos temas da vida e da morte, para  um lado e para outro: de vidas possíveis (chegou a tua hora... eu poderia  ter sido atriz...), passando por quem é capaz de tirar a vida (na real,  foi assim: primeiro mataram a mãe...), até a morte que permite a vida  (no dia em que Paulo se foi...). Ciranda pra lá, ciranda pra cá...  Cuidado para não ficar tonto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cédula  viva, que pra mim não é um conjunto de contos, mas uma mini novela,  dá um bom filme, um longa-metragem inteligente. Tem personagens bem  definidos, e o que os une, o que os faz semelhantes são as duas coisas  escritas no título genial: uma cédula de dinheiro (o motor do mundo  contemporâneo) e a vida (o sentido para o sujeito). O indivíduo e  o social retratados de uma só vez, com equilíbrio e maturidade, coisa  rara. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faces de  sete poemas, na sua intertextualidade, mostra que a diferença entre  a poesia e a prosa, especialmente o conto, pode às vezes ser apenas  a face, o lado que se olha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Sinal  dos tempos fala do que é nosso, infelizmente, queiramos ou não. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinco mini  livros com uma unidade que sentimos mas não podemos definir, que se  deixa ver, que se exibe e se descobre no papel, porém é muito mais  complexa que tudo o que ali está: a marca do autor, a alma do Marcelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right; font-style: italic;"&gt;Leonardo Brasiliense&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-4924931662503741776?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/4924931662503741776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/03/aperitivo-do-novo-livro.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/4924931662503741776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/4924931662503741776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/03/aperitivo-do-novo-livro.html' title='Aperitivo do novo livro'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-507203934485883785</id><published>2009-03-25T17:14:00.000-07:00</published><updated>2009-03-25T17:20:21.005-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tecnologia'/><title type='text'>Como será a literatura na internet?</title><content type='html'>Há algum tempo ando às voltas com um novo tema, a literatura digital. Ou eletrônica. Ou on-line. Porque não podemos negar que a internet é o símbolo das novas tecnologias de comunicação, que já transformaram a música, o cinema, a televisão e, de certo, transformarão também a literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa linha, muitos já discutem &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/especial/especial.asp?codigo=43" target="_blank"&gt;o fim do livro&lt;/a&gt; como suporte, discussão que acho acessória (particularmente acho que os livros terão vida muito mais longa do que esses &lt;i&gt;e-books&lt;/i&gt; baseados na versão em PDF dos livros, pois tais versões são como filmar uma peça de teatro e dizer que isso é cinema! Nada disso, o teatro sobreviveu ao cinema exatamente porque o cinema é outra coisa, com outras possibilidades e desafios). O que me intriga, então, é pensar de que forma a literatura será veiculada na internet, de que forma a literatura irá explorar as ferramentas das novas tecnologias para criar obras instigantes, originais, multimídias, interativas e, ainda assim, obras literárias, e não &lt;i&gt;games&lt;/i&gt; ou clipes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale lembrar que embora hoje literatura seja sinônimo de livro, nem sempre foi o livro o suporte da literatura. Ou alguém acha que as tragédias gregas não são literárias porque, em vez de impressas, eram encenadas? Ou que os contos de fadas não são literários porque, ao invés de escritos, eram transmitidos oralmente? Claro que não. O livro é apenas um meio de se transmitir literatura, assim como o LP, o K7, o CD ou o MP3 são meios/mídias diferentes para a mesma arte: música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorre que, na literatura, essas mudanças na forma costumam ser acompanhadas de profundas mudanças estéticas. O romance, por exemplo, é um gênero relativamente recente, associado à modernidade (&lt;i&gt;Dom Quixote&lt;/i&gt; é de 1605), e seu apogeu em relação a outras formas, como a epopéia ou as tragédias, tem muito a ver com a invenção da imprensa e a facilidade de impressão de livros. Assim como Edgar Allan Poe, espécie de inventor do conto moderno, associa a &lt;i&gt;short story&lt;/i&gt; à popularização das revistas e jornais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que isso demora anos, décadas, gerações. É preciso que as gerações nascidas sob a égide da nova tecnologia cresçam, produzam suas próprias ficções nesse suporte e com suas particularidades, depois cheguem nas academias, na mídia e passem a valorizar este tipo de produção. Mas é tarefa das cabeças pensantes do nosso tempo perceber a pertinência dessa reflexão, a potencialidade criativa que as novas tecnologias oferecem e incentivar essa criação. Foi com esse intuito, aliás, que promovi aqui no RS o &lt;a href="http://www.artistasgauchos.com.br/portal/?pg=inscricao" target="_blank"&gt;I Prêmio Gaúcho de Arte Eletrônica&lt;/a&gt;. Foram três categorias, Artes Visuais, Cartum e Literatura, e acho que os trabalhos mais interessantes acabaram mesmo sendo na área de literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.ciberpoesia.com.br/" target="_blank"&gt;CiberPoesia&lt;/a&gt;, da ilustradora Ana Gruszynski e do escritor Sérgio Capparelli, no concurso ficou com o Prêmio Especial por ser um projeto absolutamente a frente de seu tempo. Utilizando o Flash, o &lt;i&gt;site&lt;/i&gt; traz diversos poemas visuais e ciberpoemas interativos que demonstram a riqueza de possibilidades da nova ferramenta: o leitor não apenas lê, ele também cria através da interação, vê os movimentos das ilustrações integrados ao poema e ao final observa o resultado da criação. Um projeto como esse só poderia surgir de um escritor acostumado com a literatura infantil, um gênero que há tempos não se restringe ao texto, e, por esse motivo, deixou de ser um trabalho único, autoral, para se tornar um trabalho de equipe (raros são os escritores que também são ilustradores, e poucos são os ilustradores que acumulam a função de &lt;i&gt;designer&lt;/i&gt; gráfico dos livros).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro trabalho que chamou minha atenção foi a novela &lt;a href="http://www.mauropaz.com.br/arte_eletronica/" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Desfocado&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, de Mauro Paz. Mauro contou que havia escrito essa novela e, na hora de publicar, decidiu aproveitar seu conhecimento em Flash para criar uma novela multimídia e interativa. Dessa forma, o leitor encontra um &lt;i&gt;menu&lt;/i&gt; com &lt;i&gt;hiperlinks&lt;/i&gt; para cada capítulo e, à medida que for avançando na leitura da história, irá se deparar com cartas manuscritas, chocolates que vão perdendo seus pedaços à medida que a leitura avança e assim por diante. Para quem tem uma conexão razoavelmente rápida, é divertimento na certa. Com boa literatura por trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mauro concorria na categoria Literatura, onde os dois mais votados ― a votação foi feita por artistas cadastrados no portal que organizou o Prêmio ― foram o &lt;i&gt;blog&lt;/i&gt; de Rubem Penz, &lt;a href="http://www.rufardostambores.blogspot.com/" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Rufar dos Tambores&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, e o &lt;i&gt;e-book&lt;/i&gt; de Ana Mello, &lt;a href="http://www.minguante.com/?ebook=finais_felizes" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Finais Felizes&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, que levou o troféu. Olhando de fora, poderia dizer que o trabalho de Ana Mello é uma espécie de exemplo da transição entre a cultura livresca e a cultura digital. Apesar de o texto ser publicado em formato de livro (PDF), a paginação é feita com o efeito &lt;i&gt;flip&lt;/i&gt;, há todo um cuidado de acabamento (capa, diagramação) e o gênero escolhido é um gênero perfeito para a internet: o miniconto. Já o &lt;i&gt;blog&lt;/i&gt; de Rubem representa todos os &lt;i&gt;blog&lt;/i&gt;s literários inscritos para o prêmio, e foram diversos, o que também evidencia que há muito a literatura tem buscado seu espaço no mundo digital e os &lt;i&gt;blog&lt;/i&gt;s, por se tratarem de ferramentas fáceis de usar e gratuitas, se tornaram a porta de entrada preferida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que a abrangência do concurso é pequena para o universo da internet, nosso Estado é apenas um entre os vinte e poucos do país e nosso país é um entre as centenas do mundo, mas com ele parece que consegui mostrar aos mais céticos que é possível, sim, fazer boa literatura para a internet. E, mais ainda, que é possível ser original e criativo no uso das ferramentas dessas novas tecnologias para a produção de literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidentemente, voltarei ao tema em outras tantas colunas, provocando leitores e, acima de tudo, escritores a pensar diferente. Por enquanto, convido vocês a me enviarem &lt;i&gt;links&lt;/i&gt; de outras obras literárias publicadas na internet para, aos poucos, criarmos uma biblioteca paralela somente com bons exemplos de literatura on-line. Somente assim, acabem as árvores, os papéis ou os livros, a literatura permanecerá mais viva do que nunca.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span&gt;&lt;br /&gt;Marcelo Spalding&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;a href="http://www.digestivocultural.com.br"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Publicado originalmente no Digestivo Cultural&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-507203934485883785?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/507203934485883785/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/03/como-sera-literatura-na-internet.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/507203934485883785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/507203934485883785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/03/como-sera-literatura-na-internet.html' title='Como será a literatura na internet?'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-3137186163748422637</id><published>2009-03-25T08:54:00.000-07:00</published><updated>2009-03-28T09:12:03.333-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='realidades'/><title type='text'>Quando a educação vira caso de polícia...</title><content type='html'>&lt;h1&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Professora agredida por aluna na Capital sofre traumatismo craniano&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;h4 style="font-weight: normal; font-style: italic;" class="tipo-b"&gt;Adolescente alega que foi ofendida e admite ter empurrado Glaucia&lt;/h4&gt;&lt;div class="coluna" id="fonte"&gt;&lt;small style="font-style: italic;" class="autor"&gt;Marcelo Gonzatto, ZH Online&lt;br /&gt;&lt;/small&gt;&lt;p&gt;A professora Glaucia Teresinha Souza da Silva, 25 anos, agredida por uma aluna da Escola Estadual de Ensino Fundamental Bahia, da Capital, passou por uma tomografia no meio da tarde no HPS que apontou a existência de um traumatismo craniano. A educadora foi transferida às 18h ao Hospital Beneficência Portuguesa para a realização de novos exames e ficar internada em observação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A discussão teria sido motivada por indisciplina da aluna. A agressão ocorreu quando a professora foi até a sala de aula da estudante da 8ª série para buscar a aluna e levá-la à direção, após um desentendimento entre as duas. A adolescente alega ter sido ofendida e admite ter empurrado a professora, que bateu a cabeça na parede, desmaiou e foi encaminhada ao HPS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Delegacia da Criança e Adolescente Vítima vai apurar a versão da menina, que diz ter sido alvo de racismo. A aluna foi encaminhada ao Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca), que vai apresentá-la ao Ministério Público.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mais:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&amp;amp;local=1&amp;amp;section=Geral&amp;amp;newsID=a2452586.xml"&gt;Caso da professora agredida por aluna realimenta discussão sobre a indisciplina&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-3137186163748422637?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/3137186163748422637/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/03/quando-educacao-vira-caso-de-policia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/3137186163748422637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/3137186163748422637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/03/quando-educacao-vira-caso-de-policia.html' title='Quando a educação vira caso de polícia...'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-7325529703569645074</id><published>2009-03-23T13:55:00.000-07:00</published><updated>2009-03-23T14:01:53.512-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='educação'/><title type='text'>Quanto custa rechear seu Currículo Lattes</title><content type='html'>&lt;span&gt;&lt;span&gt;       Essa não é uma coluna sobre cultura, é sobre educação. Mas o que tem mais a ver com a cultura do que a educação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo estudante universitário já ouviu falar do Currículo Lattes, todo aspirante a Mestre ou Doutor decerto já fez o seu e àqueles com pretensões acadêmicas é imprescindível atualizar seu Lattes pelo menos duas vezes por ano. O Lattes é critério quase universal para seleções de programas de pós-graduação do Brasil e do exterior, além de ser fundamental nas bancas de contratação de professores universitários em concursos e editais. Mantido pelo CNPq, é uma forma democrática de centralizar as informações acadêmicas de todo país, permitindo aos pesquisadores encontrar colegas de áreas afins e, a quem seleciona, avaliar a produção científica do aspirante à vaga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os críticos dizem que o Lattes transforma todo o esforço intelectual dos pesquisadores em quantidade, em números, simplificando e até ridicularizando uma produção eminentemente qualitativa. Ocorre que no final do Lattes há uma tabela informando quantos artigos foram publicados, quantos livros ou capítulos de livros, de quantos congressos o fulano participou. Mas até aí nenhuma novidade, se você começou a ler este texto provavelmente já sabe o que é e como funciona o Currículo Lattes. A novidade é que um bom Lattes tem preço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o crescimento dos cursos de pós-graduação no Brasil e o amadurecimento da Plataforma Lattes, a corrida por "qualificação" tem sido grande, e a lógica quantitativa acaba incentivando a formação de um verdadeiro "mercado acadêmico". Já havia percebido isso ao me inscrever em um congresso, no meu caso o da ABRAPLIP, mas poderia ser de qualquer área e em qualquer lugar. Se você quer que seu trabalho seja apresentado, antes da inscrição deve enviar um resumo e aguardar o aceite. Elaborei o resumo, nas normas que exigiam, e o submeti. Em poucas semanas, um e-mail informa que o trabalho foi aprovado, e o ingênuo aqui fica feliz da vida: vai no site, preenche a ficha de inscrição, imprime o boleto, paga no banco a taxa de cento e poucos reais (há eventos de R$ 300,00, R$ 500,00, e por aí afora, especialmente se você for da área de Medicina ou Direito). No dia da minha apresentação no evento, a surpresa: havia cinco pessoas na sala: um professor e quatro apresentando trabalhos. Público para quê? Discussão para quê? Afinal, dali sairemos com um certificado (enviado por e-mail), um CD-ROM e um número a mais no Lattes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidentemente, a proporção não é um por um, mas tão evidente quanto é que os congressos hoje estão inchados com dezenas de apresentações de trabalhos, e o aceite desses é uma mera formalidade. Um trabalho medíocre será aprovado se não comprometer o evento e o autor lá estará, enquanto um aluno excelente que faça um artigo excelente mas por algum motivo não possa pagar a inscrição, ah, esse não estará lá. Afinal, sai caro um bom Lattes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vamos além, afinal de contas, poucos dos que se aventuram em cursos de pós-graduação não teriam dinheiro para a inscrição de um evento desses. E a passagem? E o hotel? E férias, para quem não tem bolsa? Sim, porque se você tiver pretensão de dar aula na USP, na UFRJ ou na UFRGS, é bom sua vida acadêmica não ficar restrita a Cacimbinhas, é bom você ter ido aos eventos nacionais mais importantes da sua área, ter contatos, viajar. E não espere algum desconto especial para viagens acadêmicas por parte das companhias aéreas. Muito menos bolsas oferecidas pelos cursos de pós-graduação, a não ser em raríssimos ? e discutíveis ? casos. Afinal, sai caro um bom Lattes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, não é só isso. Estávamos tão acostumados a participar de congressos e pagar por isso, estamos tão satisfeitos em aproveitar esses eventos para fazer turismo pelo Brasil (ah, claro, ninguém acha que o controle de presença nesses eventos seja muito rigoroso, né?) que nem percebemos o quão injusta é essa lógica do "pagando bem, que mal tem". Quero ir além. De uns tempos para cá, tem se tornado comum no Brasil pagar pela publicação de artigos! Sim, os artigos científicos, tão puros, tão imparciais, tão citados como referência do conhecimento pela mídia, pelos nossos professores, publicá-los também tem um preço, e bem salgado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não havia me acontecido isso, mas uma amiga da área da Enfermagem ousou submeter seu artigo de conclusão de curso para a Revista Gaúcha de Enfermagem e, adivinhem, o artigo foi aceito para a publicação com uma condição: ela e as outras duas autoras do artigo deveriam ser assinantes da revista para essa publicação, e, claro, isso tem um custo: R$ 130,00. Cento e trinta! Fiquei pensando se já aconteceu de alguém enviar artigo e ele não ser aceito, afinal cenzinho é cenzinho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei em reclamar para a UFRGS que uma revista com seu logotipo fizesse esse tipo de coisa, mas a Universidade está em férias. Entrei em contato, então, com a Ouvidoria do Ministério da Ciência e Tecnologia, a fim de denunciar esse tipo de abuso num país e numa universidade que lutam pela inclusão acadêmica de negros e pobres. A resposta, conclusiva, me fez perceber que o Lattes realmente tem preço:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Prezado Marcelo,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A cobrança para publicação de artigos é prática frequente na área internacional, inclusive porque alguns periódicos científicos são bancados pelos próprios autores. A informação, pelos custos que envolve, resulta cara. No Brasil, esta prática ainda não está amplamente disseminada mas já é praticada, principalmente na área médica.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;No caso específico, segundo sua informação, o pagamento não é propriamente pelo artigo, mas para que ela se torne sócia da revista. Sugerimos que consulte a política editorial do periódico, que deve estar impressa na própria revista ou no seu site. A política editorial informa quais são os critérios utilizados para seleção e publicação de artigos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nada obstante, caso ela não concorde com o critério, pode submeter seu artigo a outros periódicos que não exijam contrapartida financeira. Seguramente na sua área de especialização existem vários em todo o Brasil.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Atenciosamente,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ouvidoria-Geral do MCT&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Indignado, entrei em contato com minha orientadora de graduação, uma professora muito amiga, Doutora em Comunicação. E aí a professora me lembrou de que quando terminou seu Doutorado, recebeu pelo menos cinco cartas a parabenizando e a convidando a publicar seu belíssimo trabalho em livro. Mas, é claro, um livro acadêmico é sempre importante e, afinal, sai caro um bom Lattes. Caro quanto? Cinco mil reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso concordar com essa lógica, e me surpreende que entidades como a UNE fiquem mais preocupadas com o preço da passagem de ônibus do que com esse tipo de descalabro. Não é novidade alguma que a seleção para os cursos de pós-graduação passam por critérios pessoais, políticos, nada objetivos, e no momento que se cria uma ferramenta para tornar a escolha um pouco mais democrática, admitiremos que essa ferramenta sirva para privilegiar os estudantes com mais poder aquisitivo? Sem demagogia, dessa forma algum pobre que entrou na universidade pelas cotas ou pelo Pró-Uni conseguirá ingressar em Mestrados e Doutorados a partir desse critério mercantilista?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, o caso é muito grave. São essas pessoas com Lattes recheados que irão lecionar nas universidades federais e particulares (e há aos borbotões), são elas que irão formar os futuros médicos, advogados, jornalistas, professores? E quais os valores que essa geração acadêmica tem a passar? O valor do "quanto mais, melhor", do "quem pode mais, chora menos"? E essa realidade, todos sabem, se reflete desde o Ensino Fundamental, onde as creches e escolas públicas são cada vez mais abandonadas e as particulares proliferam e profissionalizam-se. Mas aí já é assunto para outra crônica...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                            &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span&gt;Marcelo Spalding&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2749"&gt;Publicado originalmente no Digestivo Cultural&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-7325529703569645074?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/7325529703569645074/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/03/quanto-custa-rechear-seu-curriculo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/7325529703569645074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/7325529703569645074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/03/quanto-custa-rechear-seu-curriculo.html' title='Quanto custa rechear seu Currículo Lattes'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6556406036141828480.post-1919842493382521267</id><published>2009-03-23T13:12:00.000-07:00</published><updated>2009-03-23T14:10:45.040-07:00</updated><title type='text'>Por que mais um blog?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;" class="status-body"&gt;&lt;span class="entry-content"&gt;"De repente se teve a possibilidade de dizer&lt;br /&gt;tudo a todos, mas, olhando bem,&lt;br /&gt;não se tinha nada para dizer."&lt;br /&gt;Bertolt Brecht&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="status-body"&gt;&lt;span class="entry-content"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="status-body"&gt;&lt;span class="entry-content"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Sempre tive resistência com blogs, e confesso que é a primeira vez que começo um, depois de ver tantos e tantos e tantos começarem e terminarem como os insetos que rondam nossa casa. Mas por que começar um blog, então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um, porque estou ingressando num Doutorado que tomará quatro anos da minha vida acadêmica e vai me encher com tantas informações que me obrigam a ter uma vazão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois, porque há algum tempo venho publicando artigos, resenhas e tal na internet e isso não fica centralizado, nem meu site acaba dando conta. Espero que com o blog, consiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três, por uma irresistível vontade de fazer parte do mundo dos blogueiros, do qual fazem parte muitos amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, aqui inauguro um espaço para postar artigos, textos, comentários e dicas sobre literatura, tecnologia, comunicação e afins. Sem muitos compromissos nem preocupações estéticas. Afinal, blog é blog.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6556406036141828480-1919842493382521267?l=ospalding.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ospalding.blogspot.com/feeds/1919842493382521267/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/03/por-que-mais-um-blog.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/1919842493382521267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6556406036141828480/posts/default/1919842493382521267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ospalding.blogspot.com/2009/03/por-que-mais-um-blog.html' title='Por que mais um blog?'/><author><name>Marcelo Spalding</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02719307697001620469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
