quinta-feira, 16 de maio de 2013

O modo subjuntivo: usos e tempos verbais

Marcelo Spalding

Muitos estudantes de língua portuguesa temem o modo subjuntivo pelas suas peculiares formas e uso não tão cotidiano. Entretanto, poucos sabem que diversas línguas, do ínglês ao árabe, passando por todas as línguas latinas, utilizam o modo subjuntivo.

O modo subjuntivo normalmente é descrito como o modo que expressa dúvida, desejo ou possibilidade. Entretanto, sua característica mais importante talvez não seja semântica, já que o conceito de "dúvida, desejo ou possibilidade" costuma gerar discussões, e sim sintática.

Ocorre que o verbo no modo subjuntivo em geral não pode formar uma frase sozinho, ele é, por assim dizer, um auxiliar de um verbo no modo indicativo. Vejamos:
Gostaria que ele chegasse a tempo.
Espero que ele venha logo.
Adorarei quando ele voltar.
Em cada frase, o primeiro verbo em destaque é um verbo no modo INDICATIVO, enquanto o segundo é um verbo no modo SUBJUNTIVO. Essa mudança de modo é, também, uma forma de a língua manter clareza em sua estrutura. Imagine a confusão que seria se fossem todos verbos indicativos:
*Gostaria que ele chegou a tempo.
*Espero que ele vem logo.
*Adorarei quando ele volta.
Além disso, sempre há uma palavra, em geral uma conjunção, que manda o verbo para o modo SUBJUNTIVO. Observe:
Se eu chegasse mais cedo...
Embora eu chegasse mais cedo...
Espero que ele venha logo.
Se eu for rico...
Quando eu for rico...
Em relação ao TEMPO, o modo subjuntivo traz o PRETÉRITO, o PRESENTE e o FUTURO.
O pretérito do subjuntivo costuma apresentar verbos com o sufixo -sse e tem, naturalmente, uma ideia de passado (jogasse, vendesse, perdesse). Uma forma mais precisa de explicá-lo, porém, seria dizer que o verbo no indicativo que o acompanha sempre está no futuro do pretérito. Observe:
Se eu chegasse mais cedo, teria ligado para você.
Caso eu tivesse visto alguma coisa, você seria o primeiro a saber.
O presente do subjuntivo costuma tem uma ideia de presente, sendo comum para expressar desejo (seja, chegue, tenha). Uma forma mais precisa de explicá-lo, porém, seria dizer que o verbo no indicativo que o acompanha sempre está no presente. Observe:
Espero que eu chegue a tempo.
Imagino que você queira ser o primeiro a saber.
O futuro do subjuntivo costuma apresentar verbos com o mesmo radical do infinitivo e tem uma ideia de futuro (jogar, jogarmos, jogarem). Uma forma mais precisa de explicá-lo, porém, seria dizer que o verbo no indicativo que o acompanha sempre está no futuro do presente. Observe:
Quando eu chegar, ligarei para você.
Se eu ver alguma coisa, você será o primeiro a saber.
Vale lembrar que as conjugações no subjuntivo podem reservar surpresas a quem não está acostumado à forma culta da língua. Expressões como "Espero que nós cheguemos a tempo", embora corretas, costumam levantar suspeitas de muitos que se policiam para não dizer "Nós cheguemos mais cedo", numa clara - mas natural - confusão entre os modos indicativo e subjuntivo.

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