terça-feira, 19 de julho de 2011

Yes, nós queremos preservar a língua portuguesa

Marcelo Spalding

Salutar a preocupação do deputado Raul Carrion em “proteger o nosso idioma”, segundo suas próprias palavras. Realmente nosso idioma precisa de proteção, mas não contra os estrangeirismos, inerentes a qualquer cultura, e sim ao mau uso e ao parco entendimento que a população média tem dele, fruto de uma educação falha em todos os níveis.

No ensino básico, minha sobrinha formou-se ano passado em uma Escola Estadual de Porto Alegre e em pleno último ano de ensino a disciplina de Língua Portuguesa passou de seis para quatro períodos semanais, pois era preciso acomodar dois períodos de língua espanhola, que se somavam aos dois períodos de língua inglesa. Ou seja, às vésperas do vestibular, a escola subtraiu um terço da quantidade de aulas de língua portuguesa, igualando seu espaço ao ensino de língua estrangeira.

No Ensino Superior, um aluno da UFRGS se forma em Jornalismo, História, Enfermagem e tantos outros cursos sem a necessidade de frequentar uma única disciplina obrigatória de Língua Portuguesa ou Produção Textual, algo que se repete de forma vergonhosa em diversas instituições particulares. Como a língua é fundamental para o crescimento pessoal e profissional de qualquer cidadão, tal descaso promove uma enorme procura por palestras, grupos e cursinhos de língua portuguesa, ampliando sobremaneira o fosso entre os que podem estudar e os que precisam estudar.

Dessa forma, poderia o deputado Carrion voltar à tribuna e exigir um ensino da língua portuguesa de qualidade nas escolas estaduais e nas universidades públicas. Poderia, também, propor a criação de cursos de interpretação e redação de textos, patrocinados pela Assembleia. Poderia, ainda, investir na qualificação dos docentes, insistir pelo pagamento do piso aos professores. Poderia, enfim, lutar pela preservação do idioma onde ele é mais necessário: no dia a dia de seus falantes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário